A greve dos Policiais Militares da Bahia e o exemplo positivo de benefícios múltiplos de greve de servidor público para o País

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    O fim do artigo anterior ficou tão importante e passando uma mensagem tão essencial de que greve de servidor público denuncia problemas na política do Estado para a prestação do serviço público (o que prejudica diretamente a população), que achei que deveria dar destaque em artigo novo.

    Aí vai então.

    “Gente, bom serviço público só existe com boa remuneração. Na Europa é assim. Nos EUA também. Servidor público é estratégico para a Nação. E o jeito de chamar a atenção da sociedade, a qual servem, para seus problemas de estrutura e salários é através de greve. E a greve tem que ser visível. Vamos parar de reclamar das greves e discutir a razão delas, se são legítimas e se os governos são omissos em resolverem esses problemas que tocam a todos nós que recebemos, mesmo sem perceber, serviço público todo o dia.

    O caso da greve da Polícia Militar da Bahia é um exemplo interessante de como uma greve pode ser dinâmica e positiva para a sociedade. Greve de servidor público não deve ser somente abordada como um embate entre o empregador Estado/Sociedade e empregador/servidor público. Isso é burro e mentiroso. Greve de servidor público informa sobre problemas de administração pública, de falta de política de segurança, saúde e educação. O problema do servidor público é problema que reflete na sociedade por evidenciar problema na prestação de serviço público à toda a sociedade.

    Vejam. Os policiais militares da Bahia entraram em greve na Bahia e criaram um caos. A greve iniciada, enfim, era legítima. Chamava a atenção para maus salários na área. Mas apesar de exigirem valores que na prática adiantariam a PEC 300 em votação no Congresso e que cria piso de 4 mil reais para policial e servidor público de segurança, houve várias coisas diferentes:

    1 – questionou-se a causa da greve que era mau salário, mas o Governador da Bahia, Jacques Wagner, teve a oportunidade de falar que já havia aumentado durante seu governo o salário deles em 30% e que os policiais militares da Bahia já ganhavam mais do que policiais militares de outros Estados mais ricos, pois ganhavam 2.100 ou 2.300 reais!! Por isso disse que só poderia dar um aumento de 5% que estava sendo rechaçado.

    2 – os policiais baianos, infelizmente, radicalizaram e fecharam ruas (ao que parece, mas ainda está sendo apurado) e ainda colocaram fogo em ônibus (ainda está em apuração) e ainda grupos de extermínio aproveitaram para atuar (ainda em apuração). Tudo está sendo investigado e vários “grevistas” foram presos.

    3 – Por fim, diante de toda essas informações, a população ficou ciente da política de valorização da segurança na Bahia, a condição de melhor salário na Bahia do que em Estados mais ricos da Federação, os policiais acabaram aceitando valores menores do que os exigidos, policiais suspeitos de exagero ou crime foram presos e a greve foi resolvida de maneira pacífica, com o Governador tendo tido oportunidade de defender sua atuação, os policiais tendo reivindicado e a população ficado ciente da situação.

    Vejam, neste caso, a experiência de greve foi excelente, ao meu ver. Tudo bem que algusn ovos foram quebrados. Mas questionar a causa da greve foi o que levou a toda uma movimentação que resolveu o impasse e não ficar recriminanbdo a escolha de data para realização de greve. Isso é problema da categoria, que aliás, na hipótese, realizou antes do carnaval justamente para pressionar e dar tempo às autoridades de resolverem algo.

    É isso.”

    Greve de servidor público não é greve do setor privado. O problema não é meramente de salário, de relação empregado/empregador. A greve no serviço público denuncia algum problema na política do governo para a prestação de serviço público a que se refere a categoria de servidores que decidiu entrar em greve.

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