Ranking de Jornalistas X credibilidade de seus artigos

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    Pessoal,

    hoje, 08 de novembro de 2010, acabei de ler na página 22 do Jornal O Globo a coluna do George Vidor intitulada “Só um porém”. É um exemplo de artigo informativo que venho sempre tentado ressaltar e mostrar para todos ser o tipo de artigo magistral que deve ser adotado por todos os jornais e jornalistas a bem da informação adequada do leitor.

    Um bom jornalista é profissional essencial para a informação da sociedade, para a ponderaçãos de fatos, questionamentos de problemas de Estado, da Sociedade, da Economia, do Meio-Ambiente, em fim é essencial para o desenvolvimento de uma sociedade digna e inclusive para o desenvolvimento de nossas relações com o exterior e de política de segurança nacional.

    Pessoas como o George Vidor podem salvar a empresa O Globo de se transformar na Carta Capital de direita, o que é bom para a empresa e muito melhor para nós todos, toda a sociedade e o Brasil.

    Ao ler, portanto, este artigo, me dei conta de que deveria haver um ranking que fizesse justiça a esses profissionais essenciais à nossa sociedade e que deveria levar em consideração a congruência de seus argumentos e imparcialidade de seus julgamentos. Quem informa de maneira mais clara, imparcial e com o objetivo de informar ao invés de induzir, deveria ficar em primeiro lugar.

    Assim, pelo que já li, vou fazer um ranking pessoal de quem considero os melhores/piores jornalistas que acompanho. Serão somente os jornalistas econômicos e políticos.

    Ranking de credibilidade de jornalistas:

    Grupo de Alto Nível de Credibilidade e Informação

    1º lugar – Mauro Santayana (Jornal do Brasil) – Nunca li um artigo que pudesse criticar do Santayana. Seu conhecimento histórico e político é profundo e ele passa os fatos com isenção, argumentando prós e contras. Dá opinião, mas municia o leitor para que conclua por si mesmo.

    2º lugar – Antônio Machado (Jornal do Commercio) – Domínio dos temas econômicos e políticos. Informa com imparcialidade. Pouquíssimas vezes discordei de suas opiniões, mas mesmo assim tinha sido passada a informação de forma a você poder fazer juízo próprio sobre o que foi escrito. A informação é de altíssima qualidade. Jornalista de total credibilidade. Pode ser lido de forma totalmente despreocupada.

    3º lugar – George Vidor (Jornal O Globo) – Nunca li um artigo em que ele não tratasse o caso de forma imparcial. Nunca assiti ao programa de canal fechado “Conta Corrente”, da GloboNews, em que ele não tenha feito perguntas e ponderações perfeitas e demonstrando domínio e imparcialidade. Ele assim como os outros dois acima citados são patrimônios do jornalismo brasileiro sério. Somente está em terceiro porque não escreve com mais freqüência, portanto, se expõe menos e não pude verificar a consistência e perseverança nesta imparcialidade que ele tão bem exerce em seus textos e participações televisivas. Vai acabar salvando o Globo de se tornar jornaleco sensalista inglês.

    4º – Alon Feuerwerker (Jornal do Commercio) – Excelente jornalista. Aborda os temas nevrálgicos do momento na política e economia. Nunca li nenhum artigo seu com incongruência informativa ou de forma tendenciosa. Discordei poucas vezes de suas perspectivas. Dá para se notar que seu objetivo é informar imparcialmente. Mas, ao meu ver, quando informa não traz sempre os prós e contras. Está em quarto porque quando escreve, ao meu ver, já vem com o artigo pronto em um sentido. Não é indutivo, mas parece que poderia primeiro apresentar os dois lados da moeda sobre o que escreve, informando mais, para depois se posicionar. Mas seus artigos são ótimos e você pode ler sem quelquer armadura. É imparcial, informativo e inteligente.

