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Livros Favoritos — parte 1 [por Felipe Mello Mourão]

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Certa feita, quando perguntaram ao dono desta coluna o seu livro predileto, ele teria respondido: “… é difícil definir o meu livro predileto, talvez eu pudesse pensar em um predileto para cada forma e gênero literário, para cada país, situação histórica ou para cada momento de minha vida…”  Eu concordo.   E enfatizo: livro, como tudo na vida, tem seu momento.   E, talvez, escolher hoje um livro isolado para representar um todo absoluto e abstrato seja um pouco injusto com os outros momentos e os outros livros da vida.   Mas como concordei com a brincadeira, vamos lá; meu livro favorito e porquê: no momento, o meu livro favorito é de Cent Mille Milliards de Poemes, de Raymond Queneau, e o porquê é simples: porque é um livro que eu nunca terminei de ler.    É simples, mas acho que vale a pena explicar…

Resumidamente, o livro é composto por dez sonetos, com os versos impressos em folhas próprias dentro da mesma página, de forma a que quando você vira a página do primeiro verso do primeiro soneto, o primeiro verso do segundo soneto entra no lugar do verso da página virada.    O resultado: o livro possibilita uma infinidade de sonetos ao leitor que vira as páginas de versos para formar novos sonetos.   Essa complexa engenharia acaba por formar uma infinidade de poemas!   E por isso o meu “porquê”, porque a possibilidade de existir, em um único livro, material suficiente para não esgotar nunca a imaginação do leitor é, eu acho, a melhor imagem para representar o nosso livro preferido.  

Se eu fosse ser mais objetivo, claro, teria que listar uns cinco ou sete livros que até hoje me mostram coisas novas e que eu já li e consultei não sei quantas vezes.   Livros que recomendo às novas namoradas, livros que não saem do lado da minha mesinha de cabeceira, livros que tenho mais de uma edição por puro fetichismo…   Mas, não podendo indicar mais do que um único livro, conforme as regras do jogo, indico esse: Cent Mille Milliards de Poemes: o livro que nunca terminei de ler, não porque não quis, mas porque, pela infinidade de possibilidades que ele contém, nunca consegui.  

Felipe Mello Mourão é cientista político.   Escreve e desenha para amigos.  Entre 2017 e 2018 editou e publicou a Madame Eva, Revista de Tautologias.    https://revistamadameeva.wordpress.com/

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