Crítica ao artigo “Um aquário na capital da seca”, de José Casado

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    Um grande amigo, Rafael, mandou a mim email declarando-se, compreensivelmente, ultrajado com o artigo que informava que o Ceará construirá uma piscina de peixes com milhões de litros d’água, sendo certo que milhões de Nordestinos sofrem há séculos com a seca e não há previsão do término da obra de transposição do Rio São Francisco, projeto já idealizado por Dom Pedro II. O atraso da obra também seria motivo para aumento de seu custo, segundo empreiteiros citados no artigo.

    Selecionei o seguinte trecho do artigo escrito pelo jornalista José Casado, segundo emial que recebi, e publicado no Jornal O Globo em 11/02/2014:



    “Um aquário na capital da seca
    • Já se passaram 136 anos desde que Pedro II mandou construir dutos para aliviar a seca no sertão. O custo duplicou e a obra patina, mas vem aí um milionário desfile de peixes

    José Casado
    O Globo, 11/02/14 – 0h00
    A aldeia tem 20 casas de barro e taquara, à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos. Nesse lugarejo de almas solitárias, o calor é tão intenso que os pássaros varam as telas das janelas para morrer à sombra, desplumados, nos quartos. À noite, moradores espalham bacias de água, para saciar a sede dos mortos em vagueação.
    Assim é a Macondo do escritor Gabriel García Márquez em “Cem anos de solidão”, inspirada em Aracataca, onde ele nasceu, no extremo norte da Colômbia. Cercado por rios e flagelado por secas prolongadas, o povoado completou 128 anos sem rede de água para consumo humano. Por seis vezes iniciou-se ali a construção de um aqueduto. Nunca chegou ao fim, mas o governo colombiano acaba de anunciar um novo plano para terminá-lo.
    Talvez os 30 mil moradores da Macondo real vejam seu mítico canal concluído muito antes de 12 milhões nordestinos brasileiros receberem águas transpostas do Rio São Francisco.
    Já se passaram 136 anos desde a ordem do imperador Pedro II para se construir a rede de dutos que atenuaria os efeitos da seca no sertão.
    Só o surrealismo da política nacional explica: a ideia dormitou nos últimos 12 anos do Império e atravessou a República. Foi retomada na administração Getulio Vargas; virou projeto décadas depois, no período João Figueiredo; foi decretada por Itamar Franco, nos 90, assinada por Fernando Henrique e contratada por Lula, na virada do século. Agora, patina com Dilma Rousseff.
    O custo duplicou em relação à licitação feita por Lula, chegou a R$ 8,5 bilhões em dezembro. E ainda vai aumentar, prevêem os empreiteiros.
    A inauguração estava prevista para 2012. Mantido o atual cronograma, a rede de 620 quilômetros de canais e bombas talvez fique pronta em 2025 — quase século e meio depois da ordem imperial. Não há garantia de prazo. “


    Veja a íntegra em http://oglobo.globo.com/opiniao/um-aquario-na-capital-da-seca-11564850#ixzz2t2798yw7

    Em seguida a resposta que lhe enviei que é a crítica ao artigo acima:


    “FHC assinou o projeto da transposição do rio São Francisco? Ok. Consideremos que sim. Assinou e apresentou a criação do imposto sobre grandes fortunas. E assinou a criação da controladoria geral da República. Mas não fez nenhum dos três em oito anos de governo.
    Já lula tirou a cgu do papel e concretizou a obra de transposição que ninguém fez. Quem tem mais mérito? Vai demorar até 2025? E se não tivesse sido iniciada, como o FHC não iniciou, terminaria quando? Talvez se FHC tivesse iniciado a obra, ela terminasse no fim desse ano…
    Desqualificar os programas de poços artesianos e sisternas para aproveitamento da chuva no sertão, algo com resultado imediato para a vida de milhões de nordestinos sertanejos, chamando de “mais um curral eleitoral”, sinceramente… beira o fanatismo. . Mas fazer o quê?
    O engraçado é que essas críticas sobre atos em execução do governo vêm de pessoas que nada fizeram a não ser apontar que o problema existe e sempre existiu… e nem apontam soluções melhores.. Só rotulam de atrasos e currais… que valor, pergunto, têm tais palavras diante da ação efetiva do governo?
    Sobre a piscina de peixes, é pra turismo? Porque uma piscina dessas não mata a sede do sertão.”


    Em seguida acrescentei:

    “Saiba ainda Rafa, que o Exército, como foi publicado no Jornal Valor Econômico, fez parece que metade das obras e devolveu ao governo 150 milhões de reais. A outra metade seria das empresas privadas, que abandonaram… agora parece que o Exército está fazendo o resto. Então o atraso é culpa das empreiteiras. Adiciona isso no seu email.. rsrsrsrs

    Para você acessar: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2012/02/exercito-anda-mais-rapido-que-empreiteiras-na-obra-da-transposicao.html

    E o respectivo artigo do Blog: http://www.perspectivacritica.com.br/2013/03/area-privada-prejudica-projetos-e.html

    Mas não sei se seus amigos estariam interessados na verdade. Se um dia você resolver dar as mãos com ela, saiba que andará em um mundo mais árido…

    Cito John Hospers, filósofo americano, citado por Gilberto Moog, filósofo brasileiro, em seu livro “Desutopias”: “As pessoas não estão tão interessadas na verdade quanto estão em razões que justifiquem seus preconceitos preferidos”.

    Um abraço do seu amigo,

    Mário César Pacheco”

     
     
    Então, gente, é complicado. Não é defender o governo.. é ver as coisas. Não dá pra resolver problemas dando eco a mentiras e falácias publicadas pela grande mídia. O papel aceita tudo. Somente a comparação de várias notícias por uma boa quantidade de tempo permite chegar-se mais próximo da verdade.
     
    O grande problema da oposição e da mídia, mas mais da oposição, é que não apresenta projetos alternativos, porque queria fazer tudo o que o governo está fazendo, e quando teve sua chance nada fez. É duro. Agora dizer que 300 mil poços artesianos e outras 300 mil sisternas (que aproveitam a água das chuvas) para as famílias no Nordeste  Sertanejo são currais? Então o que quer dizer isso? Que, se a oposição entrar, deve acabar com esse programa e obrigar as mulheres pobres do sertão nordestino a voltar a andar quilômetros para obter água para si, sua família, e sua produção de subsistência?!?!?!
     
    Aí, como diria FHC, “não pode, aí não dá”… é muita insanidade. Não sei o que vocês acham… rsrsrsrs  


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