Crítica ao artigo “Patriotismo”, escrito por Merval Pereira

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    Que a grande mídia e Merval não queiram que a descoberta de espionagem à Presidente Dilma e à Petrobrás seja motivo para um crescimento de bravatas tupiniquins que nos levem à situação política da Venezuela, eu entendo. Mas a tentativa de comparar essa espionagem de um Chefe de Estado, grampeando seu telefone celular e ouvindo por dez anos suas comunicações pessoais ou da maior empresa do Brasil e uma das maiores petrolíferas da mundo, à espionagem efetuada pela Abin de consulados, no território do Brasil, do Iraque, Irã e Rússia é tão ridículo e tão apelativo que me pergunto qual é o objetivo real disso…

    É claro que Merval tem muitos amigos nos EUA e já ganhou prêmios de reportagens por lá. Mas agradar seus amigos americanos justifica tentar colocar em mesmo patamar a atuação da contraespionagem brasileira de consulados no Brasil (em território brasileiro), de amplitude altamente limitada e de evidente teor de contraespionagem (defensivo), a invasiva espionagem que os EUA faz de seu País contra país dos outros, e mais, violando sigilo telefônico de Chefe de Estado de País dito aliado? Só pode ser brincadeira.

    Merval é americanófilo. Todos sabem. Ele gostaria que o Brasil fosse os EUA. Mas nesse caso, mesmo tendo dito que a Dilma respondeu bem e à altura, acho muito esquisito a forma como escreveu o artigo “Patriotismo” reputando que é o último refúgio dos canalhas… até é.. para os canalhas… Nesse caso, os canalhas foram os norteamericanos, sem dúvida alguma! E essa invasão absurda, desrespeito à soberania brasileira, mexicana e de europeus, deve sim ser alardeada em altos brados para que se saiba até que ponto os EUA podem chegar para “defender” seus interesses.

    Não há o que entender na ofensa norteamericana a direitos individuais e à violação à soberania de países (grampear autoridades oficiais de países estrangeiros em seus países natais é violação de soberania e interferência em assuntos internos) e de sigilos e comunicações empresariais!! Não há o que comparar nem minimamente. O grampo norteamericano não foi do telefone da Embaixada do Brasil nos EUA, mas do telefone particular e oficial da Presidente do Brasil, da Presidente da Alemanha.. foi grampo no território brasileiro, de telefones brasileiros e de autoridades, empresas e cidadãos brasileiros.. isso nem remotamente se compara com atos de contraespionagem que o Brasil perpetra em território nacional para acompanhar o que países estrangeiros fazem aqui através de suas Embaixadas e Consulados… essa comparação é ridícula e antipatriótica!!!

    Para mim, essa insistência em descaracterizar a gravidade dos atos norteamericanos soa como ação em defesa de interesses americanos e não brasileiros. O que Merval e a grande mídia (excluo Miriam Leitão disso… ela apoiou a postura de Dilma no caso e não justificou de forma alguma a ação norteamericana) deveria dizer é que houve abuso sim e que por mais que tratados possam não ter o condão pleno em impedir isso, que vale à pena tentar limitar a anti-ética entre Estados e que os EUA devem desculpas ao mundo, como, aliás, estão tentando dar, admitindo que a espionagem “funcionou no piloto automático”, ou seja, que não houve intenção governamental nos excessos.

    Se o patriotismo é o refúgio dos canalhas… Merval parece estar realmente bem longe da canalhice… talvez seja bom para ele… e para os EUA.. mas é ruim para o Brasil.

    p.s.: revisto e ampliado.

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