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A indústria política da construção de déficits para espoliar o brasileiro

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Quantos leitores entendem sobre orçamento público? Como as despesas e receitas são organizadas através de centenas e talvez possamos dizer milhares de regras constitucionais, legais e infralegais? Despesas e receitas estas que são previstas em lei plurianual (PPA), organizadas anualmente através de em leis orçamentárias anuais (LDO – lei de diretrizes orçamentárias – e LOA – lei orçamentária anual). Leis estas que terão de considerar todas previsões legais de destinação vinculada e desvinculada de tributos (todos os tributos, incluindo impostos, taxas, contribuições sociais e contribuições de melhorias), considerarão todas as previsões de isenção legal (prevista em cada lei específica) e as imunidades tributárias (isenções especiais previstas na Constituição), para então verificar o quanto se tem para efetuar gastos públicos e investimentos.

Até se chegar na ponta de todos esses processos de elaboração de leis e regulamentos sobre a extensa gama de tributos, há muitas decisões governamentais e parlamentares que se apresentam de forma múltipla, sobre vários temas, influindo sobre a forma como todo o relatório disso se apresenta em sociedade, e especial, nas duas peças orçamentárias anuais (Lei de Diretrizes Orçamentárias e Lei Orçamentária Anual), que é mais publicada pela mídia por ficar mais fácil de ser entendida e acompanhada.

Veja a resposta do Ministério do Planejamento à questão “Qual a relação entre LDO, LOA e PPA?” para que você pelo menos tenha uma ideia dessas três peças orçamentárias e nos acompanhe:

“O PPA, juntamente com a LDO e a LOA são leis instituídas pela Constituição Federal – art. 165. A LDO, que deve ser compatível com o PPA, estabelece, entre outros, o conjunto de metas e prioridades da Administração Pública Federal e orienta a elaboração da LOA para o ano seguinte. A LOA contempla os orçamentos fiscal, da seguridade social e de investimentos das estatais. O seu vínculo com o PPA se dá por meio dos Programas e das Iniciativas do Plano que estão associadas às Ações constantes da LOA. Deve haver, portanto, uma compatibilidade entre o PPA, a LDO e a LOA. Contudo, vale ressaltar que a abrangência do PPA e da LDO vai além da dimensão orçamentária. A proposta de Plano Plurianual deve ser elaborada pelo Poder Executivo durante o primeiro ano de mandato do Presidente da República e, após a votação no Congresso e a sanção presidencial, o Plano deve orientar a ação de governo. (publicado em 22/05/2015)”(http://www.planejamento.gov.br/servicos/faq/planejamento-governamental/plano-plurianual-ppa/qual-a-rela-ccedil-atilde-o-entre-o-ppa-a-lei-de)

E observe-se que o que se apresentam são projeções sobre despesas e receitas futuras, do ano seguinte, e já se sabe que parte das receitas e despesas podem não ocorrer e/ou podem até serem ultrapassadas. E tudo isso, essas decisões e planejamentos se dão antes de executar o Orçamento Público, sendo que no ano que se segue, durante a execução do orçamento, mais atos de governo e parlamentares influenciam em gastos públicos e arrecadação.

E ainda há decisões do Banco Central e COPOM que também influenciam as contas do governo e as contas públicas, eis que os juros instituídos e pagos pelo governo brasileiro são fixados pelo Copom e Banco Central e essa conta soma hoje em torno de R$500 bilhões de reais anuais, com juros de 13% para a previsão de uma inflação para o ano de 2017 em torno de 4,3%, sendo previsão do próprio mercado (Boletim Focus – reunião das 100 maiores instituições financeiras privadas no Brasil).

E nós te perguntamos: o quanto disso você acompanha e a mídia publica? Quantas vezes nós ou você acessamos os sites públicos para acompanhar a tramitação de leis que influenciam todas as despesas e gastos? Quem pode organizar essas informações para serem compreendidas por você? Qualquer um que o faça tem uma infinidade de regras para escolher o que pinçar para te mostrar e pode te apresentar números de diversas maneiras. Os políticos podem fazê-lo quase como quiserem, mas a grande mídia poderia questionar fundamentos de tais contas e apresentar de outras maneiras que seus “especialistas” pudessem apresentar.

