Análise Econômica junho 2015

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    A economia está o fim? A economia acabou? Estamos, como alguns dizem, no mundo pré-Mad Max? Não. A mídia está publicando uma perspectiva negativa, exagerada e até irresponsável. Em nenhum momento está sendo passada informação de qualidade sobre a atual condição econômica brasileira, nem suas causas e nem adequados prognósticos. É importante notar que as condições econômicas não mudam de uma hora para a outra e nem aparecem do nada como muitas vezes dão impressão as notícias de baixíssima qualidade publicadas hoje pela grande mídia. Mas como sempre há os fiordes comunicativos, os grandes rochedos que permanecem inabaláveis em seu objetivo e finalidade de bem informar que comunicam a realidade dos fatos a nós, mesmo que normalmente sejam outros economistas os que mais têm abertura e canal de comunicação com a sociedade em suas colunas permanentes e sem compromisso com a realidade dos fatos tanto quanto têm compromisso com a publicação de uma visão mais de acordo com a edição do jornal e seus patrões.

    George Vidor, um dos poucos colunistas eventuais e nunca passíveis de críticas deste Blog, até hoje, publicou hoje artigo que entendemos corresponder à realidade. E selecionamos o seguinte trecho no que pertine à insistência na alta de juros ao sabor das previsões surreais do mercado para inflação e juros:

    ” O risco é de o doente morrer por excesso de medicamento. Se a economia se desorganiza, o controle da inflação fica mais difícil, e não há taxa de juros que consiga dar jeito depois. Devagar com o andor que o santo é de barro, é um ditado popular que se encaixa bem nessa conjuntura. O pior é que as apostas do mercado financeiro são de novas altas na taxa de juros. O Banco Central caiu nessa armadilha, subestimando o estrago que os juros excessivamente elevados já começam a causar à economia.”

    Leia aíntegra do artigo do Vidor em http://oglobo.globo.com/economia/armadilha-16378055

    Gente, o Banco Central está livre para controlar a inflação. Com vários possíveis instrumentos, inclusive macroprudenciais, ele quer dar o que o mercado quer e ponto: juros na alturas para alterar a “percepção” inabalavelmente negativa do mercado em relação à inflação. O Banco Central já não está mais gerenciando inflação, senhores, mas sua perspectiva, seja ela qual for. Isso está errado, é bom que se diga. Por quê? Simplesmente porque o mercado exagera nessa perspectiva já que tanto é importante para sua imagem quanto para seus bolsos. Para sua imagem, porque fica melhor a agência/instituição financeira prever inflação alta e influenciar o Bacen que aumenta juros e obtém uma baixa de inflação. Esta agência/instituição financeira poderá sustentar que alertou sobre o risco de não aumentar juros e por isso o Bacen obteve êxito no controle da inflação. Piora de imagem fica para a agência/instituição financeira que previu inflação estável ou declinante (como se vê no momento), mas que, no caso do Bacen não adotar aumento de juros ou outras atitudes e algo azedar a economia, haver inflação mais alta do que a prevista. Então, o foco no resultado sem maiores análises do processo exige que as agências e instituições financeiras sejam pessimistas sempre, pois isso é sinônimo de responsáveis. E esta postura pessimista do mercado também é boa para seus bolsos porque prever alta de inflação e exigir juros altos faz com que o Bacen, refém dessa coação moral, aumente os juros e os bancos obtenham alta rentabilidade em títulos públicos remunerados pela Selic, a qual suas previsões de alta inflação incharam.

