Perguntas inteligentes, Resposta publicada 4 – Bolha imobiliária RJ

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    Pessoal, o debate nos comentários do artigo mais popular do blog está quente: “Bolha Imobiliária no RJ em 2010”.

    Colocações inteligentes nos proporcionando o questionamento deste movimento/problema especulativo imobiliário. A troca de idéias é tudo. Acho que estamos atingindo nosso objetivo e posso compartilhar com vocês que o acesso ao blog está aumentando muito. Já são mais de 5.150 acessos em sete meses de existência do blog. Só no mês passado foram mais de 1400 acessos de vários países.

    Como um comentário ótimo deu oportunidade para uma resposta que reputo muito boa, vou publicar aqui como artigo, para facilitar o acesso. Trata-se do comentário de Tatiana Vieira Assumpção Richard questionando a falta de controle do governo sobre esse movimento especulativo, bem como comentando a sensação de ameaça que o cidadão acaba vivendo de talvez não poder morar em sua cidade, cujos preços de imóveis, e de tudo em geral, vive uma alta não questionada pela própria sociedade. Muito interessante. Vejam e fiquem à vontade para criticar e comentar.

    Tatiana Vieira Assumpção Richard comenta:

    “Tenho provocado-quase que diariamente- uma discussão sobre esse e outros assuntos referentes ao custo de vida para o carioca.
    Fico muito impressionada como não ha qualquer movimento de regulação do governo quanto a isso,e por outro lado como a sociedade não está se organizando e parando para pensar a respeito.
    A sensação que tenho é que a cidade passa por um momento de grande euforia mas que isso não vem sendo trabalhado de forma sistêmica, o que pode fazer com que daqui a algum tempo o carioca não possa mais viver aqui- simplesmente por não dar conta do custo de vida, uma vez que sua renda de forma alguma aumentará na proporção do voraz mercado imobiliário- e ainda, que estamos preparando uma cidade para o investimento estrangeiro, sem a responsabilidade e devida atenção que se deve ter- quando se trabalha para reurbanização e desenvolvimento econômico local- para a qualidade de vida da população que habita a cidade.
    A sensação de “Fica quem pode pagar” é assustadora.”

    Minha resposta:

    “Tatiana, excelente comentário. Sua preocupação está certíssima. Li um artigo no Le Monde Diplomatique (vou ver se ainda tenho) em que um cientista social francês fez uma ponderação sobre a valorização de imóveis em determinadas cidades e o benefício para sua população.
    Ele conclui que quando há uma real valorização excessiva de uma área, que tenha sustentabilidade e se mantenha no tempo, a cidade melhora, mas não para os seus habitantes originais (achei o artigo. Acesse: http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=635)
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    Eu vi isso com a onda de valorização imobiliária na Califórinia, há uns dez anos. Os aluguéis aumentavam porque ricos compravam o local ou faziam grandes ofertas. As pessoas que não conseguiam pagar saíam e viabilizavam a venda, ao final. E aqueles que eram proprietários, com a revisão do imposto de propriedade imobiliária, por alteração do preço venal, acabando vendendo também, se já não o tivessem feito pela oferta alta anterior. Ou seja, a cidade ia melhorando, mas não para os habitantes originais.
    Podem sustentar que isto estaria acontecendo aqui. Mas não vejo assim, ainda, no nosso caso. Pois lá nos EUA a renda é enormemente maior. Aqui estamos vendo pessoas que têm bons salários incapazes de pagar. Aí a diferença, ao meu ver.
    Quanto ao Estado regular isso, como você diz, isso (a que você se refere) seria o mercado. Regular expectativa de valor não dá. Mas você tem razão em dizer que o Estado se omite. Acho que se omite em controlar o cadastro de imóveis e de compra e venda de imóveis.
    Se houvesse um cadastro nacional regularizado e centralizado, se houvesse controle das compras e vendas, além de se combater lavagem de dinheiro, você controla a quantidade de estrangeiros que adquirem imóveis nas cidades. Muitos estrangeiros estão comprando através de brasileiros testa-de-ferro (inclusive na Região Amazônica, Norte e Nordeste rural – mas isto é outra história).
    Isso é grave, pois nesse caso, realmente, como você reclamou, poderia estar em curso especulação imobiliária estrangeira no Brasil (e está!), desterrando brasileiros, ou seja, por via oblíqua, e contra lei brasileira (soube de lei que impede concentração de estrangeiros superior a 40% das cidades no Brasil), estrangeiros estão se apropriando de imóveis de brasileiros.
    Isso deveria ser controlado.
    Mas por outro lado, nós brasileiros, não poderíamos endossar compras e vendas por valores estratosféricos. Parem de comprar. Não adianta se deixarem espoliar. Você se endividar não garante qualidade de vida. É ilusão. Você deixará de viajar de educar melhor seus filhos para comprar imóvel? E se ficar nos seus limites mensais e o Município rever o IPTU? Já pensou?
    Acho que colocarei nosso papo como outro artigo. O tema é sensível e merece.”

    Só fiz correção de digitação, pois no comentário não tenho essa chance.

    Esses questionamentos não são demais? Acho que aos poucos chegaremos em muitas e boas conclusões. Pretendo escrever um próximo artigo sobre como se comportar nesse movimento de alta de imóveis. O comentário do Dr. Vitor Miranda me deu essa idéia e estímulo. Isso é muito importante para a gente parar com essa sensação de impotência.

    abraços a todos

    p.s. em 01/02/2011: consegui fazer a revisão total do texto. Fiz pequenos acréscimos no texto e no meu texto citado entre aspas. Na maioria das vezes coloquei entre parênteses. As alterações foram para dar melhor compreensão e não alteraram em nada sentido e conteúdo, principalmente porque era uma reprodução de resposta escrita por mim a comentário, a qual pode ser conferida em sua forma original no artigo “Bolha Imobiliária no RJ em 2010”.

    p.s. em 01/02/2011: Achei o artigo sobre o movimento de crescimento de cidades e expulsão de habitantes originais no Le Monde Diplomatique. Acesse: http://diplomatique.uol.com.br/artigo.php?id=635
    Quero dizer que não acho que seja o que nos ocorre. Ocorreu isso com a população pobre que vivia no Leblon/Lagoa e foram para Cidade de Deus, na época de Carlos Lacerda. Aconteceu na Califórnia há dez anos (como vi em reportagem), com os mais pobres e classe média baixa. No nosso caso a dificuldade está atingindo classe média alta. Aí a diferença. Não é sustentável por não ser compatível com a renda do carioca que é uma das maiores do Brasil. Por isso a bolha.

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