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Como você será enganado esse ano sobre a evolução das contas públicas? Será assim..

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O que nós do Perspectiva Crítica sempre falamos? Mentem, mentem e mentem.. e depois, ao longo do ano vão acertando as previsões econômicas e orçamentárias e no fim do ano as previsões fictícias do início do ano se alinham à realidade.

Quem lê jornal todo dia achava o quê?! Que estávamos no fim dos mundos e que sequer havia grandes perspectivas de melhoras até o fim do ano de 2017. E o que vimos dizendo desde o início de 2016? Veja as análises econômicas anteriores do Perspectiva Crítica. Que o final do ano de 2016 seria melhor do que o final do ano de 2015. E foi. Que no final do ano de 2016 se iniciaria a retomada de crescimento, sendo verificável a melhora econômica durante o ano de 2017. E que o que acontece? Desde o início do ano houve o primeiro saldo positivo do CAGED, ou seja, criaram-se mais empregos do que foram destruídos, a inflação está com previsões cada vez menores para o fim do ano (abaixo do centro da meta de 4,5%), o Banco Central desce rapidamente os juros básicos e a economia dá sinal de que crescerá esse ano, entre 0,5% e 1,5%.

Perguntamos: onde está o caos econômico? O caos econômico no Brasil durou então dois anos? Nos EUA e Europa a crise financeira durou entre 7 e oito anos. Por que o governo não lançou rodadas de concessões de aeroportos, hidrovias, ferrovias e de blocos de petróleo antes? Por que não baixou antes os juros básicos já que a inflação já caía durante o segundo semestre de 2016?

Respondemos: tudo foi atrasado para dar mais argumento e fôlego sobre a teoria do caos econômico, para pintar a pior visão da situação possível, para que essas reformas trabalhistas e previdenciárias pudessem progredir garantindo-se a um só tempo (1) a diminuição do Estado, (2) a solução da garantia do pagamento de dívidas públicas e (3) taxas de juros nababescas. Para isso foram somente ao bolso do cidadão e não de empresas e super ricos, além de tentarem aumentar a lucratividade de empresas, em momento de crise econômica, quando a atividade econômica caiu. Como aumentar essa lucratividade? Tirando custo de produção que se apresenta na forma de tributos e contribuições e recai sobre a mão-de-obra: cortarão o Cofins/PIS e retiram direitos previdenciários e trabalhistas.

Deu-se a ideia para a sociedade de que a crise era contínua, sem fim e que sem reformas toda a economia estaria condenada. Entretanto, a verdade é que é muito fácil baixar inflação com receita à base de recessão econômica. Tirando empregos e crescimento econômico com juros nababescos de 14,25% nominal e juros reais de até 9% ao ano, inexistentes em qualquer país do mundo, mesmo que em guerra, é claro que a economia cai e a inflação também. Crianças de sete anos conseguiriam implantar esse controle. Gostaria de ver controle inflacionário com pouco reflexo no crescimento econômico e em perdas de emprego. Mas não foi a escolha do governo.

E quando a escolha foi levar o país a uma das maiores recessões da história, considerando-se somente dois anos, claro (rsrsrs – porque não dá para comparar com a década perdida, com onze anos de duração.. já cuidamos disso aqui), a raiva e a frustração da população tinha que ser direcionada a alguém e a algumas coisas… e quem mais fácil de bater do que em trabalhadores, aposentados, pensionista e servidores públicos, em especial as pessoas físicas integrantes da classe média no país (considerando aqui classe média o integrantes do intervalo de renda familiar entre cinco mil reais e 30 mil reais mensais)?

Após a escolha da opção por levar o país à recessão, esse era o grupo que deveria pagar: pessoas físicas. Questionou-se que a inflação poderia ser controlada com menores juros básicos, economizando até 200 bilhões de reais por ano? Não. Questionou-se que a CPMF traria 40 bilhões de reais aos cofres, taxando pessoas físicas ricas e pobres e empresas pequenas e grandes em todo o país, inclusive bancos, ao custo de 0,38% por movimentação bancária? Não dessa forma. A CPMF foi eleita como o símbolo da luta contra o aumento de impostos e, assim, simplesmente não deveria ser cobrada, dizia a grande mídia. Questionou-se que o imposto sobre grandes fortunas poderia conceder até um bilhão de reais anualmente aos cofres públicos, vertendo dinheiro de ricos para o cofre público como ocorre na França? Não. Rapidamente publicou-se que a diferença era pequena para o orçamento. Mas pagar 1,5 bilhão de reais a mais de correção monetária a salários de servidores do judiciário Federal em 2015 era criminoso.

