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Crítica ao artigo “Estatais federais fizeram 55.836 novas contratações de 2010 a 2014”, do Jornal O Globo

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Este artigo informa que de 2010 a 2014 as 135 estatais “incharam” seus quadros em 55 mil servidores a mais e que o prejuízo delas se dá nos seguintes limites:

“Em termos agregados, o prejuízo das empresas públicas brasileiras, no ano passado, beirou os R$ 60 bilhões, com os resultados negativos de gigantes como Petrobras, Eletrobras, Correios e Infraero. A penúria financeira das estatais contamina as contas públicas. Segundo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) divulgado neste mês, as empresas públicas responderam por um deficit primário de R$ 1,7 bilhão no ano passado.”


Acesse a íntegra em   http://oglobo.globo.com/economia/estatais-federais-fizeram-55836-novas-contratacoes-de-2010-2014-19588640#ixzz4ED8qMkPb 

O crescimento desses empregados todos é aumento de 11% em quatro anos no número total de empregados que as estatais já tinham. E se deu de 2010 a 2014, “ininterruptamente”, como publicado.

Não há a lista dessas estatais, mas hospitais e a Embrapa são tratados como estatais que dão retorno social e não econômico. Já vemos aí um erro grave. Apesar de ser mais difícil ver retorno econômico nessas estatais do que no Banco do Brasil, por exemplo, a Embrapa não é responsável pela melhora constante da eficiência da produção agrícola? E por que não colocar estes valores na conta e ver o retorno da Embrapa em arrecadação, por exemplo com a atividade agropecuária? Não entendo.

E hospitais? Estes são mais difíceis de ver o retorno para o Estado, admito, mas talvez, se calculassem a capacidade de trabalho recuperada para o doente que voltará a trabalhar, houvesse um cálculo de retorno econômico dos hospitais. Mas o mais importante, já que não é a busca pela dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III da CF/88), poderia ser o fato de que atendimento público gratuito de saúde é retorno aos cidadãos por imposto pago em serviço público essencial. Aí tem que ter gasto mesmo, porque algum retorno há que se ter do imposto pago, como o há na França, Alemanha e Inglaterra.

É importante que se note que a notícia, que ataca o setor público, não dá a notícia de que o período de contratação foi um período de alta do PIB que em valores correntes só cresceu desde 2009/2013. Segundo o IBGE o PIB em valores correntes nos anos de 2009 a 2013 foram: 3, 33 bilhões de reais em 2009, 3,88 bilhões em 2010, 4,37 bilhões de reais em 2011, 4,80 bilhões de reais em 2012 e 5,31 bilhões de reais em 2013. Não contamos os dados para os anos de 2014 e 2015, que se apre4sentaram maiores do que estes últimos por serem dados previstos com base me dados preliminares e não consolidados como os dados dos anos de 2009 a 2013. Veja o gráfico completo em http://brasilemsintese.ibge.gov.br/contas-nacionais/pib-valores-correntes.html

Mas não só. NO mesmo gráfico você tem link para outros gráficos do IBGE que demonstram que neste período a Renda Nacional Bruta cresceu e o Pib per capita cresceu também, em todos os anos de 2009 a 2013.

Mas não só. O crescimento do PIB foi de 7,6% no ano de 2010, de 3,9% em 2011, de 1,8% em 2012 e de 2,7% em 2013. Em 2009 o crescimento foi negativo em 0,2%, mas havia sido positivo em 5% em 2008, 4% em 2007 e 6% em 2006. o que faz parecer o PIB estável de 2009 um soluço. Acesse os dados em https://pt.wikipedia.org/wiki/Evolu%C3%A7%C3%A3o_do_PIB_do_Brasil

Assim, sem descontrole no meio fiscal e econômico que refletisse em números econômicos, as empresas tinham que se preparar para o crescimento de suas demandas. Houve exageros? Pode ter ocorrido. Mas um aumento de 10% nos funcionários da Petrobrás e de 21% nos funcionários do Banco do Brasil e 19% nos funcionários da Caixa Econômica Federal não parece desapropriado. Até porque, desde 2010 até hoje, em 2016, ao menos o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal só dão altos lucros!!

A Petrobrás? Bom, a queda do Petróleo de 120 dólares o barril para 28 dólares, por manipulação do preço internacional pela Arábia Saudita, que se fosse outro país seria chamado de terrorista econômico mundial e teria enfrentado guerra dos EUA e aliados, prejudicou muito a empresa e agora ela tem que se adaptar, mas esse prejuízo ocorreu a partir desta queda do petróleo, no ano de 2013, quando a maior parte do aumento de funcionários já tinha ocorrido. E quanto aumento a produção de petróleo de 2010 a 2014 pela Petrobrás? Muito mais de 10%!!!

Naturalmente, com a queda de preço internacional os valores podem mudar, mas para o crescimento da produção de petróleo bater recordes e sair de pouco menos de 2 milhões de barris diários para 4 milhões daqui a alguns anos, parece necessário contratar pessoal, não? E olhem as informações de produção prestadas pela Petrobrás em janeiro de 2016. Selecionamos os seguintes trechos:

“No ano passado, a produção de petróleo que realizamos no Brasil superou a meta fixada para o período de acordo com o Plano de Negócios e Gestão pela primeira vez nos últimos 13 anos. A marca de 2,128 milhões de barris por dia (bpd) atingida no período representa alta de 4,6% diante do resultado do ano anterior e 0,15% acima dos 2,125 milhões previstos em nosso plano de negócios.

A média anual da produção operada na camada pré-sal em 2015 também foi a maior da nossa história, atingindo uma média de 767 mil barris por dia, superando a produção de 2014 em 56%.

Se considerada também a extração de gás natural, que cresceu 9,8% diante do ano anterior, a produção total chega a 2,6 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) – 5,5% maior que os 2,46 milhões boed de 2014.”

Acesse a íntegra em http://www.petrobras.com.br/fatos-e-dados/producao-de-petroleo-anual-no-brasil-aumenta-4-6-e-supera-nossa-meta-de-2015.htm

Então, gente, infelizmente, como soe acontecer, o artigo que criticou a contratação foi fraco. Muito fraco. Podia ter falado que na cúpula das estatais apadrinhados são colocados sem conhecimento0 técnico. Disso não teríamos o que falar. Poderia dizer quais são todas as estatais listadas, para que o leitor tivesse noção do que o artigo propagandeia; isso seria mais transparente. Mas aí o leitor se depararia com hospitais e fundações públicas que são escolas também… não apoiaria cegamente o viés do artigo contra as contratações.. ou seja, causou desinformação em massa.

Triste. O artigo bateu em um ponto importante ao tentar discutir a Administração Pública, mas foi omisso em informar com qualidade. Nem todas as contratações foram ruins, e muitas delas geraram aumento de prestação de serviço público e inclusive crescimento de lucros para algumas estatais e foram, então, contratações sustentáveis, efetuadas em ambiente de crescimento econômico, antes da queda generalizada da economia e do orçamento, a partir do segundo semestre do ano de 2013.

Essa é a verdade.

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