Crítica ao artigo “juros baixos vão dobrar gasto com aposentadoria”, do Globo. A técnica da elite financeira de contar perdas à sociedade e omitir ganhos sociais com juros baixos.

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    Pessoal, devo sublinhar para vocês e imediatamente combater, os constantes artigos publicados sobre problemas em vivermos no Brasil com juros baixos que a mídia insiste em publicar.

    Hoje, domingo, 27/05/2012, foi publicado um artigo neste sentido: exortando um efeito “negativo” de termos de conviver com juros baixos que seria o aumento do custo da previdência (artigo intitulado “Juros baixos vão dobrar gasto com a previdÊncia” – capa do Jornal e pgs. 36/37). E não só isso. Recentemente a Revista Veja Rio publicou em sua capa o prejuízo de 280 bilhões de reais que os feriados do Rio de Janeiro impõe à atividade econômica. Vejamos os dois casos.

    O artigo sobre aumento de custo da previdência em si não tinha conteúdo imediato ruim. A notícia é verdadeira, o tema é importante e alertava-se para a necessidade de o brasileiro se antecipar à diminuição dos juros que exigirá que ele invista mais dinheiro, no mesmo prazo que tenha contratado antes da baixa do juros, para poder manter seu objetivo de contribuição/benefício, seja na área privada, seja na pública. Então, qual o problema do artigo?

    Para mim o problema é a informação subliminar que essas esparsas publicações sobre efeitos negativos dos juros baixos passam a você e que podem manter aceso um interesse ou uma preocupação com a diminuição do juros e, talvez, criar uma dúvida sobre as vantagens de baixar juros em nossa economia.

    Sendo assim, nós, como sempre fazemos, temos o dever de mostrar para você que essas séries de publicações não estão focando todo o gigantesco lado positivo da baixa de juros na nossa economia e, portanto, como só focam o lado negativo, para mim fica claro uma série de atos desinformativos que, por um acaso, estão de acordo com a enorme resistência que a elite financeira e sua grande mídia fizeram contra a queda dos juros aos atuais patamares.

    No momento, a elite financeira está perdendo para o governo, para a elite industrial, e para as pessoas físicas, pois baixa de juros diminui seus lucros e melhora a participação no PIB de empresas industriais e pessoas físicas, mas eles resistem através dessas publicações homeopáticas parciais e que te “alertam para efeitos negativos dos juros baixos” para que na primiera oportunidade possam requerer aumento de juros “a bem da economia e da população”, claro… este é o trabalho da criação de consenso a favor dos interesses da elite financeira.

    Como se dá isso? Como se dá essa movimentação desinformativa? Vejam, vocês já notaram muitas publicações sobre os efeitos positivos da baixa de juros? Claro que não. Mas não há lado positivo da baixa dos juros? Enormes efeitos positivos! Inclusive para você, pessoa física? Principalmente!! Mas como ninguém diz isso e que vantagens há numa economia com juros baixos? E como os jornais te induzem a erro nessa matéria?

    Simples. Com menos juros básicos (Selic mais baixa) todos os investimentos em renda fixa baixam remuneração, então, é verdade que o retorno dos fundos de previdência privada ou pública, por exemplo, que são obrigados a investir grande parte de seu capital em fundos e títulos de renda fixa (pré-fixada ou pós-fixada) privados ou públicos, baixará. Se o retorno desses investimentos dos fundos de previdência baixarão, ou se aumenta o prazo de investimento do cliente/investidor ou se aumenta o valor poupado mensalmente para se garantir o mesmo valor de benefício contratado no final do período de contribuição e início do período de recebimento do benefício. Isso não tem jeito.

    Também é prejudicada a remuneração da poupança, que será menor, ainda mais com as recentes alterações que permitem a flutuação da remuneraçao da poupança, de acordo com a evolução da economia e oscilação de juros selic. E então? Mais um prejuízo? Sim. Mas e as vantagens?