    Mas pense bem: Se a economia está em vias de recessão, se as pessoas perdem emprego, como a inflação chegará a 8,5% no fim do ano? Imóveis têm desconto de 40%. Roupas baixam preço. Aluguéis estão sendo negociados e têm seus preços baixados. As viagens e idas a restaurantes diminuem. E a inflação chegará a 8,5%? Tudo bem que a inflação 2015 pelo IPCA já está em 4,49% (jan – 1,24/ fev- 1,22/ mar – 1,32/ abril- 0,71) para esse quadrimestre, mas a perspectiva é evidente de queda da inflação, podendo fechar o ano em 7,5% com razoavel grau de probabilidade. Por vários anos, inclusive, julho e agosto beiraram inflações de 0%. Por que 8,5%? Para ganhar dinheiro. A previsão não é impossível, mas é demasiadamente pessimista.

    Tudo de ruim já ocorreu em termos de pressão altista da inflação: alta do dólar (movimento mundial), alta de preços administrados, alta de energia elétrica, alta de combustíveis, alta de preços de início de ano. Agora é ver os efeitos saindo das estatísticas, como todo ano ocorre. Nossa queda de crescimento não é nababesco, como ocorreu nos EUA e Europa durante esses sete anos de crise, desde 2008. Nosso aumento de desemprego também não. Aumentou muito, sim. Estamos beirando 10%, mas somente esse ano, percebam. Europa, depois de 7 anos sofrendo, hoje tem média de 11,1% mas Espanha continua com 20%. Estados Unidos está com 5,5%, mas lá não tem faculdade pública gratuita, previdência social pública, assistência social adequada para pobres e a licença materniadade é de 3 meses… sem salário… observe. Isso é país bom para o cidadão? Ou melhor o europeu? Facilita ao país se reabilitar mais rápido, macroeconomicamente falando, mas e o cidadão pobre ou desempregado? Recuperar-se com menores custos sociais é mais fácil para os EUA do que com mais custos sociais como para a Europa.. mas a vida do cidadão médio europeu é melhor do que a do cidadão médio americano.

    Bem, o fato é que a melhora americana não pode apagar 7 anos de sofrimento de seu povo. E no Brasil? Sofre apenas esse ano de 2015. Isso não é enaltecido. Foram as medidas anticícilcas, que agora o Ministro Levy corretamente retira, que nos protegeram. Mas agora não surtem efeito e então é melhor que tenhamos a arrecadação de volta. Simples assim.

    As reais causas do recesso econômico são: esgotamento da capacidade das famílias em se endividarem, baixo crescimento europeu e americano (tendo estes enfrentado períodos recessivos inclusive) e, ainda, crescimento da Índia e China moderados. Se esses três elementos fossem contrários ao que são hoje, teríamos crescimento econômico. A falta de investimento deriva de falta de realização de novas rodadas de licitações, pelo lado da área pública, e pela alta taxa de juros selic que faz os empresários optarem por investir dinheiro em títulos da dívida ao invés de investir em uma produção que não encontrará consumidores no Brasil ou no exterior.

    Os imóveis descem de preço, o que também é indicativo de pressão baixista de inflação, mas esse movimento já deveria ter ocorrido antes, se o governo não inchasse o programa “Minha casa, Minha vida”. Mas o fim de financiamento farto e barato também contribui para desemprego e menos crescimento econômico.

    A falta de divulgação correta desses dados, tentando colocar no governo toda a culpa por recessão e desemprego, está fazendo a população alimentar uma expectativa mais negativa do que existe, realimentando a pequena recessão que se apresenta, piorando o ambiente econômico. Mas além disso está fazendo o governo adotar medidas anacrônicas: enquanto o Bacen aumenta juros para combater expectativa de inflação, o governo pede liberaçao de depósito compulsório pra compra de moradias. É isso. Mídia mente. A populaçao vê errado o que ocorre e julga errado (culpa governo por todos os males). O governo, vendo a perspectiva errônea que prepondera em sociedade, age sob a perspectiva da mídia e população e então adota medidas paliativas que mascaram os efeitos ruins de medidas corretamente adotadas. E assim segue a palhaçada.

    A própria oposição, o PSDB, já adota discurso que lastima seus eleitores mais bem informados. Aprovam alteração no fator previdenciário, que criaram; se apresentam contrários a medidas de controle orçamentário… quer dizer, a mídia cria, por desinformar a sociedade, anacronismo na condução da oposição também.

