Crítica ao Editorial “Saldo Positivo em início de governo”, Jornal O Globo de 10/04/2011

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    Pessoal, o editorial em questão comenta que o governo Dilma começou bem e focou este elogio no fato de este governo não alimentar anti-americanismo e estar menos transigente com a defesa de direitos humanos. E segue, comparando positivamente em relação ao governo Lula, recriminando o antigo presidente por ter tido tratamento próximo com Mugabe, Kadafi e Castro e mesmo Ahmadinejad.

    Vejam, é claro que esses quatro mencionados acima não vão ganhar o troféu mundial de respeito aos direitos humanos e são líderes transgressores desses direitos em alto grau. Agora, da maneira que coloca essa aproximação brasileira, através de Lula, e estou aqui para fazer somente este contraponto, não ponderou que a visita de Lula a Kadafi foi precedida ou imediatamente sucedida da visita do Premier britânico, que, aliás, apertou-lhe a mão, mesmo sendo Kadafi acusado de ter apoiado um ato terrorista por um líbio que matou escoceses em um avião em 1986, se não me engano.

    Também não foi apontado que os EUA, “salvador mundial e defensor de direitos humanos”, sempre apoiou as ditatudras no Oriente Médio para garantir seu fornecimento de petróleo, mesmo que isso tenha significado a morte e a supressão de direitos humanos de milhares de civis em todos esses países.

    Então, se o baluarte e modelo da conduta mundial, segundo O Globo, os EUA, e seus primos-siameses, os ingleses, podem ser práticos em sua política internacional, porque nós não podemos agir conforme nossos interesses, enquanto a comunidade mundial não resolve ou os próprios países, em sua atual condição histórica, não resolvem sua situação de má liderança política?

    Nós temos de defender os direitos humanos, concordo. Mas não nos relacionarmos com os líderes de nações estrangeiras porque são isso ou aquilo, enquanto outras nações fazem o mesmo, é deixar de cultivar relacionamento internacional com os respectivos povos, os quais viverão muito além de seus líderes. Se só conversarmos com os países com os quais os EUA e Europeus já conversaram e mantêm ótimos laços, chegaremos sempre atrasados para a defesa dos interesses brasileiros, não é mesmo?

    O governo federal não pode doar dinheiro, financiar estados terroristas, financiar ditaduras (mas os EUA fazem isso), agora, manter relações internacionais e promover o interesse do Brasil? Isso pode.

    p.s.: Como já acessaram esse artigo, terei de escrever a parte faltante em forma de p.s. Aqui vai.

    Quanto ao anti-americanismo, senhores, sem querer alimentar este sentimento, mas a culpa em grande parte é dos EUA, por sua conduta histórica. Quem financiou ou apoiou ditaduras na América Latina, ajudando a derrubar governos socialistas como na República Dominicana e no Chile? Lógico que havia um contexto histórico e a guerra fria, mas isto não interessa para as famílias daqueles que sofreram as ditaduras apoiadas pelos EUA.

    Quem apoia as ditaduras no Oriente Médio? Quem invadiu o Iraque sem apoio da ONU e mesmo com resolução contra a invasão? Quem fez o mesmo no Afeganistão? Eu sei que foi resposta ao 11/09, mas a questão é que os EUA não se preocuparam sobre se a ONU apoiaria ou autorizaria. Isso gerou danos e mortes de civis e gera insegurança mundial para alguns.

    Qual é o único país ocidental, o maior poluidor mundial, que não assinou o protocolo de Kioto, pelo bem do meio ambiente mundial? EUA. Mas exigem bem a proteção das nossas florestas, né? Vejam, todos os países que assinaram o protocolo exigem mais investimentos de suas indústrias em adoção de procedimentos ecológicos de produção, mas topam o sacrifício em função de um bem mundial maior. Quem não assinou? EUA.

    Qual é o País cujo Presidente (George Bush) falou sobre “cruzada” contra o Eixo do Mal? O termo cruzada lembra aos árabes, que já têm seus problemas com os EUA, sobre momento histórico bárbaro de ataque aos seus antepassados e sua religião predominantemente muçulmana. Este tipo de imbecilidade não contribuiu para uma boa imagem do ataque ao Iraque, país muçulmano no meio de vários países árabes muçulmanos.

    Qual País não deixou o Brasil vender aviões militares de patrulha para a Venezuela, só porque fornecia meia dúzia de componentes desses aviões? EUA. E qual país já foi condenado entre duas e três vezes em painel internacional em que nossa diplomacia defendia nosso algodão e nosso suco de laranja, faltando agora um painel a ser feito contra o nosso etanol? Os EUA. E quem prega direitos humanos mas torturou no Iraque, Afeganistão e tortura em Guantánamo? Vejam só.. EUA.

    Então vejam, meus amiguinhos semi-americanos ou cidadãos americanos da Globo, o anti-americanismo não existe sozinho. Quando os EUA agirem respeitando os demais países, respeitando o que pregam, respeitando o livre-comércio, respeitando a soberania dos povos, respeitando a auto-determinação dos povos e respeitando tratados internacionais, decisões de organismos multilaterais internacionais, e não atacando outro País sem autorização da ONU, creio que o anti-americanismo diminuirá. Enquanto isso, acho que eles têm alguma culpa no cartório, não?

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