Economia Estagnada: Por que após grande valorização imobiliária a economia patina?

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    Pessoal, o Globo acabou de publicar artigo no Jornal O Globo On Line com o título “PIB brasileiro fica estagnado”, hoje, 06/12/2011. Confira no endereço http://oglobo.globo.com/economia/pib-brasileiro-fica-estagnado-no-terceiro-trimestre-3390761

    Mas não diziam que a inflação era galopante? Há três meses atrás, em setembro de 2011, não estavam dizendo que como o acumulado da inflação tinha atingido 7,5% de acumulado nos últimos 12 meses seria o fim do mundo?!?! E que por isso deveria ser aumentado so juros selic? Para conter a inflação galopante.. rsrsr

    Senhores e senhoras, fico muito satisfeito em estar apontando com responsabildiade a real evolução econômica do nosso País desde sempre, mas especialmente desde Janeiro a Abril de 2011, indicando que a inflação não estava descontrolada, que o controle não deveria ser por juros selic, que o controle inflacionário deveria respeitar as causas específicas (em grande parte externas) da inflação, que o controle interno deveria ser via medidas macroprudenciais para não prejudicar o PIB e o emprego de brasileiros, que as medidas do Banco Central só têm efeito 6 meses após admitidas e executadas, que desde abril a inflação recuava mensalmente e que o importante para o futuro é a tendência de curto prazo da inflação e não a dos últimos doze meses… se o índice inflacionário no curto prazo indica arrefecimento, e se as causas do arrefecimento se mantêm, é lógico que a inflação arrefecerá para o futuro.

    Você que está conosco pode estar surpreso de que tudo o que foi mencionado por nós ocorre e fecha um ciclo de fato. Não imaginamos, somente, que a Europa estaria no risco em que está, da forma que se encontra hoje, apesar de que dissemos, desde de o atingimento de relações dívida/pib exorbitantes verificadas em dezembro 2010 por esses países, que a Europa somente limparia suas finanças públicas entre sete e dez anos.

    Bem, bem, bem.. Nós informamos você muito melhor do que jornais de grande mídia, neste quesito.. fico feliz em poder dizer isso, mas ficaria mais se ao invés de a grande mídia tentar induzir uma realidade econômica inexistente para justificar aumento de juros selic (o que só beneficia bancos), fosse crítica e ajudasse o Brasil a debater as reais causas da inflação quando esta se apresenta e a discutir as melhores saídas para controlá-la, o que não fez durante todo o ano de 2011.

    Mas, estou aqui hoje para te explicar, de forma muito breve e simples um fato interessante. Após a bolha imobiliária americana e européia a economia degringolou. Após a bolha imobiliária brasileira, que ainda está aí, a economia patina e o terceiro trimestre de 2011 tem previsão de 0% de crescimento. Qual a conexão?

    Sim, houve no caso americano e europeu o problema dos títulos sub-prime, mas que se referiam a financimento de imóveis mais uma vez (ou melhor financiamento de consumo a partir de garantia hipotecária baseada em valorização futura de imóveis – mas isso só era possível por haver movimento de valorização imobiliária). E aqui este problema não ocorreu. Mas acontece algo que é comum e compreensível no fato de que grandes valorizaçãoes imobiliárias prejudicam a economia.

    Tudo que ocorrer exageradamente em um setor cria um desnível sistemático na economia, ou gera um reflexo, naturalmente, mas a questão imobiliária é muito interessante. Vejamos.

    Todo mundo precisa morar, comprando imóvel ou alugando imóvel. Mas se há uma supervalorização em curto espaço de tempo o que ocorre? A renda e o PIB não terão crescido suficientemente para compensar este aumento de dreno financeiro da economia.

    Veja, todo aumento de bens gera um dreno financeiro na economia. Alguns bens você pode deixar de comprar ou pode substituir por um tempo e isto é algo que arrefece o movimento de aumento exacerbdo daquele bem. Por exemplo, carro. Aumentou muito carro? Não compre. O carro passa a baixar (o que está acontecendo agora – um palio chegou a custar 30 mil reais e agora baixou bastante – ver p.s.2 de 07/12). Ninguém deixa de viver sem carro. Mas não é possível deixar de comer ou de morar. Mesmo na favela não há moradia gratuita plenamente.

    Assim amigos, a grande valorização de imóveis, apesar de ser ótima para os investidores em construção de imóveis e proprietários, gera um grande dreno financeiro na economia. A pessoa se endivida e mora, mas o que ocorre com as vendas de carros? Vendas de roupas? Restaurantes e etc? Não sobra dinheiro para essas outras coisas.

    É claro que o juros alto também leva a um freio na economia, mas a economia americana está com o mais baixo juros de sua história e o europeu idem, isso por si só não ativa a economia. Lá a situação é diferente daqui e não foi meramente a valorização de imóveis que criou a situação preocupante que há lá. O golpe econômico com a quebra do sitema de títulos subprime desolou a economia americana e européia, mas é importante tomar ciência desse efeito interessante da grande valorização imobiliária: não somente há enriquecimento de parte da economia e população, há um grande torno financeiro que é aplicado na economia que fica com muitos recursos direcionados a um setor da economia e desabilita outros setores, podendo gerar, como de fato está gerando no Brasil, estagnação econômica.

    Ninguém fala disso. Não há estudos sobre o impacto de uma supervalorização imobiliária na economia, mas isto é um fato e é grave e merece a devida atenção que este Blog tenta corrigir. É claro que a queda da economia mundial, a crise financeira internacional também tem a ver com isso. Mas o consumo interno é um grande percentual (creio que 66%) de nossa economia e quando as famílias deixam de comprar, o poder de se concretizar a estagnação econômica é muito grande. Acho que é o que ocorre hoje e uma causa importante, além de juros selic alto e tributação alta, é o impacto que ainda existe da supervalorização imobiliária (ou bolha imobiliária) sobre a capacidade de compra das famílias brsialeiras.

