Diferença entre o baixo crescimento brasileiro, americano e europeu

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    Esse final de semana, e já antes disso, estamos podendo ver várias publicações jornalísticas sobre a não pujança do PIB do Brasil para este ano, diminuição de previsões de investimento, saída de dólares, ligeiro pique inflacionário (verificado mais no IGPM do que no IPCA, que tende a decrescer até o fim do ano e mês a mês)… o que está acontecendo?! Também posso notar abordagens da grande mídia, em especial do Globo (hoje com uma qualidade informativa bem melhor e mais cautelosa do que em 2010 e 2011 em que jornalistas e edição acharam que o que publicassem se tornaria realidade) no sentido de tentar colar a idéia de despreparo, falta de rumo e método à política econômica e industrial do governo.

    Vejam, eu gostei da cobrança da mídia da concretização das obras do PAC. Mas quem não tem método me parece ser a mídia, pois, quando lançado, o PAC (que tem uma previsão de investimento em infra-estrutura gigantesca e potencial de gerar emprego e riqueza enormes, diminuindo gargalos da infra-estrutura e o custo Brasil) foi tratado pela mídia como peça fictícia eleitoreira. Inclusive, por um bom tempo foi tratada como capaz de gerar inflação e gerar gastos orçamentários. Agora, depois de ter diminuído o ritmo para diminuir gastos, quando isso foi pedido pela mídia nos anos de 2010 e 2011, o não atingimento de metas do PAC é tratado como uma ineficiênica de governo e falta de cumprimento de promessa.

    Eu quero, leitor, que você entenda que como o Globo e a grande mídia apóiam os tucanos incondicionalmente, e ambos juntos apóiam a elite financeira brasileira, há método filosófico e comercial nessas mudanças de abordagens. O filosófico impõe o combate ao governo. Não porque a mídia deva sempre fustigar o governo, o que seria ótimo, mas porque é um governo petista. Um governo tucano nunca seria fustigado assim, como o segundo e ridículo governo do FHC não foi fustigado pela mídia. Do lado comercial, é importante saber aproveitar a oportunidde de vender novidades. Assim ao invés de análise crítica com demonstração mais técnica e científica da evolução de números econômicos, expondo suas correlações, é aproveitado um contexto adverso, com base na verdade em uma crise grave internacional, e apresentam-se os reflexos deste contexto na economia brasileira como adversidades que não puderam ser visualizadas e administradas pelo governo, tentando mostrar uma ineficiência que não existe, ao meu ver. Mas fazer essa publicidade de caos gera apreensão e vende jornal. Quero que você veja isso.

    Assim selecionei três artigos qu em conjunto publicados pelo Globo no sábado e no domingo, dias 02 e 03 de junho de 2012 (os dois dias mais lidos do País) tentam criar esse contexto de perda do rumo da economia do País, inclusive em comparação com outros países e tentando incutir a idéia de que o crescimento que ocorreu até aqui foi “mágica” e não resultado de trabalho técnico e árduo do governo. Acho chato isso, pois há coisas a serem debatidas, mas quando se tenta retirar a verdade de fatos, somos obrigados a fazer o contraponto para reestabelecer a verdade para só depois poder fazer críticas sobre o que de fato está errado ou possa melhorar na política econômica do governo. Mas, fazer o quê?

    A entrevista de José Roberto Mendonça de Barros, de 03 de junho de 2012, pg. 40 do Jornal O Globo, intitula-se “Não dá para repetir a mágica do passado”, referindo-se em especial a 2010, quando Brasil teve cresimento de PIB em 7,5% estimulando em grande parte o consumo (mas não só).

    O fato de em 2009 a 2010 e primeiro semestre de 2011 o governo ter garantido verbas para as empresas brasileiras não pararem por falta de capital externo congelado no mundo pela crise de 2008 já é prova de que não houve simples estímulo ao consumo. Mantiveram-se empregos. E, sim, o governo pôde utilizar-se do ainda não alto endividamento das famílias brasileiras (ainda mais em comparação com o endividamento familiar estrangeiro), pois não adianta produzir se não houver quem compre. Assim, PAC e a garantia de financiamento à aquisição de carros e imóveis moveu o governo e o País. E isso não foi errado e nem “mágica”. Isso foi o que devia ser feito.

    Agora, dando curso a um movimento que não contou com o apoio do mercado nem da Miriam, desde julho de 2011, a queda de juros Selic, foi seguido do ataque do governo a juros bancários (hoje em queda) e novamente estímulo a consumo e produção de carros e imóveis, mas o apelo ao consumo não poderia ter o mesmo potencial de turbinar a economia porque as famílias estão endividadas. Isso já tinha sido dito pelo Blog há meses. Sim, o efeito não será o mesmo, mas não está totalmente errado tentar, pois isso demonstra aos investidores que o País apóia a produção.

