Os graves problemas da Petrobrás: OPEP e capacidade de financiamento

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    É pessoal… o mundo é complicado e o mundo das finanças e investimentos é muitíssimo complicado, principalmente diante de situações inimagináveis. Até seis meses atrás, sem notícia de petrolão e de determinação da OPEP em baixar o valor de petróleo no mundo, a Petrobrás estava simplesmente entrando em 2015 no ano de uma virada gigantesca a seu favor.

    Por quê?

    Vejam como era a situação. A virada a favor da Petrobrás era gigantesca porque sua produção de petróleo aumentará uns 30% podendo chegar a mais do que isso em 2015, em função do aumento de produção no pré-sal. Além disso, suas finanças melhorariam muito pois além da geração de caixa, com o inicio da atividade de refinarias, em especial a Abreu e Lima, diminuiria a necessidade de de importação de derivados de petróleo, o que é um grande problema da estatal, devido ao controle de preço da gasolina imposta pelo governo.

    Além disso, o governo tinha dado correções da gasolina e acenou que daria o restante em 2015, a partir do arrefecimento da inflação, a qual já está com tendência de baixa e corroboraria a ocorrência dos aumentos. E essa situação apresentava-se como uma espiral positiva, eis que a produção no pré-sal está admitida como crescente até 2018, e durante esse caminho outras refinarias ficariam prontas, produzindo, e tornando a Petrobrás uma mina de ouro sem fim, chegando a dobrar a produção brasileira de petróleo a mais de 4 milhões de barris por dia, e o Brasil em um dos maiores exportadores de petróleo, além de poucos anos depois, talvez em 2020 ou 2022, autossuficiente em gasolina e talvez diesel… e ainda em um período em que se espera que o crescimento mundial se restabeleça, vejam bem (2015 a 2018)!!!

    Nesse quadro que se desenhou há até seus meses atrás, senhores, o investidor em ações da Petrobrás podia esperar valorização muito grande de ações, porque grande parte da desvalorização das ações da Petrobrás até aquele momento derivava da pressão financeira que sofria para viabilizar a exploração estratégica, mas gigantesca do pré-sal. Com o aumento de produção, acerto de preço da gasolina no mercado interno, aumento de demanda internacional, e diminuição de compra de derivados para o País, a Petrobrás era um passaporte garantido para os lucros aos acionistas pelos próximos cinco a seis anos, com potencial altíssimo de valorização.

    E agora?  

    Bem, agora duas coisas pesadas ocorreram: Petrolão e OPEP. E as duas atacam a capacidade de financiamento da empresa que é essencial para manter os investimentos e realizar aquele potencial produtivo no prazo determinado e concretizar aquele horizonte dourado.. ou negro (de petróleo), se preferirem..

    A OPEP, por maioria, decidiu implementar uma guerra de preço de petróleo para inviabilizar a produção do petróleo norte-americano não convencional. Com valor de petróleo mais alto, viabiliza-se pesquisa e exploração de petróleo não convencional e de áreas ultraprofundas como o pré-sal. Se a Opep mantiver o preço baixo, diminui seus lucros, mas diminui a concorrência, inviabilizando exploração e pesquisa.

    Por conta disso, o barril que já foi do valor de US$110,00 está em US$62,00 e já se fala que pode chegar a US$40,00, em artigo publicado hoje, no Jornal O Globo, página 19, sob o título “Opep não cortará produção mesmo com petróleo em queda – Produtores já consideram possível recuo da cotação para US$40,00”. Segundo informações também publicada pelo Jornal O Globo deste mesmo dia à fl. 17, Rodrigo Más, sócio da Bain & Company afirmou que “O pré-sal é viável com o preço do petróleo entre US$45 e US$57.”

    Bom gente… a situação não é confortável.. a pergunta é essa ação do cartel internacional da OPEP chegará a inviabilizar o pré-sal? E continuará baixo assim o preço do barril por quanto tempo? Afinal, sacrifica o tesouro dos países árabes, mas sem democracia naquele local, não há grandes pressões por serviços públicos ou qualidade de vida… não há pressão orçamentária e a riqueza dos países se confunde com a riqueza das famílias reais que dirigem aqueles países…

    Nessa seara o problema é político e talvez somente uma pressão política norteamericana pudesse resolver.. como os EUA mantém a segurança local para as famílias reais desses países, seus pedidos são muito considerados… mas mesmo que não respondessem positivamente à pressão norteamericana, ficaria difícil os EUA se ausentarem daquele espaço estratégico.. então o poder dessa pressão não é tudo isso… intrincado. Por outro lado não se pode contar ainda com a pressão da demanda para aumentar o preço do barril, pois a economia internacional ainda patina com Europa, China, Índia e EUA crescendo pouco e menos do que podiam. Europa, então está muito ruim e o melhor crescimento vem mesmo dos EUA, mas baixo. Complicado.