    Mas nós aqui do Perspectiva Crítica estamos e somos independetes dessa palhaçada política, midiática e social. Estamos te dando os reais contornos da situação. Esse ano será de recessão? Sim. A inflação irá além de 8%? Não nos parece. Nos parece que ficará em uns 7,5%. E a economia melhorará quando? Há potencial de melhorar a partir do segundo semstre, principalmente a partir do quarto trimestre, pois os malefícios que já ocorreram perderão poder de ressonar nos índices inflacionários. A previsão, aliás de inflação para 2016 é de 5,5% e o Bacen diz que foca nos 4,5%. Além disso, há pacotes gigantescos de licitações saindo para esse ano, o que pode dar um boom de investimento e ajudar a guinada do crescimento a partir do fim do ano. São previstas rodadas de licitações no valor de 100 bilhões em investimentos. Fora que os 58 bilhões de dólares em investimento estrangeiro direto (IED) está confirmado, como há anos se repete em torno dessa soma. A produção de petróleo aumenta a olhos vistos (já são mais de 800 mil barris diários retirados do pré-sal), o valor do petróleo aumentou no mercado internacional (saiu de 47 dólares para 62 dólares – fonte: http://economia.uol.com.br/cotacoes/indices-economicos/) e as ações da Petrobrás aumentaram de R$8,00 para R$14,00 (petrobras ON em 09/06/2015 – fonte: Bovespa).

    Aumentar juros para compra de casa própria foi bom. Mas preparar novo lançamento do “Minha casa, Minha vida” é ruim, economicamente falando. Retarda a correção do mercado imobiliário e tem efetio inflacionário. Mas o conjunto da obra indica recessão esse ano, crescimento ano que vem. Inflação pouco acima da meta esse ano e voltando para a meta e, talvez, atingindo o centro da meta ano que vem.

    Observe que a catástrofe de falta de energia elétrica não ocorreu. Miriam diz que não foi só a volta de reservatório (chuvas recuperando reservatórios), mas a queda do crescimento econômico (rsrsrs.. à razão de 1% do PIB durante todo o ano.. vejam..) e que ” ninguém pode prever o que ocorreria com o fornecimento de energia elétrica se o Brasil não tivesse regredido sua economia” (rsrsrs).. sabem calcular de tudo quando é desgraça, mas esse dado, quando as coisas melhoram, ela não tem.. tem o dado de que não faltou luz depois da volta das chuvas após uma seca histórica que só não foi pior do que a que ocorreu há 89 anos atrás… é uma palhaçada..

    Então senhores.. economia bombando de novo depende dessa rodada de licitações e do crescimento mundial. A inflação está em vias de queda e a manutenção dos juros altos como estão é estapafúrdia. Se quiser ler algo descente, foque no George Vidor, Delfim neto, Le Monde Diplomatique, Jornal do Commercio. Esses canais são mais honestos com os prós e contras das ações de governo, situação do mundo e respectivos reflexos sobre o crescimento da economia e expectativa da inflação.

    A situação não está fácil. Mas ela não é esse caos todo, está em vias de melhora por qualquer lado que se avalie (inflação, orçamento, crescimento econômico a partir do segundo semestre de 2015 e desemprego, a acompanhar o crescimento do PIB). Mas, antes de tudo ficar de novo bom, ocorrerão essas coreções pelas quais passamos, mas que podemos estar chegando já nos piores momentos, exceto por alguma atrocidade que ocorra no mundo ou no clima, a princípio. O período de correçao do mercado imobiliário é algo importante também, sobre o que pouca informação é produzida e a que é produzida, na sua grande parte, é encomendada pelas construtoras e imobiliárias.

    Grande abraço.

    p.s. de 09/06/2015 – Texto revisado e ampliado.

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