É.. é difícil.. somente uma leitura extensa de informações técnicas e do que é publicado na grande mídia, aliado a conhecimento técnico de Direito Financeiro pode ajudar nessa tarefa, mas mesmo assim as informações ficam fragmentadas, pois são vários atos sobre várias matérias e ninguém pode ser especialista e acompanhar tudo o que ocorre em assuntos ligados à previdência, assuntos ligados à assistência social, impactos de isenção tributária para esse ou aquele setor, impactos do juros sobre contas públicas, etc.

E é nesse “mato sem cachorro” que pudemos verificar, depois de anos e anos (ao menos 20 anos) de acompanhamento e em especial durante esses quase sete anos de vida do Blog Perspectiva Crítica que, principalmente pelos acontecimentos mais recentes, desde 2008, com o início da crise financeira internacional, que há uma indústria política de criação de déficits ou de publicação de determinadas perspectivas sobre déficits que visa a enganar e espoliar o brasileiro. E a grande mídia, infelizmente, repassa isso e contribui para essa farsa de forma triste, por atos e por omissões.

Não é teoria conspiratória total. É o resultado de atos múltiplos de diversos agentes, sejam privados, sejam políticos, sejam da grande mídia, sejam do mercado financeiro, sejam agentes públicos como o presidente do Banco Central, Ministro da Economia, os quais, em parte acertados, não obrigatoriamente entre si, mas em seus objetivos, engendram uma máquina de criação de fatos mentirosos e com esses fatos mentirosos chantageiam a sociedade para executar suas propostas e seus propósitos, os quais estão todos orientados na defesa de uma ação de Estado para construção de um Estado Liberal Exacerbado, sob o nome de Estado Mínimo, que enfim poderia ser benéfico para a sociedade se fosse implementado comedidamente e com previsões de melhorias diretas para a vida dos cidadãos, mas é direcionada para espoliar o cidadão financeiramente e em seus direitos trabalhistas e previdenciários, sob a vaga promessa idílica de que se meramente a economia se desenvolver livremente (livre mesmo, de preferência sem regulamentação e sem Estado ou com Estado Mínimo), automaticamente os cidadãos obterão melhora de vida e de salários, ou seja, subiria sua participação do bolo da riqueza, o que é definitivamente a maior mentira da história, porque o que se vê é que a riqueza se concentra em todo o mundo, inclusive o mundo dos países ricos.

Citarei três exemplos de mentiras graves atuais e que estão gerando o substrato “fático” para que se espolie o brasileiro, desnecessariamente, em seus direitos trabalhistas e previdenciários com o fim de tornar mais próximo o mundo idílico da sociedade empresarial, em que cidadãos são meros apêndices e gado do Estado, e que existem para serem encurralados e “cortados”, “tosquiados” e “ordenhados” pelo conglomerado financeiro-mega empresarial. Exclua-se do termo “conglomerado financeiro-mega empresarial” os médios e pequenos empresários, esses também sucumbirão pois terão de terminar vendendo seus negócios, com o tempo, ao perder espaço para esses gigantes de mercado que conseguem influenciar a política em seu favor e de seus negócios.

Os exemplos das mentiras atuais serão o déficit da previdência, déficit do Estado do Rio de Janeiro, déficit fiscal brasileiro. Por que são mentiras? Qual o objetivo ou consequências das mentiras? Como construir essas mentiras? Diremos.

DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA

Não há déficit da Previdência Pública Federal. Anualmente se publicam déficits da previdência, mas a previdência pública brasileira é superavitária há anos e anos e anos. Como podemos afirmar isso, se toda a grande mídia publica que há déficit na previdência e que por isso a “reforma previdenciária” é essencial ao país?!?!?!?!

Não pedimos que acreditem em nós. Acreditem nos Auditores Fiscais da Receita Federal que afirmam isso com todas as letras, seja através de artigos no site da Anfip (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil – http://www.anfip.org.br/), seja através do sítio eletrônico somosauditores.com.br.

