Razões da Intolerância: Mec e o português popular, Sérgio Cabral, Bombeiros e Parada GLST

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    Um dos artigos mais impressionantes que já li foi o “Razões da Intolerância”, escrito por Norberto Bobbio, em sua obra “A Era dos Direitos”.

    Talvez tenha sido um texto que muito me influenciou porque naquele artigo fica patente que Bobbio não foge de tema sensível, não tem medo de ser mal interpretado porque acredita naquilo sobre o que discorre e na forma como o faz. Mas talvez o mais importante de tudo seja que a coragem na forma como ele escreve se fundamenta na concepção que ele tem do mundo que é clara e muito firmemente determinada. Seus valores são sólidos e, assim, mesmo transitando sobre temas sensíveis, em meio a terreno pantanoso, Bobbio dá passos firmes e equilibrados, mostrando ao seu leitor o caminho que ele segue e dando a opção de o leitor fazer o mesmo, talvez com a mesma segurança.

    Naturalmente pessoas como Norberto Bobbio nascem em poucas unidades por século, mas se nós não temos a sorte de ser um, ao menos temos o desafio de reconhecer sua importância, sua luz, e pegar um pouco dela para nós mesmos e tentarmos viver com valores fortes, definidos e com uma boa segurança de como transitar por terrenos não tão bem definidos assim. É o que eu tento fazer.

    Bobbio, Montesquieu, Voltaire, Confúcio, Lao Tse, Noam Chomsky, Joaquim Nabuco, Gilberto Freire, Gilberto Moog, Jacques Le Goff, Moniz Bandeira, Cícero, Sêneca, Suetônio. O que é certo e o que é errado? Cerco-me de alguns senhores que têm mente prodigiosa para me ajudar a entender os limites dos valores e definir o meu núcleo central que me permite afirmar com certeza que algo está certo e algo está errado.

    Assim, devo comentar dois casos relevantes atuais em que fica evidente que a sociedade está sem alguns parâmetros de valores: O MEC admitiu livro com uso de português vulgar para educar todas as crianças desse País e o Governador Sérgio Cabral admitiu que bombeiros usassem farda em momento de folga, em parada homossexual e de simpatizantes.

    Contendo minha tendência à prolixidade, senhores, ambas as hipóteses são um absurdo. Ambas as hipóteses são demonstração de que líderes, autoridades e a sociedades estão perdendo a razão e os limites. Portanto, vou explicar tranquilamente, sem qualquer problema a gravidade das duas decisões.

    É permitido Bombeiro, heterossexual ou homossexual ou transexual ou seja lá qual seja sua preferência sexual (Serguei gosta de árvores e se declara pansexual, parece), mas é permitido a algum Bombeiro usar farda depois do expediente e ir beber uma cerveja no botequim da esquina? Não. Por quê? Porque a farda é símbolo da autoridade do Estado, símbolo da unidade militar e portanto deve haver respeito no uso da farda exclusivamente em serviço. A farda não é do militar, é do Estado. Se o militar deixar de ser militar deve devolver armas, distintivos, documentos e a farda.

    O que o cidadão faz em sua hora privada não pode ser confundida com o que ele faz na condição de bombeiro, quando representa o Estado e sua Unidade Militar. Seu momento de descontração não pode ofender a imagem da corporação se por algum acaso houver excessos, como por exemplo ficar embriagado.

    O cidadão comum não pode olhar para um bombeiro de farda e o ver em situação que não seja no trabalho, momento em que desenvolve e exerce as atribuições do cargo de bombeiro e deve ser julgado caso não aja de acordo com as regras de conduta profissional que dele se exige. Caso contrário, flagrantes de descontrole pessoal podem manchar a imagem da corporação e sua respeitabilidade em sociedade.

    Da mesmíssima forma não pode ser admitido que qualquer bombeiro use farda em festa de qualquer natureza, inclusive em parada gay. Não porque o bombeiro seja homossexual, não porque não se admita a parada gay, que foi autorizada, mas porque é um momento privado de descontração, não é momento de desenvolvimento de serviço militar de bombeiro e o mesmo problema pode ocorrer. Não se pode confundir o cidadão em sua hora privada com o bombeiro em trabalho militar.

    Claro que foi uma movimentação simpática à causa gay, por parte do Governador. Claro que ganhou uns votinhos a mais, mas a que custo? Ao custo, ao meu ver, do sacrifício da imagem da Corporação Militar dos Bombeiros do RJ e ao custo do sacrifício do princípio de conduta em que um bombeiro não pode usar farda em momento privado, fora do quartel e despido da obrigatoriedade do exercício de suas atribuições públicas de bombeiro militar. Se um bombeiro heterossexual quiser ir para o carnaval com sua farda agora, fora do expediente? Poderá o COmando Militar negar? E a isonomia?

