O Poder da Nova Sociedade de Informação Livre

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    “O Brasil está em situação melhor do que a maioria dos países, mas é ilusão supor que estejamos protegidos das nossas próprias intempéries e das crises importadas. Temos de consolidar as políticas fiscal e monetária inteligentes e conservadoras como a que estamos fazendo. Além disso, é preciso insistir no papel ativo do Estado Indutor na criação de um mercado altamente competitivo internamente e cuidadosamente protegido externamente.

    Essas são as tarefas do Poder Executivo, que só poderá realizá-las com o suporte da sociedade.

    Deve procurar ampliá-lo melhorando sua comunicaçõa com os brasileiros e profissionalizando o serviço público.” (trecho do artigo “Decifrar o indecifrável” de Delfim Neto, Jornal do Commercio, pg. A-15, 15/07/2011)

    Importantíssimo o acompanhamento da coluna do Delfim Neto no Jornal do Commercio.

    Ele não tergiversa. Ele, emérito professor de economia da USP, leciona em cada artigo. Temos de estar atentos aos cérebros brasileiros que focam no crescimento do Projeto de Brasil austero, independente e soberano.

    Alguns colunistas pregam o que muitas vezes é fácil de ser percebido em movimentos políticos, principalmente do núcleo central da oposição política atual e até como já dito pelo próprio Fernando Henrique, que sejamos um prolongamento do centro financeiro mundial, que sejamos longa manus de EUA, Europa e Japão, na América do Sul; principalmente dos EUA. Isto é ser secundário. Isto é ser subserviente. Isto não é ser brasileiro, mas almejar a cidadania paralela de países hoje ditos ricos, assim como Costa Rica almeja cidadania americana.

    Delfim Neto, em seu artigo, desta vez, chama a atenção para os reflexos ainda não decifrados do poder da internet na organização social. E ao fim, chama a atenção do governo federal para este fato, incitando-o a tomar medidas para melhorar sua comunicação com a sociedade e conseguir perseguir o profissionalismo do serviço público.

    Isso nós, neste Blog já deciframos: a internet pode viabilizar a organização social livre, sem a intermediação da grande mídia. Nesta nova organização, que não pode ser impedida por ninguém, os cidadãos escolhem livremente as notícias e os noticiadores em que e em quem acreditam.

    Nesta nova sociedade a crítica é livre, efetiva, cotidiana. A peneira ou filtro ideológico executado profissionalmente por décadas pela grande mídia, em favor da classe empresarial de elite organizada, em estreita proximidade com famílias tradicionais brasileiras detentoras de poder político histórico, está sob risco de tornar-se obsoleta.

    Não por outro motivo a oposição encontra-se em um momento de grande esforço no ataque ao crescimento do investimento no serviço público e na idéia de Estado atuante e indutor em sociedade. A diferença social diminui e o povo está vendo, sentindo e gostando disso. O único meio de parar esta alteração social é enredar o Estado em regras orçamentárias que impeça o Estado Indutor de realizar-se em sociedade, antes que seja tarde demais e seja impossível reverter a boa imagem do serviço público que pode advir do incremento de sua quantidade e profissionalismo.

    Se o serviço público for valorizado, se houver máquina pública valorizada e cada vez mais profissional, o controle do mercado será cada vez mais eficiente e menos dominável por quem é fiscalizado pelo Estado. Também haverá um enxugamento do excesso de mão-de-obra brasileira à disposição da área privada e isso gerará aumento de pressão salarial na área privada. A melhoria do serviço público de educação pode gerar concorrência que diminuirá, quiçá, mensalidades escolares. A melhoria do serviço público de saúde poderá diminuir mensalidades de planos de saúde. A profissionalização da Segurança Pública pode diminuir demanda de segurança particular.

    Ao invés de querer prestar todo o serviço possível à sociedade, respeitando a esfera de atuação essencial do Estado a todo cidadão brasileiro, a área privada, muitas vezes, e diante de um cidadão abandonado em organização social e em informação, quer substituir o Estado, mesmo que isso não seja melhor para o cidadão ou para o País.

    Mas agora, a sociedade pode ter acesso a muitas e livres informações. A sociedade também pode organizar-se e resolver o que é melhor para si, para obter mais benefícios das riquezas produzidas no País.

    O governo federal, entretanto, não está conseguindo, ainda, fazer face às informações produzidas pela classe dominante (elite financeira principalmente, mas empresarial como um todo) e defender a principiologia por trás de seus atos de governo: melhoria de serviços públicos e combate à pobreza.

    Não importa. A sociedade está discutindo livremente e questionando todos os atos e informações econômicas, sociais e políticas. Um novo futuro e um novo Brasil se apresenta possível e a grande mídia deverá conseguir fazer essa leitura, mudar seu discurso e alterar seu foco para a perspectiva do cidadão. Não é preciso excluir a perspectiva das empresas, claro. Mas quem mantém toda a roda da economia girando, ao contrário do que dizem, não são as empresas que vendem: é o cidadão que trabalha, obtém renda e compra. O dia em que essa massa tomar consciência de sua força, o Brasil se tornará a Europa.. e muito melhorada. Esse dia está cada vez mais próximo.

    Terminando como terminou Delfim Neto, a profissionalização do serviço público tornará possível a realização de um outro Brasil: profissional em induzir crescimento, profissional em fiscalizar a concorrência e defender a eficiência da área privada. Os países mais ricos do mundo têm os melhores serviços públicos do mundo e a população mais rica. Isto não é coincidência.

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