Observe a relação dos últimos artigos no site da Anfip, que está sofrendo pressão do governo para calar-se, segundo sua denúncia na página principal de hoje, 06/03/2017:

02/03/2017
Previdência, deficit e DRU (Aldemario Araujo Castro)

22/02/2017
A reforma da Previdência e os piratas sociais (Álvaro Sólon de França)

23/01/2017
Previdência, 94 anos (Vilson Antonio Romero)

18/10/2016
Você está sendo roubado pela PEC 241
Por Maria Lucia Fattorelli… (Leia mais)

10/10/2016
As dívidas do Brasil e o teto de gastos
Por Vilson Antonio Romero… (Leia mais)

16/09/2016
(des) Emprego x (imp) Previdência Social
Álvaro Sólon de França… (Leia mais)

15/09/2016
Como o governo fabrica o falso déficit (ou falso rombo) da Previdência?
Por Alfredo Miranda de Lemos… (Leia mais)

Acesse e se informe como o governo quer te roubar. Nestes artigos está descrito que a previdência é superavitária, mas o instrumento legal chamado de DRU (desvinculação de receitas da União) autoriza o governo a retirar dinheiro da previdência social para gastar onde quiser, nos termos e limites da lei que institui a DRU, dentre eles, para realizar superávit primário.

Observe essa definição de DRU, no site do Senado:

“DRU – A Desvinculação de Receitas da União (DRU) é um mecanismo que permite ao governo federal usar livremente 20% de todos os tributos federais vinculados por lei a fundos ou despesas. A principal fonte de recursos da DRU são as contribuições sociais, que respondem a cerca de 90% do montante desvinculado.Criada em 1994 com o nome de Fundo Social de Emergência (FSE), essa desvinculação foi instituída para estabilizar a economia logo após o Plano Real. No ano 2000, o nome foi trocado para Desvinculação de Receitas da União.

Na prática, permite que o governo aplique os recursos destinados a áreas como educação, saúde e previdência social em qualquer despesa considerada prioritária e na formação de superávit primário. A DRU também possibilita o manejo de recursos para o pagamento de juros da dívida pública.Prorrogada diversas vezes, a DRU está em vigor até 31 de dezembro de 2015. Em julho, o governo federal enviou ao Congresso Nacional a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 87/2015, estendendo novamente o instrumento até 2023.”(http://www12.senado.leg.br/noticias/entenda-o-assunto/dru)

Mas melhor do que todos estes textos, pela rapidez e simplicidade de informações, seja o acesso ao vídeo que está circulando no whatsapp sobre este tema e alertando sobre o fato de que no ano de 2015 a previdência social, que inclui assistência social e assistência de saúde, teve de receita R$700 bilhões de reais e que seus gastos totais foram de R$688 bilhões de reais. Superavitária, portanto em R$12 bilhões.

Veja o vídeo campeão em civismo em http://somosauditores.com.br/previdencia-social/110-a-mentira-sobre-o-rombo-na-previdencia-social.html

Mesmo assim, o que foi publicado a você? Que foi deficitária em R$54 bilhões de reais. Por que? Porque a DRU autorizou que fossem retirados da Previdência R$66 bilhões. Mas isso quer dizer que a Previdência é deficitária? Não. Isso quer dizer que estão tirando dinheiro da previdência pra “investir em Saúde, Educação e superávit primário”. Bom, para a saúde não foi e nem para a Educação.. sobra o superávit primário que se destina a pagar dívidas e juros do governo, pois ele só existe antes do pagamento de juros.

Então, senhores e senhoras, o dinheiro está sendo tirado da Previdência e usado para pagar juros e dívidas do governo. Aí te dizem que há déficit na Previdência e que você deve pagar mais à previdência e trabalhar 49 anos para se aposentar. O que é isso?!?!?! Houve a criação da mentira do déficit da previdência para que você concordasse com uma reforma que espolia seus direitos previdenciários e sua qualidade de vida hoje (para aposentados) e amanhã (para todos os brasileiros). E só afeta o cidadão, perceba.

E isso não é tudo. A Previdência Social paga também a Assistência Social e a assistência social não tem contribuição. Não seria mais honesto separar essas contas? Sim. Mas por que não se faz isso? Por que aí o governo vai ter que dizer para você o quanto paga de assistência social e ele prefere criar assistência social e dizer que não cria gasto para o governo. Leva voto e põe o custo na Previdência, a qual, tadinha, “está e sempre foi deficitária”. Ou seja, nada muda e responsabiliza o político, mas muda para você, porque aí o político diz que tem déficit na Previdência e que você deve pagar por isso.