    4º- Flávia Oliveira (O Globo) – Empatada com Alon Feuerwerker está a Flávia. Objetiva, informativa e imparcial. Nunca li nada escrito que não fosse objetivo e informativo. Nunca li um artigo indutivo, por isso está no núcleo de primeira linha. Na verdade fiquei na dúvida em colocá-la em quinto, considerando que Alon normalmente tece considerações mais profundas e se expõe mais, portanto. Mas já li artigos um pouco mais elaborados por ela, que se apresenta, ao meu ver, como uma Ancelmo Gois (muito melhorada, claro) das colunas econômicas e gostei. Por isso o empate.

    Grupo de Nível Médio de Credibilidade e Informação (semi-tendenciosos)

    5º – Miriam Leitão (Jornal O Globo) – Tem domínio sobre o que escreve. É inteligente. Fico triste de constatar, porém, que pelo menos metade das vezes que escreve é tendenciosa e indutiva. Não quer dizer que seja de má-fé. Não constatei que seja tendenciosa por princípio. Acho que ela se convence de determinadas idéias e quando apresenta a informação, apesar de informar bem e te dar munição para acompanhar seu raciocínio, termina por defender tese e dando valor superdimensionado à parte da informação. Muitas vezes pude discordar de seus raciocínios. Admiro muito o fato de pinçar sempre temas essenciais e importantes em dado momento social. Mas erra na forma de passar a informação. Não pode ser lida, hoje e dia, sem atenção mínima.

    6º – Carlos Alberto Sardenberg (Jornal O Globo) – Tem domínio sobre o que escreve ou fala, em especial economia, mas sofre do mal de apresentar alguns fatos sem a devida enfase aos dois lados da moeda. Fala em déficit da Previdência sem informar que a Previdência Pública tem duas contas distintas tratadas como se fosse a mesma(previdência e assistência social) e comparou o custo da previdência brasileira com de outros “países emergentes”, sem mencionar que a China criou recentissimamente um arremedo de previdência social que paga 100 dólares por aposentado idoso, nem fazer considerações maiores sobre as diferentes situações de países que não podem ser comparados diretamente como fez em seu artigo “O Brasil diferente”, pg. 06 de 04/11/2010. Ele se convence de determinada tese e apresenta, informando com fundamentos, mas não dando condições de questionarmos os fundamentos por omissão parcial de informação. Acaba induzindo a erro e não informa mais do que induz. Por eu ter notado que isso não ocorre de forma pré-concebida, mas porque ele acredita no que apresenta, está no Grupo de Nível Médio de Credibilidade e Informação, devendo ser lido com atenção mínima para evitar a indução. Muitas vezes concordei com ele em toda a sua explanação.

    Grupo de Baixo Nivel de Credibilidade e de Informação

    7º – Noblat – Melhorou muito de uns tempos para cá, mas é notório que é parcial. A informação já vem impregnada de vetor crítico no mal sentido. Sua crítica não pondera, ela ataca. Ataca informando parcialmente. Pode atacar o que quiser e quem quiser, mas tem que dar a informação total; jornalista profissional tem que dar ao leitor a ciência dos dois lados da moeda. Atua como advogado de uma informação e isso não é informativo. É totalmente indutivo. Está próximo do grupo de médio nivel, pois pouquíssimas vezes concordei com algo que escreveu de forma objetiva. Tem que ser lido com atenção máxima para não ser induzido.

    8º – Diogo Mainard – Estilo Wagner Montes para ricos e classe média. Não há qualquer ponderação. Está ali para vociferar contra o Governo que seja de esquerda e toda e qualquer medida social e/ou governamental que não seja adotada nos EUA. Essa é a minha impressão. Não há problema nenhum em ser liberal. Não há problema nenhum em ser conservador. Mas jornalista não pode ser indutivo e esse senhor é o Mr. Indutivo. É bom para os leitores e ouvintes televisivos que querem vociferar contra medidas sociais e populares e não podem. Ele tem a função social de possibilitar esse desabafo desses leitores. Promove uma espécie de catarse ao leitor mais radical de direita que precisa ser ouvido ou fazer-se ouvir. Economiza dinheiro que esses leitores radicais gastariam em analistas. Mas para quem busca informação de qualidade, imparcial, objetiva, com a intenção de entender dinâmica social, prós e contras de medidas governamentais, nada encontrará aqui.

