Marx e a sociedade de massa: a síntese do socialismo e capitalismo viáveis

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    Pessoal, um email de um amigo, Roberto Ponciano, presidente do Sindicato dos Servidores das Justiças Federeais (Sisejufe/RJ) e Diretor da CUT/RJ, ensejou um email meu em resposta que achei que abordou sinteticamente a questão sobre Marx e nossa sociedade atual, na minha perspectiva.

    Em resposta, meu amigo informou que o objetivo dele era só me convidar para um Seminário sobre a Comuna de Paris que comemora 140 anos, e somente isso… rsrsrsrs mas como tive o trabalho e já queria escrever sobre o tema há algum tempo, com a prévia anuência dele, publico o email.

    “Ponciano, falo isso para você porque te estimo e se quiser podemos debater isso algum dia, mas o marxismo se justificava plenamente em uma sociedade de miseráveis, sem leis trabalhistas, sem horário de trabalho… a luta do socialismo e comunismo não foi nem é em vão e por conta dela o capitalismo teve de se reinventar e incluir limites exploratórios de forma a se chegar hoje à sociedade de consumo em massa, em que se inclui pobres nessa cadeia, dando alguma dignidade. O problema é a diferença entre o pobre europeu, que tem assistência social de qualidade e salário mínimo de 1500 euros, e o pobre latino americano ou africano que não tem nada disso e muitos ainda vivem na condição de miseráveis da época de Marx, explorados.

    Mas a solução, ao meu ver, está na continuidade da adaptação do capitalismo e nas conquistas cada vez maiores da sociedade em participar mais do pib nacional, através de política de valorização do salário mínimo, transferência de renda (bolsa família), acesso à educação pública de qualidade e em quantidade para todos, e acesso a hospital público de qualidade. Com a luta pelo crescimento e profissionalização do serviço público gratuito e universal, o cidadão enriquece e cada vez menos o Marxismo claro vai fazendo sentido. Por quê? Porque hoje todos somos proprietários, há direitos e justiça trabalhistas e previdenciários. Há níveis de propriedade, mas todos são proprietários.

    O que falta hoje é a noção de grupo por parte do cidadão. Enquanto os bancos têm representação social e organização político-estratégica, executada pela Febraban, e enquanto as indústrias têm o mesmo com a CNI, Fiesp e Firjan, não esquecendo que os comerciantes têm a CNC, o contribuinte individual não tem organização que o proteja ou interprete fatos políticos e econômicos sobre seu prisma, nem que criem estratégica para atuação social de forma a aumentar sua participação no pib brasileiro. A mídia repete as informações de bancos e indústrias, segundo suas prespectivas de empresa, e o cidadão também não tem canais de mídia que repercutam suas conclusões e nem tem conclusões, pois não tem uma Febraban, CNI, CNC ou Fetransport.

    Portanto, hoje, a revolução social e que tento concretizar através do blog perspectiva crítica, é criar essa consciência de grupo entre contribuintes individuais e suas famílias, ver que nossa perspectiva sobre fatos e economia é diferente do de empresas e conseguir que a CUT, por exemplo, seja não só a voz de trabalhadores, mas de trabalhadores e suas famílias, organizando estratégias, como ela já faz, de defesa de direitos do cidadão e isso passa por desenvolver estratégia de aumentar a participação do cidadão no PIB através de: defesa de direitos trabalhistas, defesa de direitos previdenciários, defesa de programa de valorização do salário mínimo até atingir níveis europeus, defesa da valorização do serviço público como meio de enriquecer todo o cidadão que tenha acesso a tais serviços e não precise, nessa medida, gastar com equivalentes serviços particulares se não quiser e por fim, defender o crescimento do serviço público como meio de garantir retorno pelo imposto pago e como meio de criar concorrênica com a área privada pelo trabalhador brasileiro. Assim, valorizando o serviço público e o servidor público, o cidadão pode ter real retorno em serviço público de qualidade e em quantidade pelo imposto pago, aumento de opção de emprego, e ainda valoriza o próprio trabalhador da área privada, tornando-o mais escasso, diminuindo o excesso de mão-de-obra tão bem cuidado pela área privada e responsável pela diminuição do salário do brasileiro.

    Esses são os atuais desafios políticos e sociais para a nossa sociedade atual.

    Acesse o artigo em que exponho esse tema em http://perspectivakritica.blogspot.com/2011/07/guerra-pelo-pibde-que-lado-voce-esta.html

    Abraços

    Mário César”

    Ainda não pude debater Marx e sua aplicabilidade hoje com um profundo conhecedor. Mas como esta é a hipótese deste meu amigo, em sede de defesa de tese de Mestrado sobre o tema, naturalmente pretendo descolar um tempo para submeter-lhe as idéias acima para melhor discussão… para o azar dele, claro.

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