Análise Econômica interna e externa de julho de 2013 e Reunião do Copom em 10/07/2013

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    Senhores e senhoras, como pouquíssima coisa mudou, a análise deste mês pode ser sucinta e tem mais foco em se posicionar anteriormente à Reunião do Copom desta quarta-feira, 10/07/2013.

    O IPCA vem caindo mensalmente desde janeiro de 2013 quando estava em 0,86%, até chegar aos atuais 0,22% de junho. A safra colhida é recorde histórico de 180 milhões de toneladas e já chega aos supermercados baixando os preços dos alimentos que ano passado foi responsável por ao menos 10% de toda a inflação anual. Isso é para você ver o peso dos alimentos e o peso deflacionário da safra colhida.

    As famílias brasileiras estão endividadas e sem impulso para compras. De tudo compra-se menos. Carros, roupas e até alimentos compra-se semanalmente, aos poucos. Do lado do consumo, então, pouca pressão inflacionária. Já foi dito inclusive que as isenções tributárias para aquisição de carros antecipou compras de carros que seriam feitas durante os anos vindouros. Então arrefecer essa demanda seria natural. Voltar o IPI também; afinal, isenção tributária não tem sentido se não obtém reflexo em estímulo de vendas.

    Inclusive imóveis residenciais estão encalhados tanto por seus preços altos quanto pelo nível já alto de endividamento das famílias. Cyrela e Gafisa não esperam baixar seus estoques esse ano, por exemplo. Isso também não indica pressão inflacionária do lado da demanda.

    Externamente temos China corrigindo crescimento para baixo, já esperado em 6%, do que já foi 11%. Europa ainda mal, altamente endividada (média de relação dívida/pib de 90%, enquanto o brasil é de 35%), com desemprego altíssimo, sem poder consumir muito. E EUA idem. Portanto, do lado da pressão externa sobre commodities e mesmo consumo, não há pressão inflacionária.

    Então pergunto: sem pressão externa ou interna de inflação e com o principal índice inflacionário em queda, com previsão de baixa do crescimento brasileiro, qual o motivo para aumentar juros Selic, como o mercado quer (ele sempre quer, como sabemos)? A única razão apontada é a debandada de dólares e a necessidade de atrai-los.

    Mas senhores, nossas reservas são altas. A terceira maior do mundo, atrás somente de China e Japão. Além disso, não é possível reverter tendência mundial de retorno de divisas para títulos americanos. O que se pode fazer é adaptar seus instrumentos econômicos e financeiros a essa realidade e atrair dólares através de licitações, concessões de portos, criação de oportunidades de investimentos que transformem o retorno financeiro de títulos americanos em besteira perto das oportunidades de negócios.

    Juros têm a função de atrair dólares, mas não existem para esta finalidade exclusiva. O mercado exige aumento de juros sob este argumento de voltar a atrair dólares mas não é esse o interesse. Os interesses que por um acaso se encaixam nesse momento são: aumento de lucros dos bancos com investimento em títulos do governo (finalidade econômica) e, para quem crê que finalidades políticas podem estar por trás, temos um prato cheio.

    Do lado político, continuidade de aumento de juros Selic agora , por um acaso, leva a menos crescimento econômico (que já está baixo, mas ainda previsto para 2,5% no fim do ano), que leva a aumento de desemprego e piora dos números da dívida pública. Por um acaso, tudo isso seria excelente para a oposição que apóia seguir-se o Consenso de Washington, em que toda a economia é conduzida através de perseguição de ambiente negocial e econômico máximo (liberdade de mercado e abertura mundial de mercados, baixa inflação e juros altos, em suma, de forma automática e não modulável segundo interesses do mercado de trabalho ou soberania), independente de fatores como estímulo ao crescimento, administração de inflação, geração de emprego, diminuição de desigualdade social e regional.

    Então, senhores, não há a mínima razão para que o BACEN aumente juros Selic, como alguns analistas sugerem em até 9,5% no fim desse ano (sugestão criminosa), sequer em 0,25%, sequer em 0,01%, simplesmente porque não há pressão inflacionária interna ou externa e porque juros não servem para anular, sozinho ou acompanhado, movimentos internacionais de flutuação de capitais.

    A razão de influência sobre o valor do dólar é fraquíssima, pois dólar saindo só se responde com mais oportunidade de negócio para aumentar o IED (investimento direto estrangeiro) que no Brasil foi o terceiro maior do mundo em 2012, somente atrás da China e EUA e parece que este ano será igual (65 bilhões de dólares).

    Estou curiosíssimo para ver se o Bacen e o Copom estão totalmente sem rumo e sem personalidade. Se aumentar o juros, o Bacen foi rendido pelo mercado financeiro e estará nos levando a crescimento nulo, inflação cada vez mais ao centro de 4,5% neste ano (isso seria bom, mas em prazo curto gera baixo crescimento, desestimula investimento e cria desemprego), desemprego e aumento de dívida pública.   

    A confirmar.

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