Portugal x Brasil: a prova de que o mercado não é técnico, mas político

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    É muito importante essa informação.. o mercado tem sua política!!! Deixem-me enfatizar isso: O mercado tem sua política! Isso desmistifica que os juros que cobram de países tem fundo totalmente técnico. Isso desmistifica que sejam neutros, o que, portanto, desmistifica que não se esforcem para controlar as opções políticas de um país que toma dinheiro no mercado internacional, o que atenta contra a soberania do pa[ís tomador de tais capitais.

    Mas não é essa a imagem que ele (O Mercado Internacional, onisciente, justo e técnico) e a grande mídia vende para mim e para você. As exigências de mercado são apresentadas como técnicas, como razoáveis, como justas, as quais ajudarão o país que o ouve a desenvolver-se, a obter valores para investimento e fechamento de contas fiscais. E assim, não exigem nada absurdo, mas tudo puramente com fundo técnico. É assim?

    Então, veja, Espanha e Itália saíram da ajuda da Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Européia), e já podem captar dinheiro no mercado internacional a juros mais baixos do que o Brasil. Perderam pib, empregos e hoje quase todos seus indicadores econômicos são piores do que os do Brasil: taxa de desemprego, déficit fiscal, relação dívida/PIB, crescimento do PIB e investimento direto estrangeiro (IED). Não pesquisei balança de pagamentos (mercadorias e serviços).  A inflação é mais baixa do que a do Brasil.. claro, estão em recessão e adotando medidas de austeridade que geram taxas de desemprego de até 24% como na Espanha.

    Mas nada mais claro do que a questão com Portugal. Ficamos felizes que agora também tenha saído da Torka, juntamente com Itália, Espanha e Irlanda.. mas Miriam Leitão, no seu artigo de hoje, 07/05/2014, intitulado “Virada Portuguesa” informa que antes da crise de 2008, em 2007 a relação dívida/pib de Portugal era 68%, quando o Tratado de Maastrich impunha “um teto de  60% para o endividamento dos governos”. Hoje, saindo da Troika, e já podendo captar dinheiro no mercado, sua relação dívida/pib está em 128%. No Brasil, está em 33% líquida e 55% bruta.

    Antes de ter de pedir ajuda à Troika, o mercado chegou a pedir 17,5% de Portugal, quando este tinha déficit fiscal de 10%. Justo. Mas agora, que o déficit fiscal é de 4,8%, enquanto o do Brasil é de 1,6% (desconsiderando que há superávit primário de 1,9%), Portugal paga 4% de juros no mercado. Mas nosso juros básico indica que devemos pagar 11%.

    Tudo bem, o juros básico europeu é de 0,5% ao ano, mas cada país tem seu preço a pagar se captar dinheiro no mercado, dependendo de sua solvabilidade. O Brasil capta no mercado e a medida de juros é o juros básico brasileiro. E é exigido muitíssimo mais do Brasil. Por quê?  É mais arriscado emprestar para o Brasil, que tem reservas internacionais altíssimas, menos da metade da relação dívida/pib de Portugal, um terço do déficit fiscal português, crescimento econômico e baixa taxa de desemprego, ou a Portugal? Por que Portugal capta a 4% ao ano e o Brasil a 11% ao ano?!?

    A resposta, senhores e senhoras, é uma: a questão é política e não técnica. O mercado, fica ssim provado, é político e não técnico.

    p.s. de 08/05/2014 – Mesmo se compararmos a captação do governo direta em mercado (o que é diferente dos juros básicos definidos pelo Banco Central para atrair valores para títulos da dívida brasileira), veremos que o Brasil em 2011 captou 1,1 bilhão de dólares com vencimento em 30 anos, ou seja, no ano de 2041, pagando 4,56% ao ano (acesse: http://www.perspectivacritica.com.br/2011/11/mentira-de-gustavo-franco-risco-do.html). Mas o Brasil de 2011 estava já muito melhor do que Portugal de 2014 e que está captando a 4%!!!!! Com déficit de 4,8%, com desemprego de 15%, com relação dívida /pib de 128%!! Gente.. é importante ver a dimensão política do Mercado..

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