Análise Econômica janeiro de 2015: fatos novos e real perspectiva de queda do PIB

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    Até a primeira semana de janeiro de 2015 as previsões eram de que o PIB de 2015 seriam maior do que o PIB de 2014 e havia motivos para isso. O petróleo não havia caído a menos de US$ 50 dólares, não havia ainda a dimensão dos cortes do Executivo ao orçamento e aos investimentos (havia previsão de que o governo economizaria 1,2% do PIB para pagamento de juros), não havia a informação efetiva de cortes de investimentos da Petrobrás (havia perspectiva de cortes) e nem sua dimensão, o Banco Central Europeu (BCE) não havia divulgado que despejaria 1,1 trilhão de euros no mercado europeu esse ano (recompra de títulos da dívida européia).

    Agora há tudo isso, que é ruim para a economia e o crescimento econômico, e a previsão do mercado já é de 0,33% de crescimento do PIB par 2015, com algumas previsões de recessão ou decréscimo do PIB. Levy diz que 2015 será parecido com 2014.

    Mas há outros dados também que, infelizmente corroboram uma dificuldade por qual a economia passará esse ano:

    1 – Europa não decolou sua economia e continua beirando a recessão com altos índices de desemprego e desesperança para seus cidadãos, mesmo usando toda a política de austeridade como foi usada.. na verdade o relaxamento monetário (quantitative easing) implementado pelo BCE indica que de certa forma estão revendo essa política.

    2 – China continua com crescimento próximo à metade do que já foi, estando entre 6% a 7% enautno já foi de 11% ao ano.

    3 – Índia apresenta crescimento melhor maa abaixo do que já foi.

    4 – Rússia apresenta-se em recessão econômica, devido aos embargos econômicos impostos pelo Ocidente por conta de suas ações expansionistas contra o território ucraniano.

    5 – EUA, de todos, é o que melhor se recupera, ao ponto de poder diminuir a política de relaxamneto monetário e parar com a compra de títulos de sua dívida que chegaram a injetar mensalmente 85 bilhões de dólares. Também passou a indicar aumento de juros da dívida, que hoje gera até perda de valores a quem investe em títulos americanos diante da diferença da inflação em dólares e a remuneração dos títulos da dívda americana, assim como ocorre na Europa. Mas mesmo assim sua recuperação não é vigorosa.

    Observem que esses dados externos demonstram pouco vigor da econmia mundial para ajudar na balança comercial brasileira e colaborar com o crescimento de nossa economia. A valorização do dólar tem efeito abíguo para a economia, pois pressiona inflação, mas facilita vendas de nossas mercadorias aos EUA. Digo aos EUA, pois a valorização do dólar foi mundial, equilibrando essa vantagem com os demais concorrentes e mercados mundiais, e o relaxamento monetário do BCE encarece relativamente nossos produtos que se destinam à Europa.

    Aliado a isso temos fatos internos ruins para o crescimento: aumento de taxa de juros do Banco Central Brasileiro (BCB), alto endividamento das famílias e pouca propensão ao consumo, queda de vendas de carros e imóveis e início de correção de preço de imóveis (fato pouco divulgado na grande mídia). Tudo isso e deflacionário, mas é prejudical ao crescimento da economia.

    A questão do desinvestimento do governo para aumentar superávit primário e desinvestimento da Petrobrás também é grave pois retira investimentos da economia brasileira e, portanto, influencia negativamente o  o giro econômico e o crescimento econômico. E a operação lava-jato ainda colaborou fortemente para outro impacto negativo na econmia: dezenas de grandes empresas de construção e prestadoras de serviço à Petrobrás ficarão excluídas do direito de prestar serviços e participar de licitações da Petrobrás, perdendo contratos futuros e talvez até presentes, para empresas nacionais, mas muito mais para empresas estrangeiras, o que gerará remessa de valores ao exterior e criação de empregos no exterior, diminuindo o crescimento de nossa economia, geraçaõ de emprego e gerando fechamento de empresas em nossa economia.

    Esperamos, entretanto, que a pujança da nossa economia seja maior do que todos esses fatos negativos, sendo certo que o nível do investimento direto estrangeiro (IED) continua no mesmo patamar histórico de US$60 bilhões anuais, além de que há fluxo financeiro para o país em torno de US$30 bilhões, muito por causa das altas taxas de juros selic. Isso garante uma estabilidade financeira ao país e o financiamento de nosso déficit.

    Por outro lado, as rodadas de licitações de aeroportos, portos, ferrovias, hidrovias, rodovias e investimentos em mobilidade urbana (construção de estações de trens, linhas e estações de metrô, arcos metropolitanos do RJ e SP, construção de linha de VLT e expansão de aviação regional), licitações para construção de usinas hidrelétricas, eólicas, solares e nucleares, bem como licitações para concessão de distribuição de energia e construção de linhas de transmissão, tudo isso garante fluxos de valores à nossa economia para implusionar imediatamente e mediatamente o crescimento do PIB.

    É importante salientar que, segundo um artigo de Thomas Piketty no livro “Thomas Piketty e o Segredo dos Ricos”, enquanto em 1970 o índice de valores pertencentes a empresas e/ou pessoas que ficava sem giro (gerando apenas renda – atividade rentista) era de 5%, hoje está em 65%. Cabe à área privada e aos governos desenvolverem meios para que esses valores se destinem a investimentos produtivos e saiam da exclusiva atividade rentista.

