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Reforma Tributária do Chile em 2019/2020: ricos pagarão 60% dos novos encargos. E o Brasil? E os EUA?

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O Chile passou por uma convulsão social (e ainda passa) para perceber o óbvio: quem ganha mais deve contribuir mais para saldar dívidas públicas com saúde, educação, previdência (inexistente lá, exceto a privada) e assistência social.

É importante a leitura do artigo publicado em 30/01/2020 no jornal O Globo On line, intitulado “Chile aprova reforma tributária que aumenta impostos para mais ricos e beneficia idosos”. Essa é a linha que sugerimos que a reforma tributária brasileira adote para se antecipar e impedir que cheguemos naquele estado de convulsão social.

Veja os trechos que destacamos:

SANTIAGO — O Congresso do Chile aprovou, na noite de quarta-feira, uma  reforma tributária, uma das principais promessas do presidente Sebastián Piñera, que aumenta as taxações sobre os mais ricos, entre outros aspectos. O texto original do projeto, elaborado antes dos protestos que tomaram as ruas do país no final de 2019 e deixaram ao menos 26 pessoas mortas, sofreu adaptações, excluindo um de seus pontos mais polêmicos: o fim da redução de impostos para grandes empresas.

 

A nova regra busca aumentar a arrecadação anual de impostos em US$ 2,2 bilhões (R$ 9.307.320.000) — 55% dos quais virão exclusivamente de impostos aplicáveis aos mais ricos. O dinheiro, segundo o Palácio de La Moneda, será utilizado para bancar a agenda social apresentada para tentar conter as manifestações que começaram no dia 18 de outubro de 2019, em repúdio ao aumento da tarifa do metrô, e rapidamente ganharam demandas sociais mais amplas.”

 

A reforma, apresentada há 17 meses, foi o projeto discutido por mais tempo no Congresso chileno desde 1990: 524 dias. Entre as medidas que entrarão em vigor estão impostos maiores sobre propriedades que custam mais de 400 milhões de pesos chilenos (R$ 2.152.297) — algo que deverá trazer US$ 156 milhões (R$ 659.950.000) para os cofres públicos. Outro ponto é o aumento de 40% nos impostos cobrados sobre rendas anuais superiores a 184 milhões de pesos (R$ 975.698) ou 146 milhões mensais (R$ 79.540) — o governo estima que a arrecadação sobre a medida seja de US$ 241 milhões (R$ 1.019.550.500). Segundo o ministro da Fazenda, Ignacio Briones, seis em cada dez pesos arrecadados com o novo projeto virão dos mais ricos.”



Acesse a íntegra em: https://oglobo.globo.com/mundo/chile-aprova-reforma-tributaria-que-aumenta-impostos-para-os-mais-ricos-beneficia-idosos-24219086.


Esta abordagem de reforme tributária é justa, é necessária e é o que resolve a longo prazo, mas a grande mídia brasileira e o mercado financeiro impedem que o debate da reforma tributária se dê nestes termos.

Um consenso sobre a necessidade de se realizar a reforma tributária já existe e devíamos aproveitar isso para realizar uma reforma tributária com peso de diminuir desigualdades sociais.

Observe-se que o termo “taxar ricos” não pode adquirir no Brasil a conotação de perseguição contra a classe de ricos e super empresas. Mas é assim que acaba sendo tratado. A incrível concentração de renda a que o mundo vem sendo levado pelo sistema financeiro, sistema econômico, sistema produtivo atual está criando disfunções sociais e disfunções econômicas. Não se pode continuar no caminho em que 1% da população tenha 50% da riqueza ou mais no mundo ou em determinado país.

Nos Estados Unidos esse debate já ganha relevo com uma candidata, Elizabeth Warren, às prévias do Partido Democrata para a Presidência da República sugerir que todos aqueles que ganhem ou possuam acima de R$50 milhões de dólares anualmente paguem um imposto específico de 2% sobre o que sobeje este valor. A cada 1 dólar além de 50 milhões de dólares, o americano teria de pagar 0,02 dólar, ou seja, dois centavos de dólar para ajudar o orçamento americano, a assistência social, tudo. Quem pode ser contra isso?!?! Que milionário ou bilionáro poderia achar isso excessivo sem expor que é uma pessoa que pouco se importa com o coletivo?