    Termino esse artigo dizendo que mesmo com essa estgnação do crescimento do PIB, nossa situação é muito melhor do que em todo o mundo. Mas a insistência em aumento de juros contra a evidência de grande endividamento das famílias brasileiras, que passaram por correots benesses e estímulos de consumo pelo governo por 2009 e 2010 como forma de impedir a queda de nossa economia, aliado ao estratosférico valor de imóveis para compra e venda e para aluguel no Brasil, está gerando uma incapacidade ou desmotivação de consumo e a consequente estagnação da economia. É reversível.. através de diminuição de juros selic, diminuição de tributação e correção de preços de imóveis, tanto em termos de compra e venda como em relação a aluguel.

    A correção imobiliária, a meu ver, se aproxima.

    p.s.: Desculpem, a frase final ficou um pouco longe do texto. Como cheguei a ela? Economia é muito interessante e tem diversos canais de intercomunicação. Todos querem entender esses canais, mas nunca se consegue fechar perfeitamente o circuito. Eu acredito que o exercício proposto por artigos como esse tem esse fim e que os artigos convencionais são muito herméticos e simples, criando uma ilusão de controle, que na verdade não existe. O que se pode fazer é enteder as variáveis o mais que se puder e constrastá-las de tempos em tempos e verificar seus efeitos. Isso evidencia que há canais limitados na economia, ou diríamos grandes canais que influenciam fortemente a economia, e a alteração de fluxo financeiro nesses canais torna perceptível uma tendência de crescimento ou decréscimo em outros canais e/ou escoadouros.

    Explicando a última frase “A correção imobiliária, a meu ver, se aproxima”, tenho a dizer que como reflexo da perda de fôlego da economia já se vê a descompressão de taxa de juros selic (taxa selic em 11% e em tendência de fechar 2012 a 10%) e tributária (através de incentivos tributários, tais como diminuição de IPI, Pis/Cofins etc.). Falta uma outra forma de correção ocorrer: a correção imobiliária. Esta não é mais difícil nem mais fácil de ocorrer, mas depende exclusivamente de mercado, ao contrário da Selic e de tributos que são decididos.

    Mas a correção ocorrerá, por quÊ? Porque a supervalorização imobiliária drena valores da economia. Assim, as pessoas gastam menos em outros setores da economia e a economia desaquece. Quem compra ou aluga um imóvel não alugará ou comprará outro tão cedo e isso baixa demanda. E quanto aos juros selic e tributos? O problema é que se a baixa da selic e de tributos não for muito boa a ponto de compensar o endividamento das famílias ou se continuar aumento de aluguéis e imóveis, elas continuarão pagando caro para morar e não sobrando valores para outros setores econômicos. Assim pode iniciar processo de retração econômica e desemprego. Com desemprego ou com grande endividamento, as pessoas começam a não poder pagar hipoteca, financiamento imobiliário e/ou aluguel, e o desfazimento de negócios, o acionamento de garantias imobiliárias dos financiamentos não pagos, e os despejos ou trocas de imóveis alugados, gerarão aumento de oferta de imóveis no mercado para compra/venda e para aluguel, obrigando a baixa de preços de imóveis seja para compra/venda, seja para aluguel.

    p.s.2: Segundo o artigo O Globo On line suso citado, desde o terceiro trimestre de 2009, houve diminuição de crescimento de quase todos os trimestres posteriores em comparação com o trimestre anterior, chegando no 3º trimestre de 2011 a crescimento de 0% em relação ao segundo trimestre de 2011. As informações sobre expectativa econômica há tempos era de arrefecimento, mas durante 2010 e 2011 os jornais preocuparam-se só com inflação, sem ver o endividamento das famílias e a baixa na atividade econômica. Segundo o mesmo artigo os números de evolução de pib por trimestre, na forma crescimento%/trimestre são desde 1º trim 2009 até o 3º trim 2011: -1,7%/1º trim 2009; 2,0%/2º trim 2009; 2,5%/3º trim 2009; 2,4%/4º trime 2009; 2,0%/1º trim 2010; 1,6%/2º trim 2010; 1,0%/3º trim 2010; 0,7%/4º trim 2010; 0,8%/1º trim/2011; 0,7%/2º trim 2011 e 0,0% 3º trim 2011.

    p.s. 07/12/2011: texto revisto e ampliado

    p.s.2 07/12/2011: texto revisto e ampliado. Há no fim de dezembro de 2011, como já ocorre há dois meses, um arrefecimento de preços em geral de automóveis. O Tiguan da Volkswagen já chegou a custar uns R$160.000 e hoje pode ser comprado a R$110.000,00. Eu, por exemplo, comprei um Peugeot 307 2011/2012, agora, de R$54.000,00 por R$47.307,47(tá bom, o modelo 308 vem aí… mas o estoque deles está alto, não só o 307 baixou preço e a compra de carros diminuiu em geral). O exemplo do Pálio pode não ter sido o melhor, pois sites especializados estão cotando o Pálio 2011 em torno de R$30.000,00. Entretanto, vá à concessionária. Já cheguei a ver Pálio novo custando R$32.000,00 e acho difícil que vendam novos por R$30.000,00 se há outros carros melhores e mais bonitos que baixaram de preço e estão abaixo deste patamar. Depois da febre do ano passado, acho difícil sobra de valores, ainda mais com aumento de custo de moradia, para compra de carros novos. Por isso arrefeceu o movimento de valorização de automóveis.

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