Reorganização de linhas de ônibus – 70 linhas a serem extintas – Mobilidade urbana a caminho

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    O Secretário Municipal de Transportes Picciani e o Subsecretário Municipal de Transportes Alexandre Sansão estão de parabéns. Finalmente algo é feito em relação às empresas de ônibus e as várias linhas superpostas que tornavam ineficiente o serviço de transporte coletivo no Rio de Janeiro.

    E não só. Linhas superpostas retiram a lucratividade das linhas que efetivamente são as mais adequadas ao trasporte em determinado itinerário. Linhas superpostas geram atravancamento do trânsito para ônibus, carros particulares e veículos comerciais, pois mantém mais ônibus do que o necessário para o trasporte em determinado trecho, além de que as linhas superpostas demonstram desorganização do Poder Público em organizar a rede pública de transportes. Sem contar que, com a grande concentração de oferta de empregos e de negócios em poucos locais na cidade, em especial no Centro, Tijuca, Barra da Tijuca e Zona Sul, o excesso de linhas superpostas de todos os demais lugares no sentido dessas localidades terminam por aglomerar nestes destinos finais uma infinidade de ônibus vazios que só fazem dar nó no trânsito e fazer todos, inclusive e principalmente os transportados por ônibus, perderem tempo.

    Mas por que existiam tantas linhas superpostas? 11 serão extintas até este sábado, dia 03/10/2015, e 70 podem ser extintas até dezembro de 2015, segundo informações do artigo “Reorganização dos ônibus começa sábado pela Barra”, publicada em 29/09/2015, na página 11 do Jornal O Globo. A resposta é simples: os trechos planos da maioria desses itinerários baixam o valor da manutenção de cada ônibus e a inexistência de investimentos adequados em transporte sob trilhos manteve esse filão para as empresas de ônibus que multiplicavam as linhas simplesmente porque havia demanda mínima para dar lucro às operações, independentemente de se a opção por linhas superpostas de ônibus seria a mais confortável e eficiente para os passageiros e para o trânsito. Essas linhas todas têm em comum serem em trechos planos e de não muito longa distância, inclusive superpondo-se a linhas de metrô e trem; no caso do trem por sua ineficiência e falta de investimento, no caso do metrô, por desorganização do Poder Público e também por falta de investimentos.

    Daí a importância da medida. Extinguir linhas de ônibus não é fácil, pois o lobby é forte. A dupla Picciani e Sansão demonstra capacidade de implementar a adequação dos meios de transportes à uma reorganização de modais, que contam com as linhas dos BRT’s e as iminentes linha de metrô vindo da Barra ao Leblon e do VLT que circulará da Praça da Bandeira até o Centro, passando pela área do Porto, Praça Mauá e Praça Quinze. Naturalmente, como já publicado, a extinção dessas linhas também visa alimentar as linhas de BRT’s, as quais ainda precisam de aumento de demanda para apresentarem-se lucrativas. A demanda dos BRT’s não pode sofrer predação de linhas superpostas de ônibus, linhas estas que nasceram da desordem urbana de décadas de abandono por parte do Poder Público e décadas de avanço livre de empresas de ônibus sobre qualquer parcela de rotas minimamente lucrativas, inclusive sugerindo, elas mesmas, e criando rotas superpostas, com a força de suas contribuições para campanhas políticas.

    Enfim, pode ser que melhores dias tenhamos para o trânsito no Rio de Janeiro. E se hoje a razão parece começar a ter sua vez, através da atuação da dupla Picciani e Sansão, é provável que cada vez mais isso ocorra nesta seara, se realmente a doação de contribuições de empresas para campanhas políticas for exterminada, como determinou recentemente o STF.

    Hoje, o sistema de ônibus leva em torno de 4 vezes mais passageiros do que o sistema de trens; em todo o mundo civilizado é o contrário que ocorre. Se essa reorganização do sistema de transportes no Rio de Janeiro é tarefa hercúlea.. ainda bem que temos um Sansão na tarefa… rsrs.

    Parabéns, Sansão e Picciani. Que sua empreitada tenha êxito, a bem da maior inteligência do sistema ainda deturpado de transportes do Rio de Janeiro e para a comodidade dos passageiros de ônibus e de toda a população que nõa aguenta mais trânsitos de duas horas para trafegar por 30 quilômetros nesta cidade.

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