    O que os jornais não dizem é que por causa da baixa dos juros selic, e agora dos juros bancários, você terá, por exemplo financiamento da casa própria mais barato. Por quê? Porque grande parte deste financiamento é via poupança e os juros que remuneram a poupança é custo do financiamento imobiliário que você paga por até trinta anos!! Então, a queda do juros e a queda da remuneração da poupança fará você economizar um dinheiro razoável com financiamento de imóvel, por exemplo.

    E quanto é esse valor que se reverte em prol da sua qualidade de vida? Não sei, ninguém publica, mas a baixa dos juros bancários tem gerado uma economia de até 40% em juros na compra de carros, às vezes até mais!! Assim, se o valor pago por uma casa ao final das prestações durante trinta anos é de 2,5 a 3 vezes o valor à vista do imóvel, se você comprou um imóvel de R$500.000,00 e vai pagar no fim de trinta anos R$1.500.000,00, você pagou R$1.000.000,00 de juros. Se a economia com juros baixos chegar a 40%, senhores, você terá economizado em trinta anos R$400.000,00!! Isso não paga a diferença do prejuízo com a previdência privada que ficou mais cara?!

    Naturalmente o corte dos juros que financia casa própria não deverá ter o mesmo nível do corte/queda que está ocorrendo hoje com juros para aquisição de carro, mas pergunto: por que não fazem uma conta desta natureza para te informar? Porque não interessa, meu amigo. Não interessa a bancos essa visão linda dos benefícios da baixa de juros da economia e como isso te enriquece, pois assim você não vai ficar com medo da inflação e também não iria ajudar aos bancos, que falam através de sua grande mídia, a pedir juros altos ou diminuição da velocidade de queda de juros na economia.

    É a guerra pelo PIB de que já te falei e sobre a qual já escrevemos no Blog, inclusive sob esse título.

    Veja um outro exemplo. Queda de juros básicos diminui a dívida do governo e juros a serem pagos a título de juros da dívida. Isso nao é bom? Para mim, para você, para o governo e para indústria sim, mas para banco não, né amigo? Então, principalmente sob governo de esquerda, é importante que a classe financeira, defendendo seu interesse exclusivo, possa te municiar com muita informação negativa sobre juros baixos na economia. Mesmo que a diminuição de dívida pública possa liberar orçamento público par investir por exemplo em mais saúde e educação para a população.

    Veja mais. E esta história que sempre estão falando sobre férias excessivas na economia brasileira? E o prejuízo para a atividade econômica?

    Gente, o Japão é um dos países com menos férias trabalhistas no mundo civilizado capitalista. Mas a dívida pública do Japão é a maior do mundo!! 220% do PIB!! Então, cadê a riqueza excepcional e somente o lado positivo de acabar com férias do trabalhador?

    E mais: a Espanha tem no turismo sua principal indústria e na França o turismo é setor importantissimo da economia. Como isso giraria sem férias? Então férias gira capital? Sim. Férias cria dinheiro e negócios? Sim. Férias gera emprego e renda? Sim. Mas então que prejuízo é esse que existe com excesso de férias? É da atividade econômica que não vive de férias, senhores. Férias é custo para empresa e então deve ser combatido.

    Então essas publicações sobre prejuízos com juros baixos para o cidadão e prejuízo na atividade econômica são parciais, são de determinado grupo de interesse que publica em jornal. E se é meia-verdade, então é mentira. Concordam?

    É uma mentira para você, pois não informa que se juros baixo e férias têm alguns efeitos negativos, também têm efeitos positivos. E para se chegar à verdade sobre se é bom ou ruim para o cidadão e para a economia, dever-se-ia ao menos elencar os efeitos positivos e negativos e pesá-los numa balança.

    Eu, com meus limites, e como mostrei em parte para vocês aqui, vejo que juros baixos na economia (selic e bancário) e férias, são dois fatos econômicos e sociais com amplo benefícios econômicos e sociais que compensam em muito seus poucos, mas muito bem publicados, efeitos negativos em sociedade.

    Até a próxima.

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