Agora veja: A conta de juros da dívida pública paga pelo Brasil durante 2015 e 2016 era à base de 500 bilhões de reais a 600 bilhões de reais ao ano. O déficit foi entre 130 e 190 bilhões de reais entre esses dois anos. Só alterar a forma de controle da inflação cobriria todo o déficit com economia de entre 150 bilhões a 200 bilhões de reais. Mas isso não foi discutido. Onde foram atacar? Nos direitos trabalhistas e previdenciários. A escolha foi: mantenham-se lucros de bancos, no tocante à manutenção de juros básicos altos, e cortem-se direitos dos trabalhadores, servidores públicos, pensionistas e aposentados. Perceba.

E não se cobrou CPMF, certo? Ok. Mas se elevará o imposto de renda de 27,5% para 35%! Veja que o teto era de 25%, mas teve aumento temporário de 10%, ou seja, 2,5 pontos percentuais, indo a 27,5%, que ficou permanente… mas agora irá a 35%.  O imposto de renda aumentado foi de pessoa jurídica (IRPJ)? Não. Foi de pessoa física (IRPF)! Então, não há pagamento de empresas e ricos de 0,38%, a título da “famigerada” CPMF, mas para compensar, quem ganha acima de R$5.000,00 (cinco mil reais), considerando-se o valor base de 2015, pagará 21 vezes mais do que pagaria se pagasse CPMF! Trocou-se a divisão da arrecadação por toda a sociedade com CPMF, para pessoas físicas, servidores, trabalhadores, pensionistas e aposentados, somente através de IRPF (imposto de renda de pessoa física).

Não se aumentou imposto de herança e nem regulamentou-se o imposto sobre grandes fortunas, o que melhoraria a arrecadação e estimularia a ricos criarem fundações privadas e a contratar planos de seguro de vida, como ocorre nos EUA e Europa. Mas os jornais publicaram bastante contra reajustes inflacionários de servidores públicos, cuja a conta varia entre 250  a 300 bilhões de reais ao ano (área federal). Observe-se que os servidores públicos são 12% de todos os trabalhadores brasileiros prestando serviços os mais variados à população e cujas famílias dependem dessas correções inflacionárias que não ocorrem ano a ano, mas de cinco em cinco anos ou dez em dez anos, com índices acumulados que a imprensa chama de aumentos. E no Rio de Janeiro os servidores públicos geram 25% da renda local! Mas isso não conta na hora de discutir o orçamento ou economia. Ou seja, poupam-se ricos, ao não se cobrar imposto sobre grandes fortunas ou aumentar imposto sobre herança, e mais uma vez bate-se em pessoas físicas que não têm como burlar o Fisco no recolhimento de imposto de renda, no caso, servidores públicos, aposentados e pensionistas, pregando-se contra reajustes inflacionários de salários de servidores.

Não se discute a parte de arrecadação do orçamento público, mas só a parte de despesa. E na parte de despesa não se debate sobre as isenções concedidas irregularmente a empresas e nem no montante geral de licitações superfaturadas por empresas que assaltam o orçamento público. Na parte de despesa também não se debate o nível do prejuízo injustificado que temos com pagamentos de juros altos da dívida pública que não precisariam ser em tal nível e que agora, face ao evidente crime e não mais conseguirem sustentar isso à sociedade, cai a passos largos, tentando tirar o prejuízo já concretizado no orçamento público.

