Crítica à imputação de “incompetência gerencial” ao governo federal pela Míriam Leitão em 14/06/2012 – a esquizofrenia na mídia brasileira

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    Pessoal, devo mais uma vez apontar uma, talvez, injustiça da mídia com o Governo Federal. É importante fazermos análises de acusações e imputações midiáticas em relação ao governo federal dentro de uma perspectiva histórica, para não deixarmos a mídia à vontade para ficar fustigando o governo em relação a reflexos atuais de má governança criadas pela própria mídia, quando exigiu em demasia e desnecessariamente posturas do governo em determinado momento, de forma sensacionalista.

    Vejam, quando o PAC foi criado (ne verdade uma jogada de marketing político do LULA dando o nome de PAC às previsões de investimentos públicos do orçamento, mas que tiveram uma dimensão e foco realmente importantes em obras públicas para infra-estrutura), a grande mídia intitulou imediatamente de eleitoreiro e inflacionário.

    Além disso, durante a crise financeira mundial desde 2008/2011, a grande mídia (Miriam e O Globo juntos) ficou exigindo que o governo federal não gastasse para que não houvesse “pressão inflacionária” (exigiram aumento de juros selic também) e para que o superávit fiscal fosse satisfeito e perseguido, senão aumentado.

    Essas exigências da mídia chegaram ao cúmulo de durante a crise aguda econômica, no segundo semestre de 2008, defenderem que os próprios brasileiros não gastassem, quando o estímulo ao consumo incentivado por Lula era imprescindível para que se impedisse que nossa economia não degringolasse como a de americanos e europeus sofria.

    Bem, agora, que há exagerados superávits fiscais e enxugamento exacerbado de orçamento, como a mídia exigiu, gerando muito dinheiro ao País, mas prejudicando nosso crescimento, a mídia começa a acusar o governo de “má gestão gerencial” por não executar o orçamento adequadamente… é ou não é esquizofrênico?

    A mídia tem responsabilidade na não execução do orçamento brasileiro ao somente exigir enxugamento de orçamento e diminição do que chama de “gastos públicos” e por pedir aumentos e aumentos de superávits fiscais, mesmo sem a necessidade de que isso ocorra hoje dessa forma excessiva.

    Se a mídia tivesse sido responsável, ponderando e exigindo equilíbrio entre cumprimento de execução orçamentária, investimentos públicos, investimentos em servidores e obras públicas, perseguição de superávit fiscal responsável e manutenção de relação dívida/pib razoável, haveria hoje possibilidade de se saber se a inexecução orçamentária realmente derivaria de incompetência gerencial. Mas tendo somente exigido corte de gastos, corte de valores a servidores públicos e perseguição de superávit primário alto, não pode acusar o governo de não realizar os investimentos públicos que deveria, não é mesmo?

    Veja a crítica que fiz ao artigo publicado no Blog da Miriam em 14/06/2012, intitulado “Governo investe pouco, mas pede que Estados invistam mais”, acessível em http://oglobo.globo.com/economia/miriam/posts/2012/06/14/governo-investe-pouco-mas-quer-que-estados-invistam-mais-450445.asp

    “Eu concordaria 100% contigo Miriam, se não fosse o fato de que durante 2010 e 2011 você e o mercado exigiram o que puderam para que cortassem “gastos públicos”, e aumentasse superávit primário, inclusive atacando desde 2009 o próprio PAC como sendo eleitoreiro e inflacionário. Então, quando o governo atinge grandes e exagerads metas de superávit e aperto orçamentário, prejudicando investimento em serrviço público, acho um pouco hipócrita ou esquizofrênico dizer que o governo não tem competência gerencial e por isso não investe… se houvesse cobrança parcimoniosa de investimento em serviço público, investimentos estruturais (PAC) e exigÊncia de responsabilidade fiscal, aí o não cumprimento de investimentos previstos no orçamento poderiam eveidenciar incompetência gerencial, mas como vocês exageraram na cobrança para fechar a torneira, não é possível saber. E pergunto: investir em servidores e serviço público adequado é investimento ou gasto para você?”

    Esperamos que cada vez mais, a normalidade política e econômica, assim como a exigência da sociedade por melhores informações, aliado ao próprio amadurecimento político do nosso País e de sua jovem democracia, levem os jornais a produzir mais notícias e exigências equilibradas sobre devida execução orçamentária, sobre o equilíbrio que deve existir entre responsabilidade fiscal e realização de investimentos em obras públicas, adequação remuneratória de servidores públicos, manutenção de quadros de servidores suficientes e compatíveis com a demanda social por serviços públicos e investimentos na melhoria da prestação de serviços públicos, e não somente ficar de forma bipolar apontando messianicamente um ponto (ex.: somente aumento de superávit fiscal e controle inflacionário) e depois que o governo executa o que pede, com prejuízos para parte da economia (ex.: excesso de poupança pública e baixa desnecessária do PIB, crescimento econômico e geração de empregos), venha de forma esquizofrênica e messiânica mais uma vez apontar o “erro” do comportamento do governo que foi justamente induzido e enaltecido pela própria mídia em passado recente (na hipótese: exigir cortes de “gastos públicos” e aumento de superávit fiscal e depois alegar incompetência gerencial por não realizar tais investimentos e gastos públicos).

    Acreditamos que esse momento de equilíbrio, em que nossos jornais serão menos sensacionlistas e parecerão mais com jornais ingleses, pode chegar em alguns anos. Já melhorou um pouco em praticamente dois anos de crítica e acompanhamento deste Blog. Mas enquanto não chegar neste momento ideal, ficaremos e estaremos aqui apontando o erro.

    p.s.: texto revisto.

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