Imóveis, Empregadas e dólar: mais duas confirmações do BLOG e uma novidade

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    O Jornal do Commercio publicou duas matérias interessantes em 1º de julho de 2013 que confirmam informações já prestadas pelo Blog há meses (empregadas e a PEC) e até há anos (compra de imóveis no exterior).

    Imóveis

    O artigo intitulado “Busca por imóveis no exterior não diminui com alta do dólar”, do jornalista Paulo Guimarães em sua coluna “De Olho no Mercado”, publicado na página B-2 do JC de º1/07/2013, informa que a partir de 2010 a compra de imóveis no exterior por brasileiros se intensificou muito, a partir da constatação da classe média alta de que os imóveis no exterior estavam com preços bem melhores do que no Brasil, tendo a crise internacional criado oportunidades interessantes de investimentos em imóveis no exterior.

    Nós do Blog, assim que diagnosticamos a bolha imobiliária brasileira e soubemos dos preços baixíssimos de imóveis nos EUA imediatamente sugerimos compra de imóveis no exterior, inclusive mostrando para o brasileiro que imóveis também descem seus preços e que os imóveis aqui estando caros sugerem a busca de outros tipos de investimentos.

    Segundo o artigo, as compras de imóveis em Miami que, em 2010, estavam no patamar de US$ 350 mil dólares para uma casa ou apartamento com “pé na praia” agora, em 2013, são negociados por US$2 milhões. Mas mesmo assim, ainda há volume alto de negociações. Saibam que nesta época de 2010 Safra comprou um prédio (acho que o em que o térreo é ocupado pela Bloomingdale’s – um grupo italiano que vendeu amargou prejuízo de 90 milhões de dólares entre a compra dois anos antes e a venda para o Safra),em Nova Iorque e Benjamin Steinbruch comprou um apartamento na 5ª Avenida de Nova Iorque pela metade do preço requerido (pediram 36 milhões e ele pagou 18 milhões).

    E os brasileiros ainda continuam comprando em Miami, Nova Iorque e Paris, no bairro de Saint Germain e nas redondezas da Champs Elysée. Isso senhores é para que você saiba que quem pode comprar imóvel como investimento está massificando estes investimentos em imóveis no exterior simplesmente porque se os preços são melhores, a oportunidade de retorno é maior. E se isso ocorre, é porque os imóveis no Brasil estão caros, confirmando-se nossas análises já há muito apresentadas. Se os imóveis estão caros, naturalmente, não estão há anos no preço justo.

    Empregadas e a PEC

    No mesmo Jornal do Commercio de 1º/07/2013, na página B-10, o artigo intitulado “Cuidadoresde idosos – Empresas de olho na PEC”, do jornalista Wanilson Oliveira, informa que após a PEC das Empregadas e da tensão dos patrões com os custos trabalhistas, incluindo auxílio-creche (ainda para ser regulamentado), a área de prestação de serviços domésticos via empresas experimentou um grande boom que só tende a aumentar e amadurecer o mercado cada vez mais.

    Não precisava ser gênio para prever isso e o BLOG PERSPECTIV CRÍTICA, no primeiro dia em que foi publicada a aprovação da PEC das Empregadas já tinha dito que era a PEC da Extinção do Emprego de Domésticas.

    Agora, uma cuidadora por doze horas custará R$150,00 por dia. As empregadas sem grandes instruções dificilmente serão contratadas por essas empresas para prestar esse tipo de serviço. Sobrará o de limpeza terceirizada, que pode ser ao custo de R$40,00 a diária, mais barato do que as diaristas cobram. O salário das empregadas pode diminuir, mas elas agora terão direitos trabalhistas iguais a qualquer brasileiro. Que ignomínia. Enfim, dito e feito.

    Isso ia acontecer naturalmente, mas a partir do crescimento econômico e da melhora da educação média da população pobre. Agora, retirou-se uma oportunidade de emprego (doméstica sob regras antigas) das pessoas de menor qualificação da sociedade brasileira. Palmas aos congressistas hipócritas. Que venham as empresas terceirizadoras desses serviços para a classe média. Mais uma informação do BLOG confirmada para você meses após nossa posição publicada.

    Dólar

    Interessante a informação (a novidade*) do aumento de compra por brasileiros de imóveis no exterior. Não há informação sobre a quantidade deste tipo de negócio, portanto não dá para avaliar o percentual disso no fluxo de “fuga” de capitais e dólar para o exterior. Mas não deve ser pouco, pois para imóveis em Paris, o tíquete médio está sendo de 850 mil euros.

    É claro que o aumento do dólar no momento está pressionado pela postura do FED segurar um pouco o “laxismo monetário”, não recomprando títulos e com tendência de aumentar seus juros. Mas a debandada de dólar do País em compra de imóveis no exterior tem que dimensão? Isso também é compra no exterior, mas é investimento. Gera aumento de patrimônio de brasileiros e muito provavelmente renda com o aluguel desses imóveis no estrangeiro.

    Taí uma informação que falta a nós para avaliar essa parcela de “saída de dólares” do País que os jornais de grande mídia somente apontam como uma “resposta à errônea condução da política econômica”. Seria interessante acompanhar esse “índice” de investimento.

    Fica aqui este pensamento para que cheguemos mais próximos de uma realidade sobre a debandada de dólares do País, valorização do câmbio no País hoje, e preços de imóveis brasileiros que não estão convidativos como investimento e geram fluxo de investimentos para o exterior.

    * p.s. de 09/07/2013 – A novidade não é o investimento em imóveis no exterior, mas a manutenção de compras e investimentos constantes e em alto número em imóveis no exterior, que evidencia um canal de saída de dólares que pode ser significativo e deveria ser acompanhado e ponderado para o objetivo de entender os números de remessa de dólares. Por exemplo, podemos afirmar que esses valores que vão com este objetivo de investir em imóveis no exterior, aproveitando preços relativos melhores do que no Brasil, não serão atraídos por aumento de juros da taxa Selic, a não ser que o aumento fosse gigantesco, o que seria um enorme prejuízo ao País e contraproducente tanto em termos de gestão de dívida pública, como de incentivo ao investimento e ao crescimento econômico, quanto em termos de gestão de taxa de desemprego e liberdade de flutuação de câmbio.  

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