Estados cortaram ajuda a restaurantes populares e abrigos populares, aumentaram contribuições de servidores para as previdências estaduais e parcelaram seus salários, mas não cortaram carros oficiais, isenções de impostos a prostíbulos, joalherias, bares e lanchonetes. Não aumentaram também o imposto sobre a herança que no Brasil é entre 4% e 8% e na França é de 40% e nos EUA pode chegar a 77%. Bate-se em pessoa física, servidores, pobres, mas poupam-se os mais ricos e os políticos. Várias cidades sequer cobram ISS dos bancos!! Só no Rio de Janeiro isso poderia render até 13 bilhões de reais ao ano, segundo informações que chegaram a nós por especialistas. Privilégio de ricos e bancos. Penalidade financeira sobre pessoas físicas. Sempre é esse o caminho.

Consegue ver? O problema da crise era temporário, mas foi vendido como permanente. Foi pouco grave se comparado com o que os EUA e Europa passaram, mas foi vendido como o fim do mundo e amigos nossos chegaram a ponderar se viveríamos no mundo apocalíptico do filme “Mad Max”. E a conta foi sempre salvando ricos e apertando a classe média (famílias com renda entre R%5.000,00 e R$30.000,00), pessoas físicas, servidores públicos, trabalhadores celetistas, aposentados e pensionistas do INSS e do serviço público.

Observe que mesmo sem a aprovação das reformas trabalhistas, regulamentação criminosa da terceirização e a reforma da previdência tanto a inflação já estava caindo como a economia estava melhorando, assim como empregos surgiram no início de 2017!!!! Não é fantástico? Tudo o que o Blog Perspectiva Crítica publicava está se realizando. E a grande mídia e o mercado financeiro e os políticos não sabiam disso? Sim, sabiam. Mas tinham seus interesses de colocar a conta toda possível nas costas das pessoas físicas. E aí, estamos onde estamos.

Você aqui já sabe a verdade. Você que leu esse mero artigo, já viu tudo, ou parte de um todo nojento que ocorre em nossa sociedade enganada pela grande mídia e políticos e grandes empresários e bancos inescrupulosos. Mas para quem não leu esse e outros artigos do gênero na mídia social, o roteiro que você verá dito pela grande mídia será o seguinte:

“Depois da incompetência de todos os governos petistas, o Brasil foi levado quase à bancarrota. Com o governo Temer, uma luz no fim do túnel surgiu. Cortaram-se várias despesas, efetuaram-se as reformas e a inflação passou a cair, dando margem para o Banco Central baixar juros e melhorar ainda mais as condições para que se obtivesse o crescimento econômico em 2017 e o crescimento maior e sustentável da economia nos anos por vir.”

Tudo mentira. Com os juros estratosféricos, levados até lá ainda no governo petista, a inflação começou a cair. O Banco Central atrasou a baixa gradativa dos juros, acabando com empregos e com possibilidade de crescimento econômico, porque assim ninguém investe. Não foram feitas licitações para concessões, o que atrairia muitos dólares e animaria a economia. Alimentou-se o caos econômico e aprofundou-se a recessão no Brasil tanto para culpar mais do que o devido (mas o governo petista fez besteira desde o segundo semestre de 2013 mesmo) o governo petista, quanto para enaltecer que medidas drásticas deveriam ocorrer, chantageando moralmente a sociedade dizendo que as únicas saídas era aumentar imposto para pessoas físicas, cortar assistência social, prejudicar direitos trabalhistas e previdenciários de servidores públicos e trabalhadores da área privada.

E agora, quando não é possível mais segurar o fato de que a inflação melhorava desde o segundo semestre de 2016 e que o crescimento e a criação de empregos se avizinham e se apresentam em 2017, aí cortam aceleradamente os juros básicos, para sumir com esse deboche ao orçamento público e à vida do cidadão e começam as concessões e licitações!!!

Isso, se feito antes e responsavelmente, geraria menos crise econômica e menos perda de emprego. Mas a crise tinha que ser aprofundada e alardeada como grave e profunda o máximo possível para as teses de direita prosperarem no Congresso e ganharem a adesão de parte da população que se informa exclusivamente por manchetes dos jornais da grande mídia.

É por isso que reforma previdenciária e trabalhista têm que ser aprovadas até junho de 2016! Porque depois disso a melhora da economia será visível e a população não apoiará mais as reformas da maneira que agora, confusa, apóia ou contra as quais reclama menos.