    Por outro lado, os bombeiros homossexuais, na minha maneira de ver, que não são crianças nem cidadãos sem valores, mas cidadãos normais, como querem ser admitidos e reconhecidos em sociedade, deveriam se negar a usar sua farda fora de expediente, instrumento de trabalho, símbolo de sua corporação militar que juraram honrar, e mostrar para o Governador que os homossexuais são cidadãos sérios e querem respeito e não indulgências anti-isonômicas para terem liberdades de exercer frivolidades sem qualquer sentido. Homossexuais não deveriam aceitar excessos com viés eleitoreiro, pois isso, na minha modesta maneira de ver, parece rebaixá-los ao nível de crianças.

    Se o Governador do Estado não consegue ver seus limites e o núcleo de valores que deve seguir para demonstrar que o Estado do Rio de Janeiro nõa admite homofobia, ao menos os próprios bombeiros, cidadãos responsáveis, deveriam possuir esse núcleo de valores, e não aceitar a indulgência, rechaçando o tratamento infantil concedido pelo Estado.

    Da mesma forma, as tendências de cunho político da liderança do MEC, mesmo sendo socialistas ou até comunistas, tanto faz, não podem perder o cerne de valores educaionais básicos. A liderança no MEC deve perceber que o português vulgar ou popular, aquele falado pelo povo carente de educação formal, não deve ser institucionalizado, pois seria abdicar-se da educação. Uma criança não pode ser educada a ler “nós pega”, porque ao ler no jornal “nós pegamos” poderá encontrar dificuldade em compreender o que está escrito.

    Poesia é uma coisa. Educação formal é outra. E falar português erroneamente porque não teve acesso à educação formal é outra e é triste. Todos sabem que os socialistas e comunistas têm um carinho especial por todas as características naturais e originais do popular e que todas as características que evidenciam sua natural adaptação à falta de atenção do Estado são as mais admiradas, dentre elas o desenvolvimento local de técnicas de agricultura rudimentar, de pesca artesanal e da linguagem portuguesa adaptada à falta de educação formal.

    Também acho bonito. Também acho engraçadinho. Também tenho interesse sobre como ele processou informações precárias e adaptou sua capacidade de comunicação, sobre quais saídas encontrou sozinho para problemas de linguagem que a língua culta resolve de forma diferente. É uma viagem antropológica, sem dúvida. Quem é que não gosta da abordagem (ufanista, óbvio) que Manoel Bonfim dá em seu livro “Brasil na América” à adaptação linguística do brasileiro humilde e sem instrução?

    Mas daí a querer que as crianças repitam o erro e institucionalizar essa dificuldade está muito além da simpatia com o popular. Para mim isso é a perpetuação da deseducação, um desrespeito com os filhos daquele popular que não teve acesso à educação, desrespeito à língua portuguesa, que é símbolo da nação brasileira.

    O Ministério Público Federal está certo em apurar esse absurdo. E, por total incompetência do Ministro da Educação ou daqueles em quem confiou para a escolha do livro com português errado, a oposição tem agora mais uma coisa para bater no Governo Federal, pois ficou evidente que a escolha do livro foi consciente e considerou a hipótese, com fundo ideológico de esquerda (esquerda burra, nesse caso), de ensinar a milhões de brasileiros português contra as regras gramaticais cultas, prejudicando símbolo da nação brasileira e “mancando” o português desses milhões de brasileirinhos. Um absurdo e mais uma vez falta de clareza de valores.

    Em ambos os casos, como Bobbio fala em seu artigo “Razões da Intolerância”, não se está a dizer que não se deve ser tolerante, mas não ter limites no ato de tolerar evidencia simplesmente que você não tem princípios claros, que você não tem valores.

    p.s.: Esse artigo deriva de sugestão inconsciente de um grande amigo que deve ter grandes conflitos sobre as razões de me tolerar. Abraço Gustavo. AHUAHUHAUAHA
    p.s.: Como me tolerar é um processo complexo e ato de curiosidade antropológica por parte dos meus amigos e de vocÊ leitor, dedico a vocês este artigo sobre as razões dos limites à tolerância. Obrigado pela tolerância, gente! rsrsrs E ainda tem quem me incentive.. vocês perderam as razões da intolerância há muito tempo!! rsrs

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