Ferrovia Transoceânica x Canal do Panamá: Brasil, Peru e China se independem mais um pouco dos EUA

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    Senhores, impressionantemente a grande mídia mal fala no assunto. Houve uma publicação na Folha de São Paulo há uns cinco dias a uma semana e ponto. Entretanto, o tema é gigantescamente importante.

    O Brasil fechou com a China e Peru termo para financiamento de uma ferrovia que ligará um Porto no Rio de Janeiro, passando por Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e desembocando no Peru.Isso ligará o Atlântico ao Pacífico e será direto concorrente do Canal do Panamá, mudando a geo-política mundial em dimensões semelhantes ao que o Banco dos Brics fez com o FMI e Banco Mundial e também com o que a linha de transmissão de dados e voz que foi acordada para ligar diretamente o Brasil e a Europa fez com a exclusividade norteamericana na cessão de seu único cabo de transmissão de dados que ligava a América do Sul à Europa e ao mundo e vice-versa.

    Os jornais não contam as alterações que o mundo está sofrendo mas nós fazemos isso para você. O Banco dos Brics foi criado porque na crise mundial de 2008 EUA e Europa, sem dinheiro, pediram para que os Brics, que estavam muito bem, colocassem dinheiro no FMI para que pudessem ser emprestados para suas economia, e assim ajudar a economia mundial. Brasil, Índia e Rússia aceitaram em botar 10 bilhões de dólares cada. China aceitou em botar 30 bilhões de dólares e a África do Sul colocaria entre 5 e 7 bilhões de dólares. Entretanto, em reunião entre si, os Brics decidiram exigir que em troca de mais valores investidos suas cotas fossem aumentadas e que seu direito a voto fosse respeitado na proporção dos valores que investiram além dos que já tinham investido. Adivinhem.. EUA e Europa negaram o direito a aumento de poder de voto. Rsrsrsrsrs. Assim, tendo se mobilizado a dispor de tais valores, os Brics reuniram-se e resolveram criar um banco para si próprios, em que respeitariam entre si a proportção de voto em relação ao valor aplicado. Assim se criou o Banco dos Brics e o FMI e Banco Mundial, EUA e Europa agora têm um concorrente mundial para financiamentos de desenvolvimento de economias mais fracas. O Banco dos Brics financiará e ajudará a expansão de exportação de produtos e serviços dos Brics em contraposição com o que o FMI e o Banco Mundial fazem com indústrias, empresas e bancos europeus, japoneses e norte-americanos.

    A Ferrovia Transoceânica vem nesse contexto de mais independência, desenvoltura e poder de realização dos Brics. Como ação que há muito é interesse do Brasil, cortar o país de leste a oeste para escoar produção agrícola do interior do Centro-Oeste brasileiro, o Brasil conseguiu a promessa de financiamento dessa ferrovia pela China e finalmente o projeto fica viável. Além de ajudar na concretização do objetivo do Unasul e do Mercosul de expandir e integrar a logística da América do Sul e dar competitividadde à produção agrícola nacional, esta ferrovia enconotrou o interesse chinês de se ver independente dos EUA para alimentar 1,3 bilhão de chineses, além de obter uma opção de escoar seus produtos para a América do Sul ou para a Europa sem depender da autorização dos EUA em dar passagem pelo Canal do Panamá. Brasil, Peru, China e ao final, toda a América do Sul no entorno da ferrovia, em especial, se beneficiará desse acesso de um oceano ao outro, enriquecendo os locais por onde a ferrovia passar, criando novo corredor de riqueza e escoamento de produtos, ampliando a conectividade logística do Brasil com o mundo e de forma totalmente independente e provavelmente mais barata em va´rias hipóteses do que em relação ao uso do Canal do Panamá, tirando essa exclusividade que os EUA tinha na ligação entre os dois oceanos.

    Agora te pergunto. Isso não é gigantescamente importante? Isso não é relevante ao País? Então por que o silêncio da grande mídia sobre o tema?!?! A Ferrovia custará em torno de R$30 bilhões. Vários trechos serão licitados e todos continuado o traçado que já está sendo finalizado da ferrovia brasileira Leste-Oeste. O problema será passar pelos Andes.

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