    Por outro lado, a baixa do juros selic beneficia toda a economia e a baixa dos juros bancários também. Também está havendo desoneração tributária dispersa em vários setores, em especial recentemente com a desoneração tributária da energia. Mas falta realmente uma política industrial mais organizada e ampla e focar tanto apoio na indústria de automóveis não é o melhor possível (Miriam está certa em criticar). Bem, para isso, agora, pode o governo tentar dar fôlego ao PAC de novo, que beneficia toda a economia.

    Então senhores, a menção à “mágica” realizada antes, como mencionou o ilustre José Roberto Mendonça de Barros é uma simplificação desprestigiosa de medidas sérias, eficientes e pensadas tomadas pelo governo petista quando foi necessário em 2009/2011, inclusive contra o mercado, por vezes como a baixa da selic.

    O outro artigo que vem ao encontro desta tentativa midiática de desqualificar a política econômica do governo é intitulado “País pode perder US$3 bilhões de montadoras”, criticando aumento de tributos para veículos importados. Lendo a matéria parece que o governo erra em aumentar a tributação sobre importados e assim evita entrada de dólares… ainda mais em um momento de valorização da moeda estrangeira..

    Veja, o mundo todo está perdendo empregos. Os ingleses estão mandando embora parte dos estrangeiros empregados (adotaram um corte de renda, abaixo do qual o estrangeiro regular e empregado deve ser mandado embora) para garantir emprego a ingleses. E o que deve o governo brasileiro fazer? Estimular a compra de importados? Ou estimular a vinda de indústrias para fabricarem aqui e criarem emprego a brasileiros? Não preciso nem dizer, óbvio.

    O dólar sobe porque a Europa vai mal. Esse movimento é mundial e é de defesa em relação ao futuro. A economia americana vai mal mas ainda é a maior do mundo e quase do tamanho da Europa, só que com governo e política orçamentário-fiscal únicos e não multifacetados como na Zona do Euro. Aliado a isso, o governo não pode ficar desprestigiando a indústria nacional, ainda mais porque nenhum outro país o está fazendo, sendo os subsídios americanos e europeus para a indústria nacional de seus países os maiores do mundo disparados, disparados.

    Então, a idéia de prejuízo ao Brasil que este artigo tenta vender, dentro do contexto de fim de semana que quis criar de falta de visão do governo, está também errada.

    E por fim, a colunda da Miriam Leitão, de Sábado, 02/06/2012, intitulada “Perto de zero”, tenta mostrar que o Brasil sai do rumo apresentando crescimento de 0,2% no PIB do primeiro trimestre de 2012, enquanto a Alemanha apresentou 0,5%, EUA apresentou 0,5%, Japão 1%, Coréia do Sul 0,9%, México, 1,3% e Chile 1,4%.

    Senhores, concordo que temos de prestar atenção à queda do PIB, aliás, muito prejudicado pelo apoio dado pelo Globo, pelo mercado e pela Míriam à manutenção de juros selic altos por tempo demais, enquanto outras economias baixavam seus juros básicos. Mas será que EUA, Alemanha, Japão, Coréia do Sul, México e Chile podem ser comparados conosco assim tão diretamente, sem maiores considerações?

    Eu não troco nosso crescimeno de 0,2% pelo crescimento destes outros países, no primeiro trimestrede 2012, pelo nível de endividamento de EUA (100%), Alemanha (85%), Japão (200%), já que o Brasil está em 36%. Também não troco os 0,2% do Brasil por uma Coréia do Sul sem previdência social. Ou por um México sendo mero entreposto comercial americano e em convulsão social, praticamente tomado por máfias e grande parte da economia interna na mão de estrangeiros. Nem muito menos troco nosso 0,2% pelos 1,4% de um Chile sem educação pública gratuita (motivo do movimento Occupy chileno), sem previdência social e dependente de exportação praticamente de um único produto mineral.

    Então, é importante vermos a qualidade do crescimento do Brasil em relação ao crescimentodo PIB desses outros países. Vamos assim tentando mostrar a vocês que o clima de descontrole que a mídia está propagandeando sobre a política econômica brasileira, eu não estou vendo.

    Isto posto, os próximos artigos do Blog podem se ocupar de sugestões propositivas e construtivas de rumos econômicos e outros temas negligenciados pela mídia convencional que não se preocupa muito em como tornar a vida no Brasil semelhante à nórdica, mas que se preocupa muito em manter status quo econômico que não beneficia a maioria dos brasileiros

    Abraços.

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