    Cremos que o Brasil tem plenas condições deiante da enormidade de carência de investimentos de infraestrutura, de atrair esse capital. E os caminhos adotados antes e agora parecem estar no bom sentido de compatibilizar crescimento econômico, controle inflacionário, responsabilidade fiscal, incentivo ao investimento, compactando isso tudo com diminuição de desigualdade social e regional, aumento de renda e emprego.

    O Blog Perspectiva Crítica vê o impasse econômico do ano de 2015, mas acredita que estagnação econômica em 2015, a partir de medidas corretas de ajustes econômicos aliados ao grande incentivo aos investimentos privados na economia são o caminho para que o crescimento do PIB alcance 0,5% esse ano e possa gerar um novo ciclo de crescimento econômico sustentável e duradouro.

    Que o governo não perca rumo e não erre na mão.

    p.s.: Foi recentemente divulgado pelo Jornal do Commercio que a Gafisa não pretende fazer qualquer lançamento de imóveis para o ano de 2015, estando com estoque de mais de 3 bilhões de reais em imóveis. Somente fará lançamentos a partir de sua divisão de imóveis para baixa renda, a Tenda, porue o fluxo do “Minha Casa, Minha Vida” permanece. Isso evidencia o esgotamento do mercado de compra de imóveis, como já vínhamos noticiando e acompanhando. Isso também evidencia que  medidas deverão ser tomadas pela empresa para se desfazer de seus estoque de imóveis que, em sua propriedade, geram somente despesas. Assim, aparentemente haverá mais “promoções”, que significam baixa de preços de imóveis novos para o comprador. Isso é a continuidade do movimento de esvaziamento da boilha imobiliária que existe no país e isso tambe´m tem efeito deflacionário, além de gerar uma diminuição de PIB.

    p.s.2: Leia um antigo artigo (ano de 2013) do Wall Street journal sobre a aplicação pelo FED da política de relaxamento monetário (quantitative easing). Interessante para que se entenda a política que está agora sendo implementada na Europa. Acesse: http://br.wsj.com/articles/SB10001424127887324323904578368972575665126

    p.s.3: Sobre imóveis e o momento de compra, existência de altos estoques nas grandes construtoras, acesse o recente artigo do Jornal do Commercio em http://www.jcom.com.br/noticia/151050/Institutos_recomendam_prudencia_ao_trabalhador_na_aquisicao_da_casa_propria
    Veja o trecho selecionado: “Aqueles que pouparem para dar uma entrada maior podem ser beneficiados pela alta de estoque de imóveis, uma vez que a elevação dos juros pode reduzir a procura. Segundo Geraldo Tardin, a queda na procura poder criar um cenário com boas ofertas para os interessados.”

    p.s. de 01/02/2015 – Nos jornais de ontem (31/01) e anteontem foi publicado um fato novo grave: a dívida líquida pública evoluiu de 33% para 36,7% no fim de 2014. Sim, não é boa a notícia. O aumento de 11% da dívida pública demonstra que ajustes devem ser procedidos, como estão sendo desenhados por Levy, entretanto, senhoras e senhores, não é catastrófico como publicado e muito menos irreversível. Os últimos 4 anos, no primeiro governo Dilma, foram anos em que as políticas de proteção ao emprego e de indução ao crescimento da economia através de ações de governo (subsídios, contabilidade governamental criativa, etc) se apresentaram em diversas formas criativas de tentativas que buscavam limites. Se tudo tivesse dado certo, ninguém estaria reclamando e poderia talvez se visse tudo de forma diferente. EUA e Europa têm políticas de subsídios bilionários em suas economias e todos os apontam como exemplos.. Por que não es estuda a diferença entre o que foi feito aqui e o que é feito lá em termos de subsídios governamentais? Mas do jeito que as coisas foram ficará pendente uma dúvida: a crise hídrica, a operação lava-jato e a queda do preço do petróleo, se não ocorressem, teriam dado chance ao modelo de criatividade contábil e subsídios e desonerações (pushing to the limits) do governo dar certo ou simplesmente adiaria a desgraça que se abateu nas contas públicas e na economia? O fato é que, assim como os  planos monetários que não deram certo antes do real, ao menos as tentativas foram por uma implantação de política brasileira feita por brasileiros para brasileiros, diferente do que ocorreu na Argentina com Menem e que deu no que deu.. lá foi seguido à risca determinações do FMI e o país quebrou. Importante ainda salientar que esse aumento de 10% da dívida pública foi menos eficiente do que os acréscimos de gastos público nos dois governos petistas anteriores, mas o mercado internacional ajudou antes e não ajuda agora. A verade é que todas essas políticas desenvolvimentistas mantiveram emprego e giro econômico no país, enquanto a Europa e EUA tiveram recessão e desemprego. Importante essa noção. E se nossa dívida pública cresceu dez por cento agora, quanto cresceu a européia e americana na crise? Eu respondo: 100%. Está aí a diferença que a grande mídia não publica. Mas algo tem que ser feito para reverter isso. E está.

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