Como se comportar em uma bolha imobiliária?

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    Esse tema é essencial, pessoal. A idéia surgiu das perguntas e comentários de Tatiana Vieria Assumpção Richard e do Dr. Vitor Miranda ao artigo “Bolha Imobiliária no RJ em 2010”. Vou até aproveitar trechos da resposta que dei ao Vitor e à Tatiana.

    Vejam, Benjamin Steinbruch, Presidente e controlador da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), acabou de comprar um imóvel na Quinta Avenida, em Upper East Side (lado mais valorizado), em Nova York, de 450 m², ao custo de US$18 milhões. Isso só ocorreu depois de seis meses de negociação com a família que queria vender por US$32 milhões (http://www.focoregional.com.br/page/plantaodtl.asp?t=STEINBRUCH+COMPRA+APARTAMENTO+NA+5%AA+AVENIDA+POR+US$+18,875+MILH%D5ES&id=25028).

    A família Safra acabou de comprar, por US$295 milhões, um prédio na Madison Avenue, em Nova York, de propriedade de uma adminstradora imobiliária italiana, prédio conhecido por ter no térreo a loja de departamentos conhecidíssima Barney’s. Há três anos os italianos tinham comprado esse mesmo prédio por US$385 milhões. Perderam US$90 milhões em três anos.
    (http://economia.ig.com.br/bilionario+brasileiro+compra+predio+em+rua+chique+de+nova+york/n1237947656633.html)

    Se imóveis abaixam nos EUA, em Nova York, em centro de milionários, entre milionários, por que não pode ocorrer aqui? E se os milionários pechincham, por que você também não faz isso? Por que temos de comprar ao preço que pedem? Qual a necessidade de afagar o nosso ego? É por nós, para realizar o que é melhor para nós ou para alimentar uma imagem social? Por que você faz isso? Por que vocÊ se sente de determinada maneira? É sabido que 90% das compras são realizadas por impulso, mas isso é o melhor para você?

    É claro que não vou pedir para você morar até morrer no mesmo local, como um dos maiores milionários do mundo está fazendo. Sim, aos oitenta anos, Warren Buffet mora na mesma casa em que nasceu. E quando fez seu primeiro milhão de dólares parece que ainda andava de fusca, seu primeiro carro. Não vou pedir isso pra vocÊ. Eu não concordo com isso. A vida é pra ser vivida. Mas tem preço, senhores. E você tem que pensar antes de pagar para ver se é o que você quer pelo preço a ser pago.

    Os milionários pechincham porque não têm nada a provar para ninguém. Mas você pode ainda me dizer: mas Mário, e se os imóveis atingirem valores que nunca mais poderemos pagar, nem eu nem meu filho? Tenho que me depauperar agora, que ainda posso entrar na casta de proprietários de imóveis no RJ!!! É agora ou nunca!!! Jesus me ajude!!

    Gente, por favor….

    Primeiro: Pense. Se pessoas que ganham acima da média, de classe média alta, não conseguem comprar os imóveis, quem vai comprar? Por quanto tempo? E se todos os milionários do Brasil e do mundo resolveram comprar, vocÊ acha que pode competir? Se um imóvel de dois quartos em Botafogo chegar a três milhões de reais e isso for sustentável, não haverá revisão de valor venal do imóvel? Como vai ficar esse IPTU? Você vai se endividar todo para comprar qualquer imóvel na Zona Sul, a qualquer preço e sofrer grandes limitações em seu orçamento familiar por anos a fio?! Vale a pena? Você vai deixar de viajar com seus filhos? Você vai piorar a educação deles? Tudo isso para pagar o que quer que peçam por imóveis moribundos na Zona Sul ou outro lugar de seu sonho?

    Se você vai fazer isso, amigo, vocÊ não é dos meus. Você também não está fazendo o que Benjamin Steinbruch, Safra e Warren Buffet fazem. Quem é sua companhia nesse magnífico investimento? Há que se pensar.

    Repetindo um caso concreto já comentado em outro artigo e altamente pertinente, soube de uma pessoa na fila da loja Zara no Rio Sul, cujo cunhado comprou um imóvel caro na Zona Sul, e ainda fez uma obra de um pouco mais de 100 mil reais. Não que o imóvel fosse fantástico, mas comprou caro e o imóvel precisou de uma obra e mesmo na obra eles capricharam. A família não podia passar o fim de semana em Teresópolis!! Palavras da moça. O dinheiro era contado em casa por trÊs anos. Nada podiam fazer de lazer. Fim da história: depois de três anos e muitas brigas, o apartamento ficou lindo, o casamento acabou e eles estavam vendendo o imóvel.
    Eu não sei o que faz as pessoas pesarem mal bens materiais e qualidade de vida. Por que não valorizam o dinheiro que ganham? Por que acreditam que são pobres só porque alguém oferece um imóvel em preço estratosférico e depois faz cara de que você não tem dinheiro para comprar? Onde vive seu corretor de imóvel? Porque esses compradores desesperados fazem de tudo para se encaixar num perfil em determinado momento, mesmo que esteja o mercado em alta e seu orçamento fique apertadíssimo? Isso é necessário? Alguém vai ter que começar a dizer não, não compro. Tenho tanto, se quiser, me ligue.

