A prova da pressão do Mercado sobre o BC

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    Existem coisas que são importantes nós pontuarmos. A pressão que o Banco Central sofre do mercado é uma delas. Por quê? Para mostrarmos que existe um grupo organizado da sociedade que força a realidade para atingir seu objetivo próprio que nada (ou quase nada) tem a ver com o interesse de outros grupos da sociedade e nem do País. É o caso das instituições financeiras que pressionam o Banco Central para obter sempre mais juros Selic, independentemente de se isso é o correto ou bom para a economia ou bom para o País.

    Isso não quer dizer que essa pressão seja ilegítima. É legítima. Mas é importante saber e evidenciar esse interesse para que você consiga refletir de forma crítica sobre as “expectativas de mercado” que são alardeadas pela grande mídia como certezas absolutas e julgamentos acertados sobre índices econômicos e fatos econômicos e de política monetária.

    Nós sempre mostramos a você isso. E agora, graças a George Vidor, um real jornalista econômico, posso compartilhar esse fato simples, mas grave, conhecido de especialistas como algo comum, mas não da grande maioria de leigos (os cidadãos comuns), que é o fato de que o Mercado (entidade abstrata que conglomera as instituições financeiras) pressiona o Banco Central sempre para obter melhores e maiores juros Selic para aumentarem seus lucros.

    Eles fazem isso, os bancos, porque têm acertado compromisso comercial com seus acionistas. Ponto. São empresas e precisam de lucros. Certo. E sob uma ótica de que o “sistema econômico” funciona perfeitamente, sua pressão será contrabalançada pela pressão das indústrias e empresas e dos cidadãos contra o aumento de juros selic, pois isso dificulta o consumo, aumenta dívida pública, e piora o financiamento e expansão da produção, com reflexo negativo sobre o crescimento da economia e do emprego.

    Mas essa luta fica desigual por questões internas e externas. Internas porque a grande mídia é aliada do mercado financeiro no Brasil. Assim, a opinião e respectiva pressão do mercado financeiro fica desproporcional ao poder da opinião e respectiva pressão das empresas, que têm uma mídia menos forte, e pior ainda para o cidadão, que não tem mídia alguma que o apoie, a não ser, hoje, os Blogs e a Mídia Social.

    Externamente, ao contrário de empresas nacionais e estrangeiras que têm interesses conflitantes porque competem entre si (fato que hoje sofre amenizações – participações, fusões, aquisições, joint venutres etc.. – mas sem extirpar a propensão natural para o conflito entre empresas comercias e industriais no mercado internacional), o mercado financeiro é uma grande família, porque todos querem praticamente a mesma coisa interna e externamente e há um alinhamento de visão sobre fatos e política para todo o mundo.

    Então, isso facilita o alinhamento de forças, instituições, pesquisas, argumentos de todas as instituições financeiras em todo o mundo, o que tem enorme potencial efetivo de validar, inclusive, a defesa de sugestões e pressões que provejam atos políticos que beneficiem os bancos em qualquer país do planeta, pois o que um diz aqui, o outro repete acolá. e se um defende assim e o outro também, em países diferentes, essa perspectiva ganha adensamento a seu “conteúdo” e ganha o forte argumento de que assim foi reconhecido como correto em tal país! Ainda mais se conseguem a implementação do que sugerem, como hoje é o caso da austeridade para a Europa e EUA.

    Então, vejam, é importante que vejamos que isso existe. Isso não parará nunca, pois é ínsito do sistema capitalista e democrático que domina o mundo ocidental e com o qual concordamos, em príncípio. Mas nós do Perspectiva Crítica acreditamos que o conhecimento desse fato político e econômico deva ser propalado para que você, leitor, acompanhe o jogo de interesses que normalmente te prejudica, que te engana. Assim contribuímos para que realmente funcione a parte da pressão social que trará equilíbrio à pressão fortíssima e desproporcional praticada pelas instituições financeiras na condução da política monetária e econômicia do Brasil.