O crescimento do Brasil tem mais a ver com questões externas, por maior crescimento do mundo, com aumento de petróleo, minério de ferro e soja. Isso ativa as cadeias de produção no Brasil. Veja que internamente as famílias ainda focam em pagamento de dívidas. Mas há uma pequena melhora interna. Trataremos na análise econômica interna e externa em breve.

Mas o fato é que manipulando a informação que chega à população, a crise que era temporária foi aumentada e o custo natural que uma crise leva ao orçamento público foi publicada como uma culpa de “gastos” com salário de servidores públicos, aposentados e pensionistas da área privada e pública e trabalhadores da área privada. O problema foi dito somente como devendo ser solucionado pela parte de despesas, sem nunca mencionar-se o crime do pagamento de juros nababescos a bancos pela dívida pública, e nada se falou em melhorar e universalizar a arrecadação. Toda a conta nas costas de pessoas físicas e nada nas costas de ricos, bancos e grandes empresas.

E assim você será enganado que por causa das reformas, exclusivamente por causa das reformas, diminuiu-se o défitict fiscal e público e o orçamento público foi salvo. Podemos dizer que somente a queda dos juros como estão fazendo, se chegar a 8,5% no fim do ano, já terá economizado todo o valor necessário para garantir o superávit fiscal em 2018, pois o Brasil pagará menos 6% ou seja, entre 200 e 250 bilhões de reais ao ano.

Você baterá palmas aliviado no fim do ano, mas se as reformas forem aprovadas como estão, você terá saído da crise de dois anos mais pobre hoje e no futuro (pagando mais impostos e tendo menos direitos trabalhistas e previdenciários) e ricos, bancos e grandes empresas terão saído mais ricos, hoje e no futuro. O grande engodo será completado com múltiplas manchetes da mídia com as inevitáveis taxas e índices econômicos e de emprego melhores que acontecerão durante o ano de 2017. Triste.

A sociedade foi manipulada para crer em uma crise pior do que existia, não discutir temas de juros excessivos pagos pela dívida pública brasileira e não ver que a economia melhorava desde o ano de 2016, em especial o segundo semestre. A sociedade foi manipulada para não discutir a solução do orçamento via arrecadação, via revisão e fiscalização de benefício sociais e assistenciais (só a revisão em todos os benefícios do INSS podem economizar 7,5 bilhões de reais ao ano!!), via regulamentação de imposto sobre grandes fortunas, via aumento de imposto sobre a herança, via revisão de concessões de subsídios à produção que não surtem mais efeitos positivos de crescimento econômico ou geração de empregos, via retirada de medidas anticíclicas. Tudo isso aumenta arrecadação e diminui o déficit do orçamento, mas nada disso foi discutido na mídia. A sociedade foi manipulada somente para atacar o problema pelos gastos, pelas despesas, pelo corte de salários, aposentadorias, negativa de concessão de reajustes inflacionários a servidores públicos, pensionistas e aposentados, assim como deveriam os trabalhadores abrir mão de direitos trabalhistas e ser terceirizado e de direitos previdenciários e aposentar-se imediatamente com 65 anos (agora está se amenizando) e 49 anos de contribuição.

E para ajudar a enfiar a mão no bolso da pessoas físicas foi piorado o ambiente: mantiveram-se os juros altos demais, não se fizeram concessões ou licitações públicas, não se ativou a economia de forma alguma, pois os números econômicos tinham de ser os piores possíveis para que a chantagem à população surtisse o efeito de anunciar somente as medidas salvadores pelo lado da despesa… mas sempre prejudicando-se a pessoa física e nunca as empresas e bancos.

E agora, com a economia voltando sozinha, pela pujança natural de nossa economia, juros descem, concessões e licitações têm início em blocos. Diz-se que os investimentos só voltaram pela aceitação de reformas propostas, mas elas não foram todas aprovadas e nenhuma foi ainda implementada, veja!! Mas se aprovadas, dirão que o orçamento público melhorou por causa dessas reformas e dos cortes a direitos de servidores, trabalhadores celetistas, aposentados e pensionistas da área privada e pública. Está aí a grande mentira deste ano que preparam para você.   

P.s. de 19/04/2017 – Texto revisto e ampliado.

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