Domenico de Masi denuncia que o modelo de vida atual foi criado por banqueiros e sugere outro

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    O autor de “Ócio Criativo”, o sociólogo italiano Domenico De Masi, em entrevista para o Jornal O Globo, conforme artigo publicado na edição de 26/01/2014, pg. 49, intitulado “Brasil contribuirá para um novo modelo global” informa durante a entrevista em que expõe as premissas de seu novo livro “O futuro chegou: modelos de vida para uma sociedade desorientada”, que na falta de organizações sociais de dimensão internacional para moldar a vida em todo o mundo, os banqueiros fizeram esta tarefa e moldaram a vida social consoante seus parâmetros, o que hoje chegou em limites de sustentação e demanda uma nova forma de vida que ele diz poder ser baseada na experiência do Brasil, com mais miscigenação, bom humor, vivacidade e boa vontade.

    Em suas palavras a sociedade brasileira apresenta características positivas fantásticas e que não se encontra nessas mesmas quantidades em nenhum lugar do mundo tais como “sincretismo, cordialidade, sensualidade sem culpa, receptividade, amizade, antropofagia cultural, a postura positiva em relação à vida, a aversão à guerra, a baixa propensão ao racismo, a tendência a considerar fluidos os limites entre o sagrado e o profano, entre o formal e o informal, entre o público e o privado, entre a emoção e a regra.”

    Mas o que muito me chamou a atenção é a denúncia, justamente sobre o que já falamos mil vezes, de que a ala financeira molda a perspectiva social através de suas ótica, financiando pesquisas, cursos, mídias e cooptando a classe intelectual e a classe de jornalistas e produzindo informação em massa no sentido que definiram como ideal, mesmo que em prejuízo da classe produtiva, de empresas, de cidadãos e do próprio país.

    Veja as palavras de De Masi sobre isso, transcrito do artigo suso mencionado: “O modelo (de vida) que nos ocorre hoje deve ter uma ótica planetária e, logo, deve envolver os melhores intelectuais de cada disciplina e de todo o mundo. Atualmente, não existe uma organização prática que possa recolher e coordenar essas contribuições, e este vazio foi preenchido por banqueiros. Com recursos, eles homogeneizaram a economiae com a economia homogeneizaram a política, impondo seus valores. (…)”

    O que eu quero dizer? Quero dizer a você que o que escrevemos aqui no Blog Perspectiva Crítica não é papinho de esquerdinha, de lulismo e outras alcunhas inferiores que se possa dizer. Nossas afirmações, todas nossas afirmações, são cuidadosamente ponderadas para você e encontram-se em consonância com os mais finos pensamentos intelectuais contemporâneos, sejam sociólogos, filósofos, historiadores, economistas e jornalistas.

    Não preconizamos “teorias conspiratórias” e nem dizemos que o mundo tem que vir a ser comunista como solução para as desigualdades sociais e as mazelas de nossa sociedade atual, mas falamos aquilo que percebemos que é a verdade, seja social, seja econômica, seja política, seja de vida.

    O vácuo de coordenação da produção intelectual mundial no sentido da construção de uma sociedade mais justa foi preenchido pelos bancos. Ok. Melhor do que nada. Mas a sociedade deve continuar a evoluir a bem de todos os indivíduos. Isso é importante. A evolução deve ser a bem do indivíduo, todo o indivíduo que exista no Brasil e no planeta, o que inclui pobres, criminosos, negros, asiáticos, judeus, palestinos, baixos, altos magros, de olhos azuis e de olhos negros, mendigos, prostitutas e pessoas de família estruturada e, porque não, banqueiros, ricos, trabalhadores normais enfim, todos.

    Isso demandará novas prioridades. Isso demandará nova coordenação de idéias, como De Masi informa. Nós, do Blog Perspectiva Crítica, já trabalhamos assim desde junho de 2010, com objetivo em sublinhar novas idéias, em denunciar os pressupostos de uma visão que domina hoje a compreensão da realidade social. E não só denunciamos, mas propomos outra visão. E fundamentamos nossa perspectiva, indicando fontes para que você leitor possa acompanhar os meandros de nosso raciocínio e possa ter acesso às fontes, ao fundamento, para criticar você mesmo e tirar suas próprias conclusões.

    A ala financeira, legitimamente, atuou e atua ainda, criando nossa perspectiva social, base de valores e forma de organização econômica e social… ok… mas agora que a internet existe, talvez possamos passar a fazer essa coordenação sozinhos e criar agora, aos poucos, de forma organizada e sedimentada, um novo estágio da organização mundial em que o objeto principal da atenção seja somente e tão somente o cidadão e a sua qualidade de vida.

    Quem sabe? É possível e eu acredito nessa mudança de foco… mas precisamos de gente que faça isso… precisamos de mais consciência… precisamos, leitor, de você.

    Compartilho, ainda, a última frase de Domenico, na entrevista mencionada… demais: “A História ensina que, quando velhos modelos não satisfazem mais, mais cedo ou mais tarde floresce um novo, que oferece mais esperança e serenidade”.

    Demais!

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