Comentário e crítica ao artigo “Longa Vida ao PT”, de Alexandre Soares Silva

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    Um grande amigo meu, Rafael, acaba de me mandar este texto interessante intitulado “Longa Vida so PT”, escrito por Afonso Soares Silva, consoante sua mensagem a mim enviada.

    É um texto muito bom e irônico, no qual o articulista, após uma garrafa de vinho experimenta uma ternura por seu inimigo, “o governo” e, no momento, “o governo petista”, concluindo que é saudável ter “nojo” e desconfiança do governo.. qualquer governo… e que foi mais difícil ter esse espírito contra o governo do PSDB, mas que se envergonha dos momentos que elogiou o mesmo e reconhece que os cidadãos devem sempre desconfiar do governo e isso é que é saudável.

    Veja a íntegra abaixo:

    “Longa vida ao PT

    Por Alexandre Soares Silva | Alexandre Soares Silva – 10 horas atrás

    Fui olhar pela janela depois do jantar e me veio uma benevolência extraordinária com o mundo todo. Talvez fosse o efeito da boa comida e do vinho, mas senti uma ternura que se estendia a toda a parte do bairro que eu podia ver, à copa das árvores, às estrelas, à vida que transcorria em cada janela iluminada, e aos motoboys berrando esganiçadamente no estacionamento da pizzaria da esquina. Que vontade de  ser justo e misericordioso! Que vontade de abençoar até mesmo os meus inimigos!

    E daí senti uma vontade súbita de agradecer a Deus por estes quinze anos (parecem quinze) de PT.

    Deve ser o vinho. Mas que bom, pensei, ter passado praticamente um quarto de uma vida (pelo menos um sexto, vá, se vivermos até os noventa) tendo um governo que em nenhum momento pode causar, em uma pessoa normal, a tentação de apoiá-lo. Não é essa uma das melhores qualidades de um governo? Faltam filósofos políticos que digam isso, mas digo eu. É preciso ser grato por isso. Pois sejamos gratos!

    Vou resumir toda a minha crença política numa frase só. É indigno defender o próprio governo. Eis tudo. A posição normal de um homem digno é de desconfiança e nojo do próprio governo. Oposição ativa se o governo for ativamente vil; se não, pelo menos nojo e desconfiança. Isso em todas as épocas – mesmo que o governo seja feito por uma coligação entre o Ursinho Puff, Gandalf, o Sr Miyagi e o Mestre Yoda.

    Confesso que às vezes, quinze anos atrás, tinha alguma dificuldade em não defender o presidente Fernando Henrique. Sentia algum nojo e desconfiança dele, verdade, mas sentia um nojo e desconfiança bem maiores em relação à oposição – um erro comum –  e por isso uma ou duas vezes defendi aquele governo. Um tanto debilmente, mas fiz!  Que absoluta vergonha.

    Só posso dar graças a Deus por não ter mais essa tentação. Foram anos muito bons, meus amigos; um sexto das nossas vidas em completo desengajamento espiritual com os homens e mulheres que nos governam. Proponho que para o resto das nossas vidas nos lembremos sempre dessa atitude interior, e que a preservemos até mesmo durante os governos levemente menos repulsivos que talvez, quem sabe, nos aguardem no futuro.”

     
    Agora, observem, concordo que todo cidadão deva desconfiar do governo, fiscalizá-lo e cobrar-lhe. Do contrário você não é cidadão, mas partidário do governo. Entretanto, discordamos do sofrimento do articulista quando disse que se envergonhava de ter defendido o governo anterior. 
    Ser cidadão diligente, fiscalizador e que cobra o governo não é sinônimo de ser inimigo do governo. Pais cobram de filhos e não para seu mal. Filhos cobram de pais (que deixem de fumar por exemplo) e não para o mal desses pais. Não há problema algum em elogiar o que está correto, desde que se reprima o que está errado.
    Então veja, a mídia poderia, sim, ter esta postura mais fustigadora do governo. Essa é sua função. Mas mesmo ela poderia ter um debate honesto, admitindo as melhoras causadas por cada governo. O que não pode é dizer que um só faz bem e outro só faz mal, exclusivamente. Isso não é ser Mídia, isso é ser partidário. 
    E com o cidadão ocorre o mesmo. Não há como dizer que qualquer governo no mundo só faz certo e que outro só faz errado, seja PT, seja PSDB, seja Republicano nos EUA ou Democrata.
    Agora, é importante que você tenha princípios. E é importante que você tenha sua idéia de projeto político. Isso é o que vai te ajudar a se posicionar quanto ao governo. O que você quer? Estado Mínimo? Ok, legítimo. Então vote no PSDB. Mas os países nórdicos, a Alemanha e a França, que têm a melhor qualidade do mundo para seus povos, não têm Estado Mínimo. Eles têm serviço público forte. Estado Mínimo privatiza serviço público. Não é o que os nórdicos, alemães e franceses fizeram.
    Esse Blog quer o padrão de vida nórdico, alemão e francês para o povo brasileiro. Assim, pelo estudo que fizemos, isso só é possível e só tem exemplo no mundo, adotando o sistema de bem-estar social europeu e nórdico, que é caracterizado por maior proporção de servidores públicos por habitante do que praticamos no Brasil, com maiores salários e melhores carreiras, além de liberdade de mercado, com câmbio “livre”, autonomia do banco central, controle inflacionário e responsabilidade fiscal.
    Tanto o governo do PSDB atuou nesse sentido, como o governo do PT, mas o combate à pobreza e à desigualdade social e regional é fator essencial para o fortalecimento de uma democracia, e o governo do PT fez mais nessa área. Quem está nos aproximando de parâmetros nórdicos é o governo que não aposta no Estado Mínimo. Qualquer outro governo ou candidato a governo que aproxime o País do estilo de vida nórdico e europeu terá nosso reconhecimento e nosso apoio.
    Portanto, o Blog deseja LONGA VIDA A TODOS OS QUE APROXIMAREM O PAÍS DA QUALIDADE DE VIDA NÓRDICA, ALEMÃ E FRANCESA.
    Sempre apoiaremos os atos corretos e desafiaremos os atos incorretos, sejam estes atos da Mídia, do Governo, de jornalistas, do PT, do PSDB ou do ursinho Puff, Gandhalf ou Mestre Yoda. 

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