Perceba, ainda, que só as 500 maiores empresas devedores do INSS devem 50 bilhões de reais. Só as 500. Dívidas entre 3,5 bilhões de reais e 65 milhões de reais, dentre as quais estão a do Banco Bradesco, Banco Itaú, Bank of America/Merryl Linch e Deutsch Bank. E saiba ainda que a bancada ruralista (grupo de políticos que defende os grandes produtores agrícolas e latifundiários brasileiros no Congresso, praticamente 200 políticos) diz que não quer que o governo espolie e cobre a previdência do agricultor, mas na verdade eles não quererem pagar sua parte na contribuição previdenciária, caso o agricultor tivesse de pagar ao INSS.

Assim, hoje, o agricultor não paga, mas se aposenta com um salário mínimo para o qual não contribuiu. E nas fazendas há os maiores casos de trabalho análogo ao de escravo. E tome custo na previdência sem contribuição.

Perceba que se constrói déficit e que agora, publicado irresponsavelmente pela mídia nestes termos de que pura e simplesmente existe déficit na previdência social, serve de argumento para a banca da direita, do mercado e para os políticos aumentarem arrecadação exclusivamente do bolso do cidadão, depauperando-o em dinheiro e direitos previdenciários.

Não há déficit na Previdência. Os políticos através de atos (criação da DRU) e omissões (não cobram contribuição de agricultores e empresários agrícolas e não separam as contas da previdência e assistência social) depauperam a Previdência. A mídia publica que há déficit, pura e simplesmente. E você perde dinheiro, qualidade de vida e deve trabalhar 49 anos para se aposentar, na proposta atual de reforma do governo, a qual é “imprescindível” pra dar fim ao “déficit da previdência” e colocar as contas do país “nos eixos”. Que mentirada e palhaçada… tsc, tsc.

DÉFICIT DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Esse, então, é muito fácil. Três linhas de explicação.. rsrs. A mídia culpa a folha de pagamento de servidores públicos. A mídia publicou que se inflou a quantidade de servidores com os anos e que por isso o Estado do Rio de Janeiro estava em bancarrota e a solução seria demiti-los às toneladas.

Publicaram notícias escolhidas e também mentirosas de que outros países mais avançados teriam menos servidores e tal, o que é desmentido por publicações da OCDE de que os países de maior IDH no mundo têm até três vezes mais servidores do que o Brasil em proporção em seus respectivos mercados de trabalho. Já escrevemos sobre isso pontualmente.

Mas hoje sabe-se, o que também já publicamos, que 30% das receitas do Estado do RJ vinham do petróleo, que caiu de 120 dólares (ano de 2008) o barril para 28 dólares o barril (ano de 2014). E mais, que Sérgio Cabral e Pezão, os governadores do Estado do Rio de Janeiro nos últimos dez anos, concederam até 157 bilhões de reais em isenções a vários setores que deveriam atrair empregos e gerar novas receitas… pois é.. mas essas isenções foram concedidas também para bares, lanchonetes e joalherias, estas últimas as quais estão sendo investigadas de participar de um esquema fraudulento de simulação de venda de jóias para o casal preso, em Bangu 8, Sérgio Cabral e Adriana Anselmo, e lavagem de dinheiro.

Ou seja, senhores e senhoras, no Rio de Janeiro, políticos criaram um mecanismo de isentar empresas, realizar contratos e licitações públicas superfaturadas e desviar esses valores para os próprios bolsos. Aí, junta isso com a queda de petróleo e temos um furo gigantesco na arrecadação e hoje temos o déficit público do Rio de Janeiro e a impossibilidade de pagar servidores.

A culpa foi da folha de servidores? Não. O déficit de 33 bilhões de reais em 2016 seria mais do que compensado caso não houvesse o excesso de isenções que gera perda de arrecadação de 60 bilhões de reais anuais. Mas publica-se que o problema é a folha de pagamento dos servidores públicos estaduais… o que vocês acham? A imprensa cumpriu o seu papel? Publicou a verdade?

Os servidores que prestam serviço público e que existiam e eram pagos sem problemas antes das isenções e queda de arrecadação com petróleo, viraram, à míngua do orçamento estadual, o problema, conforme foi publicado pela grande mídia mil vezes!!! O que é isso?!?!?!

Será que os especialistas da grande mídia não podiam relativizar os problemas da arrecadação? Toda isenção tributária é bem recebida porque é diminuição de carga tributária, uma bandeira do Estado Liberal e da Grande Mídia. Tudo bem. Mas não pode publicar que isenções estavam sendo concedidas a bares, lanchonetes e joalherias?!?! Qual o fim social? E o montante dessas concessões?

