Sobre o mapa americano que retira a Amazônia dos territórios dos países latino-americanos, inclusive do Brasil

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    Pessoal, hoje pude trocar correspondÊncia com um grande amigo que me enviou e-mail perguntando se eu já tinha visto um mapa absurdo com o qual os americanos estariam educando suas crianças informando que a Região Amazônica seria território internacional, desconsiderando a divisão política existente em que tal região integra os territórios soberanos de uns nove países latino-americanos, inclusive o nosso Brasil.

    Há um bom tempo eu queria tratar desse tema, mas não via oportunidade, já que outras informações se tornavam mais oportunas, à medida em que a grande mídia apresentava artigos desinformativos que impunham sua abordagem imediata para aproveitar o momento (des)informativo social. Eu gostaria de falar de vários temas, mas, às vezes, como a mídia publica algo errado e de apelo, aproveito o momento para dar o tanto quanto possível imediato contraponto e aproveitar ao máximo uma sinergia comunicativa criada pela publicação do artigo que critico.

    Mas há tempo para algumas abordagens autônomas e conseguimos inovar na pauta de discussão social várias vezes. Hoje, é um desses dias.

    O tema sobre esse mapa de livros didáticos americanos é conhecidíssimo e a política americana de tentativa de criar uma legitimidade para intervenção em territórios ricos em água, biodiversidade genética e em minérios, como é o caso da Região Amazônica que até petróleo tem, é uma constante especialmente para os EUA.

    Veja a carta que escrevi para o meu amigo e cujo teor compartilho com você.

    “Jà vi (o mapa). É o que eu tinha visto. Alguns disseram que este mapa foi criado pelo Exército brasileiro e que essa informação foi disseminada pela inteligência do Exército para mobilizar o povo brasileiro para esta hipótese. Esse mapa começou a circular antes da eleição de Bush contra Al Gore.

    (Seja)Através de invenção do Exército ou sendo impressões verdadeiras de livros americanos, a verdade é que na época o próprio Al Gore, democrata, defendia a “proteção” de áreas sensíveis e de importância para a normalidade do clima mundial: amazônia à frente. Tive medo naquela época, porque eu não queria o Bush, mas o argumento dos democratas era mais inteligente do que as óbvias movimentações do vaqueiro do Texas.

    Graças a Deus Bush ganhou e a política fina que poderia possibilitar movimentos mais inteligentes no sentido de “proteção” de áreas internacionais michou. Com a crise de 2008 então… ficamos salvos pois eles agora não têm como olhar pra fora antes de arrumarem a bagunça econômica e política interna.

    O Governo americano sempre está de olho na Amazônia. No livro Relações Perigosas (de Moniz Bandeira), a informação é de que queriam fazer uma anexação da Amazônia brasileira como fizeram no México. A estratégia era obter a livre navegação do Amazonas, instalação de portos e centros comerciais no Amazonas, propiciar o desenvolvimento de assentamentos americanos e depois, quando os assentamentos crescessem e a população local fosse favorável aos americanos em boa quantidade percentual em relação aos brasileiros locais, incentivar e apoiar autonomia regional e depois o reconhecimento de tratamento especial. Ou viraria novo território americano, como Texas, ou viraria Estado Satélite, como Costa Rica. A ocupação seria com os negros americanos (a menção à forma de ocupação, inclusive com negros americanos é descrito no livro mencionado).

    Por isso é importante investirmos agora em armamento militar. O projeto do submarino nuclear, a compra de 3.000 blindados anfíbios para o exército, o programa FX2 e o projeto de utilizar avião não tripulado para vigiar a fronteira contra o narcotráfico é importantíssimo para que nos atualizemos em tecnologia de defesa até 2025, quando a água doce norteamericana não será suficiente para a sua população e o apetite dos falcões americanos traga de volta toda a mobilização em “defesa de territórios com ecossistemas sensíveis”, através da instalação de protetorados internacionais, sob a batuta dos norte-americanos (claro!) e todos estes ambientes ficariam fora dos EUA, Europa e Japão, claro, assim como de países que possam se defender como Rússia, China e Índia, os quais, por acaso, detêm a tecnologia e bombas nucleares.”

