Micromoradias: como as construtoras pretendem explorar o mutuário, investidor e comprador de imóvel

    89
    0

    Bem, com a crise financeira mundial e o esgotamento da capacidade de crédito dos consumidores no exterior e no Brasil, o que as construtoras podem fazer para tentar não baixar preço de imóveis? Diminuir os imóveis residenciais a serem vendidos. E para que isto seja palatável para a sociedade, o que fazer? Publicar sobre o “novo conceito de moradia”; um conceito mais libertário, mais moderno, com mais tecnologia, uma vida melhor em curso: as micromoradias, apartamentos com até 11 metros quadrados!! Que maravilha!!

    Acessem a útlima informação sobre este movimento das construtoras em todo o mundo e a entrada deste “conceito” no Brasil, através do moderno Estado de São Paulo, no endereço http://oglobo.globo.com/economia/imoveis/as-micromoradias-ganham-mundo-12962873 

    O que, na verdade, é isso? Gente, isso não é novo conceito de vida porcaria nenhuma… isso é uma forma de burlar a lei de mercado que neste momento obriga as construtoras a baixarem os preços de seus imóveis que estão encalhados!!!!

    O argumento apresentado é em termos de “inteligência de espaço”.. veja este trecho do artigo indicado acima:


    — A inteligência de espaço é a grande tendência do mercado imobiliário, e por isso comecei a investir nestes empreendimentos, sempre em regiões bem servidas de transporte público e serviços, como Vila Olímpia e Itaim Bibi. A família mudou, os costumes também e para um determinado público existe a demanda por esse imóvel — diz Alexandre Frankell, CEO da Vitacon.”

    Mas a verdade que essa é uma lógica de submissão da qualidade de vida dos consumidores para que continuem a pagar preços altos por metro quadrado. A lógica é da empresa, em seu benefício, e não do consumidor.

    Veja o trecho com o qual concordamos cem por cento:

    “O arquiteto Fabio Queiroz, do Nomads/ USP, avalia que, embora parta de bons princípios, a construção das microunidades também segue interesses do mercado imobiliário:

    — Urbanisticamente, os princípios são corretos, mas a implementação dos micro visa a ampliar o mercado. Nos EUA, isso tem a ver com a crise iniciada em 2008. Como as pessoas não podiam mais pagar por aquelas enormes casas nos subúrbios, passou-se a vender a ideia de viver em lugares apertados, próximos ao trabalho e que reduzissem gastos inclusive com carro. Aqui, tem a ver com a necessidade de o preço do imóvel caber no teto financiado pela Caixa.”

    É importante que você veja isso. Não querem baixar os lucros das empresas, em malefício do consumidor e das regras de mercado. Então, dividiram os apartamentos em menores, para que sejam vendidos na capacidade de pagamento das pessoas, mas com prejuízo de espaço, deixando intocável o valor do metro quadrado.

    Esse artigo é um perfeito exemplo de como a mídia (e a propaganda, claro) é usada para criar “conceitos” que são vendidos para nós como algo bom, moderno e novo, mas que na verdade vem com o objetivo de salvar uma situaçao desfavorável para empresas e favoráveis para o consumidor, mantendo seus lucros em detrimento da qualidade de vida do cidadão, mas envelopando para o consumidor com uma filosofia de “modernismo”, “liberdade”… mas na verdade te vendem um conceito em que você irá morar em uma muito conhecida dos anos 20 ( de 1920) “cabeça-de-porco”, que eram imóveis coletivos, em que viviam sem estrutura várias famílias pobres sem opção de moradia digna.

    É nisso que estão querendo te colocar. E inclusive é dito que nesses “novos imóveis-conceito” a cozinha poderia ser coletiva e, provavelmente, daqui a pouco, até o banheiro será vendido como luxo!!!

    Cuidado, senhores, para não caírem na falaciosa “modernidade” das micromoradias!! Os políticos acabarão liberando essa atrocidade (alterando limite de metro quadrado residencial para padrões indignos), pois serão convencidos pels construtoras com bastante dinheiro para suas campanhas (enquanto houver a legalidade das doações de campanha, que parece que terá fuim , se depender do STF), mas depende de nós não aceitar o conceito!!! Não invista nisso! Deixe as construtoras investirem e correrem risco sozinhas. Sim, é um apelo conceitual do Blog! Quem investir nisso estará financiando a manutenção do valor alto do metro quadrado atual (em momento de pressão de mercado pra queda de tais preços) e participando do risco do negócio com as construtoras de construir “cabeças-de-porco” pelas cidades do Brasil.

    Se essa idéia pegar, todos os estoques atuais das construtoras, em que elas investiram, poderão passar, quiçá, por reformas para vender apartamentos menores e manter o preço do metro quadrado, ao invés de elas baixarem os preços dos imóveis e, assim, reverter o mercado em favor dos consumidores!!!!

    O Blog Perspectiva Crítica alerta para essa manobra do mercado imobiliário para salvar seus lucros e manter especulação imobiliária ao custo de sua poupança, sua capacidade de pagamento e sua qualidade de vida!! 

    p.s. de 24/06/2014 – texto revisado e ampliado.

    DEIXE UMA RESPOSTA

    Por favor digite seu comentário!
    Por favor, digite seu nome aqui