E isso porque a grande mídia nem sequer fala do problema da bolha imobiliária que está se esvaziando e que por isso, gerou altas nababescas em aluguéis pagos por empresários e lojistas que com a crise de desemprego deflagrada nos últimos dois anos, diante, então, de perda de receita, não conseguem pagar os aluguéis que os proprietários de imóveis elevaram às alturas, durante o período de valorização de imóveis à razão de até 500% (quinhentos por cento) no Rio de Janeiro, entre 2008 e 2013 (período da crise financeira internacional que desviou para o Brasil fortunas de estrangeiros fugindo da crise na Europa e EUA).

A quebradeira de lojas na zona sul do RJ se dá não por puro excesso de carga tributária, mas por misto de perda de receita por causa da crise e cobranças altas de aluguéis de seus imóveis alugados. A carga tributária entre 2008 e 2013 é a mesma de hoje, e a economia bombava. Mas a crise que tirou receita, não diminuiu com mesma rapidez a alta de aluguéis, e lojas quebraram e empresários quebraram. Isso gerou perda de arrecadação, mas o excesso de isenções, se não existisse, bancaria tudo!!!!

Então, mais uma vez, os políticos construíram um déficit, a mídia publicou pura, simples e irresponsavelmente assim, mas quem tem que pagar é cidadão, o servidor público estadual, o aposentado.  

É triste constatar que a grande mídia não informa.

DÉFICIT FISCAL BRASILEIRO

Senhoras e Senhores, o Blog Perspectiva Crítica diz há quanto tempo que dezembro de 2016 era o fim do problema econômico? É só ler os artigos. Os indicativos eram fortes no sentido da queda da inflação durante o ano de 2016. Com o desemprego em 11%, à época, juros de 14,25%, sem possibilidade de aumentos de gasolina a 50% e energia elétrica a 50%, como ocorreu em 2015, como a inflação chegaria a 9,33% como previsto pelo mercado (Boletim Focus) em janeiro de 2016 e ainda sustentado em junho de 2016?!?!?! Veja, previsão de um mercado que se remunera com os juros altos que prevê!! A inflação de 2016 fechou em 6,29%, abaixo até da aposta do Blog em entre 7% e 6,5%. Abaixo, pois, do teto da meta inflacionária.

Pois é. Mas os juros brasileiros ficaram todo o ano de 2016 altos em 14,25%, somente descendo para 14%, em outubro de 2016 e 13,75%, em novembro de 2016. Caíram para 13%, em janeiro de 2017 e para 12,25%, em fevereiro de 2017. E O Henrique Meirelles, nosso Ministro da Economia, disse, ainda em março de 2017 que “A recessão acabou”.

Por que estou dizendo isso? Nos dois anos de crise brasileira (2015/2016 – o PIB cresceu 0,5% em 2014 e caiu mais de 3% em 2015 e 2016, mas 2017 prevê aumento entre 0,5% e 1% do PIB), com baixa de arrecadação de impostos da União, com causa na baixa de cotação do petróleo, minério de ferro, saída de investimentos estrangeiros dos imóveis brasileiros e outros ativos de retorno a uma Europa e EUA que pararam de piorar e ensaiavam melhora econômica, que ora se confirma, o Brasil não tinha pressão inflacionária que exigisse esses altos juros.

No mundo todo a economia estava fraca (sem pressão inflacionária externa), as famílias brasileiras estavam endividadas (sem pressão por demanda interna) e os juros lá fora eram e são os mais baixos da história, gerando juros reais negativos nos EUA e Europa. Mas o Brasil continuou com juros que exigiam até R$600 bilhões de pagamentos em juros ao mercado pela dívida brasileira. Pagamos até 8,5% de juros reais!!!!

O segundo país no ranking de juros mais altos no mundo em 2016 pagava em torno de 4% de juros reais!! E onde estava a grande mídia para mostrar essa infâmia?!/?!? O maior assalto aos cofres brasileiros em toda a história!!! Motivo de piada no exterior e consternação dos estrangeiros de boa-fé que acompanhavam esse crime de lesa-pátria ao nosso país!!!