    Pessoal, é isso. Não adianta ver o mundo como querem que nós vejamos (ou como gostaríamos que fosse). Se os europeus e americanos possuem “brasilianistas”, senhores especializados em Brasil, nós temos alguns cientistas brasileiros “americanistas” a quem devemos prestar atenção porque estudam os movimentos americanos não sob a ótica, muitas vezes a soldo, mercadológica, mas sob o prisma de movimentação estratégico-política que se desenvolve por anos e décadas. Temos entre nós o venerável Luiz Alberto Moniz Bandeira que durante mais de 30 anos estudou, pesquisou e observou documentos e manobras americanas no Brasil.

    Este mundo que está aí só respeita quem tem poder econômico e militar. Não se enganem. Não é preciso nem pedir para integrar o Conselho de Segurança. Se o Brasil fosse economicamente forte (estamos chegando lá) e militarmente forte, o lugar estaria muito mais ao nosso alcance, sem força, por mera questão de fato. O que não nos faria prescindir de profissional representação diplomática, óbvio.

    Os EUA seguem princípio instituído por eles mesmos, na época de Theodore Roosevelt, não o bonzinho Franklin de 1929, mas o Roosevelt anterior, de que o país que não tiver capacidade de autogoverno transfere essa legitimidade para quem a tenha e a queira e possa exercer mesmo alhures. Isso também era a política do Big Stick. Alijaram os espanhóis de suas colônias na América Central e também intervieram na República Dominicana, Nicarágua e Panamá.

    Os Republicanos, reduto dos “falcões”, cresceram os EUA na base da força. A formação do País EUA foi forjada na Guerra de Secessão. Seu hino enaltece “canhões”. A política do Big Stick foi desenvolvida pelos EUA. A política do ataque preventivo foi apresentado por Bush para atacar o Iraque e está sendo usado contra a Líbia, em ambos os casos ilegalmente pois sem autorização da ONU.

    O que nós podemos fazer é nos informar e combater essas investidas, as quais são fundadas em argumentos falsamente legítimos de intervenção armada para defender direitos humanos, para defender a ecologia, para defender um pequeno grupo sofrido que “deveria” ser autônomo em um determinado País. Temos de fortalecer a ONU. Os organismos multilaterais são o único obstáculo ao uso da força contra a soberania dos povos, o que ocorre sempre com base em argumentos de legitimidade internacional.

    Vi há pouco, no Jornal O Globo, que um americano de ascendência asiática defendia o enfraquecimento de organismos multilaterais e defendia que Kadafi fosse morto, pois apesar de não ser legal seria legítimo. Gente, este é o argumento que amanhã pode ser usado contra qualquer País.

    A ordem internacional não existe para proteger Kadafis, mas protegendo a não violação de regras internacionais, em casos extremos como o de Kadafi, você garante a segurança de países que por não ter estrutura para criar e publicar fatos para o mundo, não consegue se defender da propaganda maciça dos EUA e EUropa sobre isso ou aquilo que o País tenha de errado, e com isso os EUA e Europa legitimam ações que gerarão a ofensa à soberania daquele país, com base em argumentos de ecologia, direitos humanos, destilados às vezes por anos e décadas, com interesse real econômico. Estão reconhecendo algum caso possível em futuro próximo? Eu estou.

    p.s.: Sobre Theodore Roosevelt e a política do Big Stick ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Theodore_Roosevelt

    p.s. de 09/06/2011: O autor do livro “A Trilateral” é Theotonio dos Santos e não Teotônio Vilela, como informado no corpo do artigo. Os autores são Hugo Assmann, Noam Chomsky e Theotonio dos Santos.

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