Análise dos fatos econômicos da semana e os efeitos e perspectivas para o ano 2011 na economia e repercussão no mercado imobiliário brasileiro

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    Pessoal, de forma simples, posso dizer que vários fatos importantes ocorreram nesta última semana (06/12 a 10/12/2010) e um quadro econômico interessante se apresenta para 2011.
    O Banco Central dificultou e encareceu os empréstimos de longo prazo para o consumo, não proibindo prazos longos para tomada de empréstimo ainda. Não houve aumento do juros básico (SELIC). O crescimento do terceiro trimestre de 2010 foi maior do que o anterior somente 0,5%, ante um anterior (do segundo trimestre em relação ao primeiro) em torno de 1,5%. As famílias estão com limites na capacidade de endividamento, sem haver grandes problemas com os pagamentos de dívidas.
    As medidas do Banco Central foram extremamente inteligentes (aumento do depósito compulsório dos bancos e do nível de valores próprios dos bancos em empréstimos, como anteriormente comentado – de 11% para 16,5%). Os bancos estão aumentando as taxas cobradas dos tomadores de empréstimo a longo prazo, desestimulando tomada desenfreada de empréstimo. Assim, com menos crédito fácil disponível, a perspectiva de compras e encomendas diminuem e a perspectiva inflacionária também, o que torna desnecessário aumento de juros básico (Selic), e por isso, a dívida pública também é beneficiada, porque não aumenta por este fundamento (aumento de taxas de juros).
    A indicação de que este trimestre esfriou em relação ao segundo trimestre evidencia que a atividade econômica brasileira está arrefecendo, o que mais uma vez demonstra desnecessidade de aumentar Selic para controlar inflação.

    Importante salientar que há duas semanas os juros futuros vêm sendo avaliado para baixo. Contratos de juros futuros estão sendo fechados em patamares menores do que os juros de curto prazo avaliados pelo mercado. Mas os juros futuros sempre indicam o curso dos juros, mesmo que estejam em sentido contrário à avaliação de curto prazo. Mais uma vez, então temos a indicação de arrefecimento da atividade econômica.

    O nível de endividamenteo alto das famílias indicam que as compras diminuirão em 2011 e mais uma vez temos indicativo de arrefecimento de pressão inflacionário. E tudo isso junto inclusive evidencia que é desnecessário aumentar Selic na próxima reunião do Copom em 2011.

    Aumentar juros Selic hoje, com seu patamar em 10,75% enquanto em toda a Europa e nos Estados Unidos se aproxima de 0% é um absurdo porque atrai dólares para o País e prejudica ainda mais câmbio e o desempenho das exportações e prejudica a dinâmica da dívida pública, repercutindo sobre a perspectiva de inflação de novo gerando ciclo vicioso negativo.

    Portanto, fará bem o novo Presidente do Banco Central se continuar a fazer mais do mesmo ao invés de ficar ele e o COPOM dando aumentos de juros Selic que é o que o mercado financeiro quer para ganhar dinheiro fácil à custa do endividamento do País. Se precisar descer mais o consumo em 2011, é só diminuir prazos de empréstimos, exigir mais compulsório e exigir mais dinheiro próprio dos bancos em cada operação de empréstimo. Vamos trabalhar para manter uma taxa de câmbio saudável e não elevar desnecessariamente o custo da dívida pública.

    Por fim, pergunto: com todos esses indicadores em mesmo sentido de arrefecimnto da atividade econômica, com o nível alto de endividamento familiar e com as dificuldades e encarecimento das operções de empréstimos, vocês estão vendo margem para muitas mais compras e explosões de procura de imóveis? Eu não vejo.
    Vejo diminuição de valores disponíveis para compras, vejo menores condições de endividamento, vejo dificuldades e encarecimento de financiamentos e vejo diminuição de atividade econômica. Isso indica arrefecimento do mercado imobiliário.

    O grande “x” da questão é : A Europa e EUA vão se recuperar em 2011? Porque sua recuperação dá melhores horizontes ao mercado de capitais e ao mercado financeiro e com estes mercados tranqüilos, as perspectivas de retorno em investimentos financeiros e em ações aumentam o que atrai capitais que foram direcionados para imóveis.

    É fato a diminuição do desemprego americano e há perspectiva de crescimento ainda para o ano de 2010 (em torno de 2% do PIB dos EUA). Para a Europa eu vejo que há 750 bilhões de euros separados em um fundo continental pra suporte aos problemas pelos quais Irlanda, Portugal e, em menor grau, a Espanha e Itália estão passando (A Grécia já foi ajudada e os números ruins da Espanha e Itália ainda não evidenciaram que não se saiam sozinhos da crise). Sem contar que o parque industrial e econômico da Europa é diversificado e gigantesco, além de eficiente. A dívida em relação ao PIB dobrou, em média, para todos, mas estamos falando de uma economia de 16 trilhões de dólares. Vejo que a Europa está administrando bem e as perspectivas são boas de recuperação para 2011.

    Concluindo: vejo valores indo para mercado de capitais. Portanto, vejo arrefecimento de procura e preços de imóveis em 2011 no Brasil.

    Fiquem à vontade para comentários

    abraços

    p.s.1:Arrefecimento da atividade consiste no abrandamento da produção e consumo. As previsões de crescimento para 2011, como dito neste e em outros artigos, é de entre 4,5% e 5,5% (mas pode ser superior a 6%). E a previsão/meta de criação de empregos para o ano de 2011 é de três milhões de empregos, o que, a meu ver não acontecerá, justamente por diminuição do ritmo de crescimento da economia. Serão menos do que três milhões, mas serão muitas pois a economia está crescendo.

    p.s.2: Para fundamentar este artigo e para compartilhar alguns textos fontes com os quais concordo e acho que são muito bons, deixo a sugestão de leitura dos seguintes artigos no Jornal O GLOBO, de 11/10/2010: “Voo da águia?”, de Paulo Nogueira Batista Junior, pg. 07; “Indústria não contrata pelo 3º mês seguido – Emprego no setor ficou estável em outubro, diz o IBGE”, pg. 33; “Ritmo moderado do PIB é salutar”, Editorial, pg. 06; e “Vai desacelerar”, coluna da Miriam Leitão, pg. 32.

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