Crítica a Arnaldo Jabor sobre medidas açodadas do Governo: médicos e processo de solução

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    Há uns dois dias, no Jornal Nacional ou Jornal do Globo, Arnaldo Jabor fez crítica às medidas açodadas tomadas pelo governo federal para responder às ruas e chamou a atenção para besteiras que eram feitas como a sugestão da Assembléia Constituinte sobre Reforma Política e sobre a questão de dos médicos estrangeiros.

    Sim, ele começou bem. Mas então veio com essas duas pérolas: “Não tem que resolver o problema (que a sociedade apresenta como nas demandas das ruas). Tudo é um processo.” E a outra: “serviço público obrigatório de médicos não! A não ser para quem cursou universidade pública que tem que pagar o investimento do Estado.”

    Bom senhores… é duro. As duas afirmações estão mais do que erradas, né Arnaldinho?

    Na área de logística, na área de portos, na seara da inflação, na área econômica, tudo tem que ser resolvido para ontem. É necessário, sim… e por que que na área social não é urgente e necessário também?

    Então veja, as demandas do povo, que no momento são três, saúde, educação e transporte público, têm que ser resolvidas imediatamente sim!!!! O procedimento adotada para esta solução pode até precisar de tempo para atingir sua eficácia plena, mas tem que ser vislumbrado AGORA o que será feito para SOLUCIONAR DEFINITIVAMENTE a questão da educação, saúde e transportes!!

    Chega de processos. Chega de leis. São precisos atos. É preciso ação para concretizar o direito à saúde e educação e melhorar imediatamente a qualidade de vida da população brasileira que fica sendo condenada indefinidamente a ver investimentos na área econômica e esperar que isso gere aumento de mercado, que gere profissionais, que gere crescimento econômico, que gere arrecadação, que gere serviço que chegue, algum dia quem sabe, a beneficiar o cidadão. CHEGA DESSA PALHAÇADA!!

    Eu sei, você Arnaldo sabe, e o povo está descobrindo que o que falta é vontade política e determinação em solucionar as demandas acerca de saúde, educação e transportes. É só a mídia cobrar, e só o povo cobrar e é só o político realizar.

    Tudo pode estar resolvido em dez anos. isso são meros dois governos e meio. Isso é possível, mas não será realizado se a mídia disser que “é um processo”. Então Arnaldo errou.

    Agora, no caso do que falou sobre universitários públicos é de chorar. Daí você vê que esse pessoal não sabe mesmo do que está falando. Fiquei surpreso com a postura fácil e simples do Arnaldo: “se for universitário público então pode ter seu direito de liberdade no exercício profissional e no direito de ir e vir limitado”. Quer dizer, não é o princípio da liberdade, é o dinheiro. O universitário privado (ele não falou do que se formou na universidade privada mas financiado pelo governo, por exemplo) pagou pela sua liberdade? Que ignorância.

    Isso além de ser ridículo, além de ser raciocínio rasteiro, não considera a razão de ser de uma universidade, pública ou privada. Veja, a universidade privada que cobra mensalidade é uma empresa como uma siderúrgica? Ela está ali com a finalidade institucional de ganhar dinheiro? Ela é uma loja de souvenirs? Não. A universidade pública ou privada é uma jóia da educação nacional. Ela é uma academia em que nossos jovens têm a oportunidade de se desenvolverem como seres humanos e adquirirem uma expertise profissional que poderá ser usada para beneficiar a vida de todo cidadão brasileiro que entre em contato pessoal ou profissional com este cidadão formado.

    Por mais que a imbecilidade e tacanheza do mercado queira distorcer a finalidade institucional das escolas e das universidades, elas não existem para ganhar dinheiro. Existem para formar pessoas. A contribuição que as universidades dão ao País é educar e não lucrar. É fornecer pessoas de nível técnico e humano às empresas, aos cidadãos e à sociedade e não encher o mercado de peças de trabalho, fazedoras de dinheiro para si e para as empresas. Ganhar dinheiro é necessário para que a operação de educar seja sustentável e crie opções e oportunidades de educação às pessoas.

    Então, visto isso, qual a diferença entre o universitário de uma universidade pública e a da privada? Nenhuma. Eles são produto da educação superior que o governo tem a obrigação de garantir que exista em qualidade e quantidade para que as pessoas se formem e alcancem, as que quiserem, o mais alto nível de educação em sociedade, como apregoado no artigo 208 da Constituição Federal. É somente isso e é tudo isso.

    Se para que haja acesso a todos é necessário que haja universidades públicas e privadas, que assim seja, mas não se pode tratá-los diferentemente somente porque em uma universidade o aluno paga e na outra ele não paga. A prestação de serviço de educação superior gratuita e de qualidade é obrigação do Estado brasileiro, com sede constitucional, assim como prestação de serviço de saúde. Quem paga plano de saúde merece melhor atendimento do que quem não paga e é atendido na saúde pública? Talvez Arnaldo ache que sim.

    Então veja, ou se admite extensão de formação educacional pra todos os médicos recém-formados, por princípio educativo, ou não se admite a prestação de serviço civil público obrigatório a todos os médicos recém-formados. O problema é se se encaram esses dois anos de prestação de serviço médico na saúde pública como “extensão de formação educacional e acadêmica” ou se se encara esse período como “serviço público civil obrigatório”. O primeiro pode. O segundo não pode.

    Isso é um debate de nível… e não dizer que se o médico se formou na universidade pública deve sofrer limitações em seu direito porque não pagou universidade!! É o cúmulo da ignorância e da imbecilidade. Tem que rir para não chorar. E os impostos pagos por esse cidadão que foi para universidade pública? Será que é o mesmo imposto pago pelo que foi para a particular? E se fosse?!?!?!?! Não dá, né gente? Conseguem ver o nível rasteiro desse tipo de alegação?

    Aguardamos o próximo comentário de Arnaldo Jabor comentando que não é necessário melhorar o sistema público de saúde, porque afinal, se o cidadão que usa o sistema público de saúde não paga, o que ele espera desse sistema? Por que ele acha que tem o mesmo direito de serviço adequado de saúde do que o cidadão que é atendido e hospital privado, pagando devidamente seu plano de saúde?!?!

    Pô… assim, nesse nível rasteiro de discussão de dinheirinho e não sobre princípios e direitos fica difícil.

    p.s. de 03/10/2013: texto revisto.

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