    Mencionando outro caso concreto pertinente referente à resposta a comentário de Dr. Vitor Miranda, há pouco tempo vi um apartamento de um quarto na Barão de Ipanema, em Copacabana, sem vaga de garagem pelo qual estão pedindo 450 mil reais. Você paga? Mesmo com vaga, você paga?
    Falei com uma corretora há uma semana. Gostei de um apartamento no Humaitá. Dois quartos, somente banheiro de empregada, pois o quarto de empregada foi destruído para transformar um dos quartos em suíte. Play, vaga de garagem, sem piscina, sem sauna, eu acho até que era sem play. Apartamento bom, inteiro, o que é raridade na Zona Sul. R$570 ou 590 mil. Ofereci 420 mil. Antes os corretores riam, dessa vez tentou me convencer do preço. E acabou dizendo que o proprietário tinha comprado um apartamento maior com eles por um preço mais elevado e queria vender rápido o imóvel, por isso tinha dado aquele preço que já estava há 20 dias (como se fosse muito) e que ele ia mudar o preço porque a faixa daquele imóvel é de 700 mil reais.
    Perguntei: mas se ele precisa de vender rápido para não pegar empréstimo e não vendeu a esse preço, qual a lógica em aumentar para 700 mil? Facilita a venda? E mais, se ele comprou mal o imóvel dele, o que eu tenho a ver com isso? Eu tenho que validar a besteria que ele fez?

    Gente, eu digo: valorize a sua vida. Valorize o seu dinheiro. Tem muita gente dando o imóvel antigo para comprar o imóvel novo!! Aí, o cara pega mais trezentos mil e aceita pagar um imóvel de 700 mil ou 800 mil porque a prestaçao de empréstimo de 300 mil cabe no bolso dele.. mas o preço do imóvel não é 800 mil, é seiscentos. Mas ele não pechinchou, comprou mal e quer vender o dele por preço alto. Isso não é problema seu.

    VocÊ tem na sua cabeça, por mais que não acredite, um sininho. Ele sempre sabe quando há pechincha e quando está caro. O mercado dita o preço? Ok. Mas quem é o mercado? Você é um integrante do mercado, sabia? Se você e vários disserem aos corretores o preço do imóvel, mesmo que ele te diga que o preço é outro, você está influenciando o preço, assim como o proprietário e o corretor fazem.

    E se não baixarem? Não compre. Para mim não vale a pena me endividar por apartamento que não vale o dinheiro que pago. Eu não sou especulador. Eu quero encontrar um imóvel descente. Eu quero fazer uma simples compra. Eu quero trocar meu dinheiro pelo apartamento de alguém, que equivalha ao preço pago por mim. Entendeu?

    E se não for possível no momento? Prefiro ficar sem a dívida. Pago aluguel. E tenho um custo menor pelo mesmo local. Ao invés de prestação mais alta na compra, tenho dispêndio menor agora, vivo no mesmo local e junto a diferença (importante este último detalhe, gente!).

    Nenhum corretor sério com quem conversei disse que os imóveis estão com bons preços. Nenhum disse que sabe quando pára de subir. Mas já vi um corretor e uma pessoa, que não precisavam vender imóvel próprio, vendendo e botando o dinheiro no banco, para morar de aluguel e achando que o preço de venda era ótimo. Os dois têm intenção de comprar imóvel de novo.

    Quem está certo? Quem está errado? Eu acho errado eu pagar preço alto. Se milionários estão tomando o RJ (rsrrs) sei que não posso competir. Quero garantir dignidade de moradia, viagens, restaurantes, festas e bares com os amigos e uma educação de qualidade para meus filhos. Isso é o mais importante para mim. Mais importante do que a casa própria, a ser comprada seja em que estado for, e a que preço for (se for boa e a preço justo ok). Eu já mostrei questões objetivas para esse movimento de alta. Motivos em que acredito. Fiz minha opção.

    Tive um grande amigo que fez uma oferta para um imóvel. 60% do que pediam. Depois de 6 meses, o proprietário aceitou vender pela oferta. Vou seguir esse meu amigo, Benjamin Steinbruch e Safra. Valorizo meu dinheiro e pechincho. O proprietário tem direito de pedir alto? Eu tenho direito de oferecer mais baixo. O apartamento é dele, mas o dinheiro é meu. Ou dinheiro não é patrimônio? Se você não dá valor ao seu dinheiro, amigo, quem dará?

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