    Assim, fecho a ainda pequena lista do primeiro ranking dos melhores e piores jornalistas que leio. São nove que acompanho e de quem posso falar, segundo minha perspectiva subjetiva, lógico. Acho que deveria fazer isso para premiar e incentivar nossos melhores jornalistas a continuarem com seu serviço à Nação Brasileira. De outra sorte, acho que para os que não ficaram melhor ranqueados, é interessante ponderar sobre a perspectiva que um leitor tem sobre o que escrevem. Dá a oportunidade de pensar sobre o que estão fazendo, a bem de todos, já que suas funções para mim são relevantíssimas para a nossa sociedade tanto como informadores quanto formadores de opinião de toda a sociedade.

    Espero que um dia possa colocar todos na primeira linha. Todos no Grupo de Alto Nível de Credibilidade e Informação. E então somente debateremos estilo ou escolha de temas, assim como poderemos debater sobre o direcionamento de determinada opinião, mas sobre fundamentos claros e conhecidos por todos (uma antiga chefe, Maria Tereza Werneck Mello, de altíssimo nível intelectual, moral e profissional uma vez me disse para eu nunca mais esquecer: “Em opiniões Mário, podemos divergir; mas não sobre os fatos”). Se ao debatermos não se informa a totalidade dos fatos, com isenção, nunca poderemos concordar sobre as conclusões ou debatê-las em profundidade.

    Mas quanto mais estrelas nesta constelação de primeiro nível, melhor informada estará nossa sociedade e mais rápido avançaremos para o nível de país desenvolvido, sustentável, com Previdência, Segurança, Saúde e Educação para todos os brasileiros. Mas isso (ascenção no nível de informação prestada) não depende de mim, mas deles mesmos.

    p.s.: Só para deixar claro para todos o que é óbvio: não existe artigo 100% isento. Quem escreve tem suas convicções. Mas quem escreve para o público na qualidade de jornalista, ainda mais colunista econômico ou político, tem o dever de informar mais de uma perspectiva sobre o tema escolhido para que mesmo após a emissão de sua opinião o leitor possa concluir em um sentido ou outro por si mesmo. Para isso, só com informações que sejam antíteses uma da outra. Não sendo informação pura (ex. “Foi investido 100 milhões em trecho de estrada no Piauí”), optando o articulista em emitir opinião, deve mostrar que concluiu a partir de duas teses que se contrapõem. Trazer só uma e defendê-la é indutivo e não informativo.

    p.s. de 27/06/2016 – Precisamos fazer um novo ranking. Desde que fizemos esse, a Miriam Leitão, por exemplo, melhorou muito sua abordagem, mas continua semi-tendenciosa porque defende mesmo um visão que entendemos parcial. No mesmo Nível podemos colocar o Merval Pereira, a nosso ver. Mas não poderíamos deixar de citar, o que sempre foi uma falha nesse ranking, o Elio Gaspari, como Jornalista do primeiro escalão de nível de credibilidade. Nunca pudemos discordar de suas notas e artigos, mesmo que algumas vezes tivéssemos uma perspectiva um pouco diferente em pouquíssimos temas. Exemplo dessa qualidade é este artigo cujo endereço eletrônico deixamos acessível aqui: http://oglobo.globo.com/brasil/a-desobediencia-do-andar-de-cima-19587081
    De qualquer forma, já fica aqui nossa homenagem para esse gigate da comunicação social séria brasileira. Acrescentamos também ao alto nível de comunicação nacional o economista e articulista Delfim Neto. Ele não sabe economia.. ele é “o dono” dela. Rsrs. Não temos nem condições de refutá-lo no que ele escreve. Ele é professor nosso (mesmo que não saiba). Se ele elogia, deve-se ouvir. Se ele reclama, deve-se ouvir igualmente. Para nós, Delfim é gênio. Nunca vimos erros que pudéssemos apontar em seus argumentos. Ele, como Elio Gaspari e todos os da primeira linha de informação do ranking, nos parece ter total foco na boa-fé e verdade informativas quando discorre sobre os temas políticos e econômicos. Fica aqui nossa homenagem.

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