    Se fosse outro produto, essas ações de controle de preços pelos fornecedores poderia gerar uma ação anti-dumping ou taxações para equilibrar o preço externo com o preço interno do petróleo, mas nunca se viu algo assim… rsrsrs. Imaginar que os países desenvolvidos não comprarão petróleo mais barato por ideologia ou por outro motivo, baixando a demanda para pressionar o preço para cima, não é factível. Então, sim, estamos a mercê da política de preço da OPEP, apesar de produzirem 1/3 do petróleo mundial.

    E o petrolão?

    A descoberta da rede de corrupção gigantesca na Petrobrás envolvendo dezenas de contratos, empresas e executivos da área privada, dezenas de políticos e meia dúzia de funcionários da estatal foi um soco na imagem da empresa, na de suas contas, na perspectiva de retorno dos investimentos e, enfim, no valor das ações. Há risco de perda de rating pelas agências internacionais e tudo isso reflete no encarecimento da captação de valores para financiar a produção do pré-sal, peça estratégica para as atividades da Petrobrás e realização de suas perspectivas produtivas e de retorno.

    Quem poderia prever a ação da OPEP e o Petrolão? Ninguém. Mas e agora? é o fim da Petrobrás?

    Bem gente, difícil imaginar isso. Enquanto estivermos no nível da especulação, tudo é possível, mas a verdade é que o barril já caiu a quase 50% do seu preço e que os prejuízos que a Petrobrás tem mostrado com o Petrolão estão ainda dentro de uma média de 5% da perda que toda a área privada tem com a corrupção, como já apontado pela KPMG em uma pesquisa há alguns anos informada por Elio Gaspari.

    Além disso, as parceiras da Petrobrás no Pré-sal confirmaram os investimentos para os próximos anos, além de que se discute alteração no marco regulatório da exploração do pré-sal para diminuir o impacto sobre as finanças da Petrobrás e aumentar a concorrência na área de exploração. 30% de investimento é muito e sempre fomos contra. Mexer no marco não é bom, mas se a situação pedir, sendo no sentido de mais liberdade econômica e mais participação do mercado, será bem avaliado e pode ser uma saída. Mas se o barril for abaixo de preço que viabilize a produção no pré-sal, nada disso adiantará.

    Conclusão

    Então, senhores, a regra é clara, pra quem já entrou nas ações da Petrobrás, não adianta sair realizando o prejuízo atual. E no momento o investimento nessas ações são de grande risco mesmo. Se todas as previsões ruins não se concretizarem, o investimento por agora pode ser o investimento de maior retorno em uma vida.. rsrsrs. Mas se as perspectivas ruins se concretizarem, as ações viram pó. Acho difícil a última hipótese. Mas isso é uma crença pessoal.

    Investir em ação da Petrobrás agora é somente para quem admite perder o dinheiro investido. Se subir, pode ser muito. mas pode zerar. Então é um investimento de alto risco. É impressionante… não é à toa que há diversas histórias de gênios econômicos que muito perderam em investimentos em ações… Keynes parece que foi um.

    Mas a regra básica continua e continuará valendo: ações são investimento de longo prazo e nesse sentido sua possibilidade de retorno alto é bem maior. Warren Buffet ensina que em ações ele investe em um pequeno número, de boas empresas e de produtos necessários à sociedade e que não exijam grandes investimentos para que o produto seja vendido. Petróleo é um produto assim, ao contrário de  de carros e aviões, por exemplo (ver p.s. de 14/01/2015). E investe por longos prazos. Rockefeller já disse que a melhor empresa do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada e a segunda melhor empresa do mundo é… uma empresa de petróleo mal administrada. Lendo o livro “O TAO de Warren Buffet”, você é incentivado a concluir que empresa que produz petróleo, coca-cola e chiclete são bons investimentos.

    Então senhores, nesse momento de desgraça para a Petrobrás, só aposte o que você pode perder e admita perder. Segure o que já investiu e torça para a tempestade passar.

    p.s. de 17/12/2014 – Importante nesse momento ter frieza e verificar que a corrupção na Petrobrás que está sendo descoberta é grande mas ainda parece estar ainda abaixo da média da área privada cujo prejuízo com corrupção é calculado pela KPMG em torno de 5% em prejuízo da receita das empresas privadas… para se informar sobre a diferença da corrupção na área privada e na área pública e estatais, sugerimos a leitura dos seguintes artigos http://www.perspectivacritica.com.br/2013/05/corrupcao-na-area-privada-desvendando-o.html

    http://www.perspectivacritica.com.br/2011/01/diferenca-entre-roubo-na-area-privada-e.html

    p.s. de 14/01/2015 – Texto revisado. Frase alterada para tornar mais clara a idéia.

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