Esses juros construiu o déficit de 139 bilhões do ano de 2016!!!! Se pagássemos 5% de juros reais, economizaríamos 3,5% em 14,25% de juros pagos durante 2016. Isso geraria uns 170 bilhões de reais e transformaria sozinho o deficit fiscal brasileiro em superávit. E daria para compensar o controle da inflação, que é feita só com juros, através de medidas macroprudenciais. Já escrevemos muito sobre isso.

Os políticos e burocratas financeiros criaram o déficit, a mídia publicou pura e simplesmente como sendo déficit, colocando a culpa também em salário de servidores, lembre-se. E você é quem deve pagar, com corte de verbas para a administração pública, contratação de servidores públicos, menos prestação de serviços públicos a você. Mas vimos que a culpa é de juros excessivos e desnecessários que enriquecem bancos, à razão de 30% de seus lucros no período.

E por isso você deve pagar mais 8% de imposto de renda, pois o IRPF subirá para 35%!!!! A mídia reclama? Não! Por quê? Porque assim não se aplicou CPMF de 0,38% sobre as movimentações de empresas e bancos e nem houve aumento de Imposto de renda de pessoas jurídicas (IRPJ).

Juros reais de 8,5% para bancos. Sem CPMF e aumento de IRPJ para empresas e bancos. E há deficit fiscal brasileiro. E a solução? Aumentar o seu imposto de renda (IRPF). Com CPMF você pagaria 0,38% do seu salário que é o que você movimenta, e todas as empresas e bancos também. Mas agora você tem que pagar juros altos e aumento de IRPF, sofrer com a diminuição de servidores e serviços públicos, perder direitos trabalhistas e previdenciários para resolver “o déficit fiscal brasileiro”!! O déficit que não existe! Ou que, ao menos, não deveria existir dessa forma.

CONCLUSÃO

Você deve entender o que se apresenta aí, amigo e amiga. Infelizmente a verdade não está disponível nas manchetes da grande mídia. Dizemos sinceramente “infelizmente”, porque nós gostaríamos que a verdade estivesse publicada na grande mídia. Mas o editorial é feito por pessoas. A grande mídia é um grupo de empresas com interesses próprios também, pois é uma grande empresa… então temos de ler e questionar.

Há déficits?! Há. Mas a forma como eles se originam não é minimamente comentada pela grande mídia e é utilizada por políticos pra construir “realidades de déficits” meramente para que eles empurrem medidas e receitas de soluções que atacam o Estado, diminuem irracionalmente o Estado e a administração pública, os servidor públicos a você, promovam reforma da previdência e de direitos trabalhistas para que você perca esses direitos e seja submetido, pelo que vemos, cada vez mais somente ao que a área privada possa oferecer, nos termos em que ela quiser oferecer.

Imagine um mundo só com a área privada. Saúde? Só paga. Educação? Só paga. Autuações e cobranças fiscais? Realizadas pela área privada com metas! Sem estabilidade para o servidor público! Emprego? Só na área privada, ou por currículo para a área pública através de contratação terceirizada. Você e seu filho vão concorrer com currículo de filhos de ricos formados e pós-graduados no exterior? Terá quais direitos trabalhistas e quais direitos previdenciários?

Com a reforma previdenciária que querem, você concluirá que é melhor pagar a uma previdência privada!! E em breve, tornarão opcional contribuir para a previdência social. Já houve aumento de contratações somente com o anúncio do teor dessa reforma, a partir da qual ninguém poderá se aposentar antes de 49 anos de trabalho, se quiser receber integralmente sua aposentadoria.

Mas essa medidas são todas exigidas pelos políticos com base em notícias de déficits e de ineficiência da área pública. E não é o que se pode constatar. O que se constata é roubo, armações políticas, corrupção, lavagem de dinheiro, conluio entre políticos e empresários, e a busca por estes, enaltecida pela grande mídia, de argumentos legitimadores de toda medida que torne o Estado menor, não a seu bem ou de sua família, mas à da concentração de renda.

Denunciamos aqui que há uma indústria de criação de fatos, neste caso, déficits, para que todas as medidas de direita, de um estado liberal, que exige a precarização da sua vida e a da sua família, seja possível. Isto está em curso. Até onde vai, só depende de nós mesmos. O objetivo da indústria de déficits é espoliar o brasileiro. Isso está claro.

p.s.: Texto revisado e ampliado.

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