Incongruência entre título e texto: “Brasil passa despercebido em Davos”

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    Eu reputo a análise do artigo publicado hoje no Jornal o Globo sob o título “Brasil passa despercebido em Davos”, uma excelente oportunidade para você ver como um jornal pode publicar notícia positiva que não poderia deixar de publicar, mas apagar o conteúdo positivo com a escolha de um título que realça uma idéia negativa para a imagem do Governo.

    Acesse: http://oglobo.globo.com/economia/brasil-passa-despercebido-em-davos-7412357

    O conteúdo está ótimo e as notícias sobre o Brasil são igualmente muito boas. Stiglitz, nobel de economia e eminente economista, com consistente visão em prol do desenvolvimento das economias ao invés de somente o enriquecimento de banqueiros (caso da maioria dos analistas de mercado e baluartes das análises econômicas em todo o mundo), disse que o Brasil cresceu pouco, mas que está em ótimas condições estruturais econômicas para poder crescer 2013 e os próximos anos com consistência e até acima de 3% ao ano, diminuindo desigualdade e realimentando a sustentabilidade do crescimento econômco.

    Angel Gurría da OCDE elogiou igualmente o Brasil, mas o título preferiu realçar o fato de que o Brasil não foi festejado e que em seu lugar na América Latina foram festejados resultados matemáticos e estatísticos de Peru, Panamá e México.

    Lei você mesmo e veja se o título não deveria ser: “Brasil elogiado em Davos pelas maiores autoridades econômicas presentes ao evento”.

    Observe o trecho que eu selecionei do artigo criticado:

    “Mas em Davos, o time dos otimistas em relação ao Brasil também tem peso. Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, disse ao Globo que o Brasil foi um dos países mais bem-sucedidos do mundo na redução da desigualdade — que é elemento crítico para o crescimento. Para ele, não há dúvida de que o Brasil tem a faca e o queijo nas mãos para assegurar um crescimento acelerado: os fundamentos da economia estão fortes, disse.

    Angel Gurría, secretário-geral da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), já apagou da memória o crescimento de 1% do Brasil em 2012.

    — O ano passado já passou. Acabou, ok? Em 2013, nosso cálculo é de um crescimento em torno de 4%. É um progresso. E vai acontecer num contexto no qual o crescimento da Europa continuará anêmico e dos Estados Unidos, medíocre — disse.”

    E então? Ótimo artigo, mesmo com as críticas iniciais ao crescimento da economia do Brasil em 2012. Mas a escolha do título foi duvidosa a meu ver. Com certeza não foi a melhor opção para refletir o conteúdo do artigo inteiro e creio que o viés negativista foi intencional, no bojo de tentar baixar a bola do governo e apresentar o condidato do PSDB (considerando a soma de todos os artigos deste mês de janeiro de 2013).. mas claro que isso é a minha leitura e impressão… posso estar errado… rsrsrs

    p.s. de 28/01/2013 – texto revisto e ampliado

    p.s.2: quero deixar claro que fustigar o governo não é incorreto principiologicamente. É bom  que a mídia faça esse papel. E dar acesso e espaço para a oposição ao governo também é correto dentro do jogo democrático até para fortalecê-lo. Mas as notícias poderiam ser mais neutras como as do Jornal do Commercio. Veja a manchete econômica do Globo de hoje, 28/01/2013, “Governo raspa o tacho..” sobre a aplicação de verbas públicas e de fundos do desenvolvimento energético para obter a redução de taxa de energia elétrica. Esse título é neutro? Há abordagem de o quanto se espera de crescimento econômico com a medida? De quanto se espera de aumento de arrecadação, que mesmo com desonerações em 2012 foi recorde (o que é bom e indica vigor econômico do Brasil)? Há pesquisa e informações de consequências positivas e negativas para poder se ponderar se a medida chamada de “raspa de tacho” é boa ou ruim? Se faz sentido ou não? Não. Então isso não é informativo. Isso é indutivo e indica escolha de lado político a ser favorecido com a postura da edição, ao meu ver.

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