    E parte dessa nossa atuação está em mostrar a você que isso não é invenção nossa. Não estamos apregoando uma teoria conspiratória (que até existe em certa dimensão e, frisamos, legítima) de mercado financeiro contra a sociedade e tal… a pressão interesseira e interessada de instituições financeiras sobre o Banco Central é normal e é praticada e isso altera a conduta do Banco Central no que se refere à prática de juros  e formas de controle da inflação. E normalmente é em prejuízo às contas públicas brasileiras (aumento da dívida e pagamento de juros), em prejuízo a empresas e empregos (prejudica consumo e investimento produtivo) e em prejuízo ao País (prejudica crescimento econômico e respectiva arrecadação tributária e criação de emprego e arrecadação previdenciária).

    Como prova de que o que falamos é subscrito por bons analistas econômicos conceituados, está o trecho da coluna de hoje, 13/01/2014, da coluna publicada no Jornal O Globo, por George Vidor, na página 18. Vejam:

    “(…) Na verdade as taxas básicas de juros já atingiram um patamar elevado, a partir do qual a dose pode matar o doente. Em 2014, estarão em curso vários investimentos, vários até em fase de maturação, que poderão dar mais competitividade à economia brasileira como um todo e melhorar a vida dos cidadãos. Por outro lado, o Banco Central será pressionado pelos mercados para subir juros, pois o setor financeiro não teme os efeitos colaterais negativos dessa alta.”  

     Viram? “O Banco Central será pressionado pelos mercados para subir juros”. E por quê? “Pois o setor financeiro não teme os efeitos colaterais negativos dessa alta”.

    O George Vidor escreve isso porque ele tem nome a zelar. Ele é um economista, não mero jornalista que escreve sobre economia. Ele explica, e nunca tive o que falar de suas análises, para o bem ou para o mal, como funciona, o que pressiona isso ou aquilo, para que possa tecer suas considerações com embasamento. É responsável e aumenta o nível da informação publicada pelo Jornal O Globo sobre economia.

    E veja, neste mesmo artigo ele, responsavelmente, pondera vários motivos que criam pressão sobre a inflação, inclusive com faltas do governo, mas pondera o que alivia a pressão inflacionária e diz que os juros estão altos, mas o mercado pressionará por mais juros. Ele diz claramente que o juros está muito alto. Como sempre pulicamos aqui.

    E existe outro meio de controlar a inflação que não seja aumento de juros? Sim, vários!! Mas porque o “mercado” vai pressionar por aumento de juros? Porque ele não tem medo das consequências negativas desse aumento. O mercado, captado pelo Banco Central pela pesquisa Focus, não está nem aí para crescimento econômico, emprego (cujos representantes já disseram expressamente que deveria ser diminuído), arrecadação do governo, contas públicas, pagamento de juros da dívida pública. Ele quer aumento de juros porque aumenta seu lucro!! Só.

    Se houvesse aumento de depósito compulsório, atacaria-se a inflação. Se houvesse diminuição de prazos de empréstimos, diminuiria-se valores disponíveis para consumo e atacaria-se a inflação. Se se aumentasse a obrigação de os bancos participarem com mais verbas próprias nas operações de empréstimo, atacaria-se a inflação!! Mas não.. o mercado quer só aumento de juros. Pois as outras formas diminuem seus lucros e aumento de juros aumentam lucros.

    E como o Bacen será pressionado pelo mercado e pela grande, mídia, ele aumentará juros ao invés de adotar outras dezenas de medidas, mesmo sabendo que o início de ano sempre, sempre friso, apresenta aumenta de índice inflacionário… como aconteceu ano passado, ano retrasado.. ect..

    Aprenda definitivamente isso leitor: o mercado pressiona o Bacno Central sempre por mais juros selic, através de suas “expectativas para a inflação no ano” publicadas e captadas pela pesquisa Focus do Bacno Central.

    Ficaremos atentos mostrando as mentiras, pressões indevidas ao Banco Central e que te prejudicam, ao longo do ano.

    Abraços do seu Fiscal de Mercado e da Grande Mídia.

    Blog Perspectiva Crítica

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