Veja o trecho do artigo que separamos sobre esse debate nos EUA:

Imposto é debatido nos EUA A tributação de fortunas é assunto nos Estados Unidos, onde políticos estão em campanha para as eleições primárias presidenciais. No partido Democrata, de oposição ao presidente Donald Trump, a senadora Elizabeth Warren tem como uma de suas principais bandeiras a criação de um imposto de dois centavos para cada dólar que passar de US$ 50 milhões no patrimônio de alguém, uma vez por ano. A proposta é criticada por alguns, mas a candidata tem ido bem nas pesquisas. Segundo o jornal “The New York Times”, Elizabeth Warren alcançou o segundo lugar na disputa para ver quem será o candidato democrata, atrás apenas de Joe Biden Jr., que foi vice-presidente de Barack Obama. (…)”



Acesse o artigo da UOL Economia na íntegra em: https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/10/20/imposto-sobre-grandes-fortunas-reforma-tributaria-proposta-oposicao-camara.htm

Copiamos este conteúdo de dois artigos somente para que vocês vejam como há o debate sobre a grande questão sobre tributação de ricos e que o Brasil está muito defasado e na verdade omisso e alheio a este mal que é espremer classe média e pobres para contribuírem para o combate ao déficit público e NUNCA EXIGIR UMA CONTRAPARTIDA DOS RICOS QUE ELES TÊM TOTAL POSSIBILIDADE DE PRESTAR AO PAÍS PELO BEM DE TODOS.

Guedes sempre diz, em termos de reforma da previdência, que “quem recebe mais, deve contribuir mais”… certo… isso só alcança a diferença entre quem se aposenta com mil reais e quem se aposenta com 5 mil reais no sistema geral do RPGS/INSS? Ou entre estes e quem ganha de 5 mil a 30 mil, comparando-se com os aposentados do RPPS/Previdência dos Servidores Públicos?

Mas isso não se aplica à reforma tributária no que concerne à ecatômbica diferença entre a riqueza dos 1% dos brasileiros e os 99%?!?! Isso não se aplica a quem recebe de 400 mil a um 1.000.000 (um milhão) de reais por mês ou por ano e todos os demais trabalhadores de classe baixa ou média no país? E a diferença entre quem tem nada e quem tem patrimônio de 50 milhões de reais? E a diferença entre alguns da classe média que ganham 30 mil mensais (topo da carreira pública) e aqueles que ganham 400 mil a um milhão de reais por mês? Entre quem tem 200 mil de patrimônio, 2 milhões de patrimônio, até, digamos 20 milhões de patrimônio e quem tenha 50, 100, 400 milhões de patrimônio ou até bilhões de reais de patrimônio?!? Estes não devem contribuir mais?!?!

Ficam aqui os exemplos do Chile e dos EUA e nossa contribuição ao debate para evitar que nossa reforma tributária vire somente reforma de nome de impostos sem alteração na desigualdade contributiva de nossa sociedade.

Em cálculo feito por nós, a cobrança de metade do que se cobra de ricos no exterior levaria a uma arrecadação de até 2,5 trilhões de reais em dez anos, 2,5 vezes maior do que o resultado que o Ministro da Economia Paulo Guedes queria atingir com a Reforma da Previdência, atingindo quem estoca valores no banco e não quem paga aluguel e supermercado, diga-se.

O déficit público atual, que está superdimensionado como chantagem para a perda de direitos trabalhistas, previdenciários e tributários do cidadão pobre e da classe média no Brasil, imediatamente viraria um tremendo superávit fiscal, somente com essa medida de diminuição da desigualdade contributiva.

Seguimos com essa bandeira: FIM À DESIGUALDADE CONTRIBUTIVA! Cobre-se IPVA ou tributo congênere de jatos e iates! Cobrem-se 20% de Imposto de renda de pejotizados! Baixe-se o IRPF a 20% para os trabalhadores celetistas e servidores públicos civis e militares! Cobrem-se 20% sobre distribuição de lucros e dividendos! Cobre-se CPMF de 0,28% de todas as movimentações bancárias (atinge todos os que não pagam impostos e em especial contas de milionários, bilionários, grandes empresas, pejotizados e autônomos que não pagam imposto de renda a 27,5%)! Regulamente-se o Imposto sobre Grandes Fortunas, parado no Congresso há anos! Aumente-se o imposto sobre heranças (ITDCM – imposto sobre transmissão de bens por doação ou causa mortis) de 4 a 8% para 20% nos casos em que a herança for superior a 20 milhões de reais!!! As contas públicas e os investimentos públicos que enriquecem empresas privadas por todo o país não podem ter como fonte exclusiva o salário e patrimônio da classe média e pobre!

p.s. de 30/01 – texto revisado e acrescido.   

p.s. de 04/03/2020 – texto revisto.

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