Ranking dos Proprietários do Brasil – divulgado no Blog do Noblat

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    Pessoal, quero alertá-los sobre um ranking de 397 empresas com ramificações societárias em outras empresas do país que está sendo alardeado como algo fantástico, no qual não vejo nada de fantástico.

    O acesso ao site, fazendo uma propaganda a contragosto (pois acho que o trabalho dos rapazes pode ser honesto, bem intencionado e árduo, mas não mostra ranking real de proprietários do Brasil coisa nenhuma), é http://www.proprietariosdobrasil.org.br/index.php/pt-br/

    O Blog do Noblat publicaou e você pode ter acesso pelo seguinte endereço: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2013/01/29/os-verdadeiros-proprietarios-do-brasil-por-carlos-tautz-484242.asp

    Com certeza o cruzamento de dados societários deve ter dado o maior trabalhão, partindo do pressuposto de que fizeram tudo direito e de que verificaram grande parte das empresas brasileiras de peso. Ao ver o resultado (ranking dos proprietários do Brasil), eu não li sequer o método. Está presente a Companhia de Esgoto da Paraíba e várias empresas desconhecidas. o número um não aparece, mas o segundo maior “proprietário do Brasil” é apontado como a PREVI. O grupo Jereissati, que todos sabem que é um cacique do PSDB do Ceará, também é mencionado. Mas a Rede Globo de Televisão, por exemplo, nem consta. Não consta porque é sociedade de capital fechado e alguém vai dizer que não tem domínimo sob os acontecimentos no Brasil ou influência?

    Então vejam, a pesquisa dos rapazes é interessante, mas para mim indicou quem mais investe no País e somente entre as empresas de capital aberto que podem ter seus grupos societários facilmente analisados. Foi uma lista de quem joga aberto e é fiscalizado pela CVM. Isso não é ranking de proprietário do Brasil, lamento.

    O livro de Raymundo Faoro, “Os donos do Poder” é muito mais verídico para indicar donos do Brasil. Achei até interessante que os donos do site em questão tenham eleito uma maçã mordida que remete à maçã da capa do livro importantíssimo “A Trilateral”, de edição única no Brasil de 1979, esgotada e nunca repetida. Mas, crendo na boa fé dos seus criadores, nada tem a ver.

    Tentam remeter esse espraiamento societário a poder de influência no BNDES, mas isso também não dá para considerar, pois no BNDES recebe valores quem apresenta projetos. É só fiscalizar o procedimento de seleção de projetos, todos escritos, escolhidos através de condições objetivas, expressas em documentos e analisáveis pelo Ministério Público.

     Vejam, não há fazendeiros de latifúndios mencionados. Não há políticos/coronéis do Nordeste. Não há reprodutores do sinal da Globo por todo o País, não há integrantes da cúpula das universidades brasileiras, não há ponderação sobre capacidade de alterar a perspectiva da realidade, não há análise de empresas de capital fechado, não há análise de empresas com sede em paraísos fiscais, não é mencionada uma pessoa com capacidade de influência no governo, seja positivamente ou negativamente.

    Não é mencionado o grande líder empresarial brasileiro Eike Batista, brasileiro de coração pelo que posso analisar de suas movimentações divulgadas pela mídia. Se Eike não tem influência e não pode ser um dos proprietários do País (sua empresa LLX é mencionada no meio do ranking), sendo o mais rico do país e com influência política e com espírito e capacidade realizadora de seus sonhos, quem mais seria?

    O ranking criado diz muito pouco, infelizmente. Foca e atinge com uma “penumbra de desconfiança genérica” grandes empresas produtivas no Brasil e não trata de temas como relações pessoais, familiares e políticas no Brasil, vínculo entre a classe financeira e grande mídia (que é caso de poder em todos os países civilizados no mundo rico), não toca na Comissão Trilateral, não toca no FMI, nem no Banco Mundial, nem na imprensa estrangeira. Não toca no fato de que empresas de mídia estão entrando na área produtiva, comprando cursos e escolas, vendendo apostilas para o governo, prestando serviços de terceirização de saúde e educação.

    Quero somente dizer a você que, ao meu ver, e compartilho com meus leitores aqui, aquele ranking diz pouquíssima coisa e não mostra quase nada sobre os ” verdadeiros proprietários do Brasil”. Pode dizer sobre quem possui participação em empresas, sobre quem tem dinheiro e, portanto, também tem acesso a salões dos governos de todas as esferas (por óbvio), que precisa e tem condições de usar o BNDES (único financiador de longo prazo para a classe produtiva no Brasil).. agora, donos do Brasil? Elucidar algo escamoteado e que permite analisar movimentos escusos que influenciam a Nação de forma decisiva? Infelizmente agaurdarei outra lista que eles façam.

    A idéia foi curiosa. Útil talvez, mas, na minha opinião, muito longe daquilo a que se propuseram por infinita complexidade do tema e dos intrincados ramos e insterseções de interesses e relacionamentos familiares, políticos, empresariais, financeiros, de mídia, e envolvendo grandes homens de universidades e de todas as indústrias em especial a financeira.

    p.s. de 30/01/2013 – revisto e ampliado.

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