Crítica ao artigo “Diretora do IBGE sai após pesquisa parar”, publicado no Jornal O Globo

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    Sim, já estamos em campanha presidencial. O título do artigo publicado na página 27, do Jornal O Globo de 11/04/2014, é prova disso. O título correto, para que houvesse congruência entre o título e o teor da matéria do artigo, deveria ser “PNAD CONTÍNUA PODE CONTER FALTA GRAVE”.

    A nova pesquisa do IBGE sobre desemprego é mais ampla e melhor do que a PME (Pesquisa Mensal de Emprego), que só pesquisa o desemprego nas 5 maiores metrópoles do País. Entretanto, a Pnad Contínua está com a falta de um dado essencial: o dado “rendimento domiciliar per capita” está com grande defasagem de margem de erro entre Estados. Por exemplo, a margem de erro desse dado para São Paulo está em 6% e para o Acre está em 16%.

    Só que esse dado influencia na divisão de valores do Fundo de Participação dos Estados. E não se pode admitir a alteração desses valores para os Estados com essa desigualdade de margem de erro e ainda neste nível tão elevado de margem de erro.

    Os dados da Pnad Contínua seriam divulgados em maio de 2014, perto das eleições, informando um índice de desemprego maior (7,1%) do que informa o PME (5,6%). Nesse particular, o governo saiu beneficiado, mas não houve, como toda a página 27 do Jornal O Globo parece apontar, a partir de títulos de seus artigos, um movimento de governo para extirpar uma pesquisa ou para expulsar a diretora que fazia uma pesquisa que prejudicava a imagem do governo. Essa é minha leitura.

    No próprio artigo foi mencionado que após grande debate da Diretoria, o IBGE, ao contrário da opinião da Diretora, resolveu não divulgar os dados com essa incongruência por dois motivos: para não perder credibilidade junto à sociedade e para não criar problemas inclusive jurídicos em relação à distribuição de valores do Fundo de Participação dos Estados.

    Então, senhores, isso é mais do que motivo para realmente se consertar a pesquisa no dado que falta e depois, sim, divulgar os dados.

    Pecou a publicação em dar relevo à saída da Diretora, ao invés de focar no erro que existe na Pnad Contínua. Nossa opinião. Mas essa abordagem é típica da mídia de mercado que quer a oposição (contra o que nada tenho, devo dizer, a princípio, apesar de ver Eduardo Campos e Dilma, hoje como opções melhores). Só deixamos patente o fato para evitar a indução errônea da leitura de nossos leitores e seguidores.

    p.s.: importante ainda notar que a pesquisa do Pnad Contínua não parou, mas está sendo corrigida e seus dados seriam divulgados a partir de 2015, após a correção. Então parece que o título até informa erroneamente um fato inexistente.

    p.s.2: texto revisado e ampliado.

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