O Jornalismo da Globo está mudando? Será em favor do contribuinte e cidadão?

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    O Globo, assim como a grande mídia brasileira, sempre foi favorável à perspectiva empresarial e financeira da realidade a ser publicada. Tem jornalismo profissionla, todos sabemos, mas era focado em apagar realizações de governo petista, aliado ferrenho a uma atividade partidária psdbista, defensor do Estado Mínimo e da tendência de terceirização e privatização de todo quanto possível setor público.

    Por estar mais próximo aos bancos do que às próprias empresas, sempre defendeu juros básicos brasileiros nas alturas sob quaisquer circunstâncias econômicas: se a inflação subiu por pressão de demanda, suba-se juros básicos (mesmo podendo usar medidas macroprudenciais menos gravosas para o déficit público e aumento de dívida pública) e se a inflação subiu por choque de oferta (queda de produção e falta de produtos no mercado), suba-se juros básicos (sem atacar a causa do problema inflacionário que é a falta de produtos e que deveria ser atacado com mais investimento ou importação, por exemplo). Tudo isso levando ao enriquecimento de bancos, contra o setor produtivo, contra empregos e contra a dívida pública e o cidadão.

    Também sempre defendeu o não aumento de salário mínimo (elemento que pode causar inflação, segundo ela e a ala financista e empresarial), diminuição de direitos previdenciários e principalmente contribuição empresarial à previdência social (para diminuir carga tributária e custo Brasil, claro.. o objetivo nunca foi maximizar lucros..), e diminuição de direitos trabalhistas (mais combate ao custo Brasil e à carga tributária para incentivar a produção, claro..).

    Então, o Globo sempre esteve do lado da grande mídia, do setor privado, e principalmente dos bancos, publicando notícias com vetor que empobreceria cidadãos, aumentaria a dívida do Estado e enriqueceria o setor empresarial do Brasil, mas muito principalmente bancos. A causa pode ser de mera cooptação ideológica da grande mídia pelo setor financeiro, não precisamos tomar como uma conspiração contra o País e o cidadão, lógico.

    Mas acho que depois de muita crítica de Blogs Sociais, como este e tantos outros, e principalmente após um grande Fórum comemorativo de tantos anos da Rede Globo, algumas coisas podem estar mudando.

    Dia 16/10/2012 houve entrevista de James Galbraith, filho de John Kenneth Galbraith no Progrma Milênio do canal Globosat. As perguntas eram críticas, objetivas e duras sobre o capitalismo atual, a falta de punição e processo de banqueiros que prejudicaram a economia americana na crise do subprime em 2008, a realidade do mercado de trabalho, com vetor crítico mesmo, tanto é que as respostas de Galbraith eram até sofridas… ele pensava bem antes de responder. Interessante. Em outra época eu imaginaria entrevista de banqueiros e seus entrepostos intelectuais defensores de todo o status quo ou mesmo abordagem ao Galbraith de forma mais doce em relação ao mundo financeiro e em prol de medidas de austeridade e coisas do gênero, que enriquecem banqueiros. Mas não foi o que vi.

    Recentemente, aliás, ontem , dia 23.10.2012, na página 25 do Jornal O Globo, ao invés de sair notícia recriminando o País e o Judiciário de não condenar, não punir e não prender ninguém (o que é em grande parte culpa de falta de Juízes, falta de servidores do Judiciário, falta de Promotores de Justiça, falta de servidores do Ministério Público, falta de policiais bem remunerados e de falta de investimento em polícia técnica que produza as provas que gerarão condenação criminal), foi publicado na primeira página do caderno de Economia a prisão de “mais um banqueiro”, no caso Luis Octavio Índio da costa, um dos controladores e ex-diretor superintendente do Banco Cruzeiro do Sul, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no mês passado.

    Nesse caso, publicou a prisão do banqueiro (o que deveria acontecer também nos EUA mas não ocorre, notem bem!!!) e ainda informou sobre os outros casos de prisão de banqueiros ocorridos: Salvatore Cacciola, Edemar Cid Ferreira e Daniel Dantas. Expôs banqueiros. Não apresentou viés de recriminação ao Judiciário, e foi informativo quanto á conclusão de processos anteriores. A prática anterior era de enxovalhamento do Judiciário, culpa somente sobre o judiciário (sem ver reais causas de falta de estrutura para julgar a quantidade de casos que chegam ao Judiciário e sem ver que não existe polícia técnica suficiente no Brasil para produzir provas de qualidade que gerem condenações) por falta de condenações e nunca informava adequadamente sobre conclusões de processos. O resultado era a população sempre descrente e pré-disposição automática contra o Judiciário.

    E hoje, dia 24/10/2012, publicou opinião editorial a favor de facilitação de recolhimento e resgate de FGTS de empregados domésticos. Tudo bem que isto não gera aumento de custo para empresas, mas mesmo assim é medida justa que enriquece o cidadão.

    Esse é o ponto. A pergunta é: será que há uma aproximação atual do Jornalismo da Globo em prol do cidadão? Em prol da perspectiva do cidadão? Incentivando ações, questionando a realidade de forma a proporcionar possibilidades de avanços do cidãdão na riqueza do PIB brasileiro? O Globo está atuando de forma a proporcionar ao cidadão brasileiro ficar mais rico em sociedade?

    O incentivo a boas ações públicas, a explicação da realidade econômica e institucional de forma verdadeira, o questionamento sobre eficiência da administração de recursos humanos na área pública (que não é sinônimo de terceirização e privatização, por favor..), a defesa de direitos previdenciários, de equilíbrio das contas previdenciárias para garantir sua viabilidade no futuro, a defesa de direitos trabalhistas e de política de aumento de salário mínimo justo, digno ao trabalhador e compatível com nossa economia são atos que enriquecem o cidadão. Enriquecem em seguida as empresas e bancos, pois com cidadãos mais ricos, a economia cresce de forma sustentável, mas tais abordagens enriquecem imeditamente o cidadão brasileiro e fazem com que ele avance sobre a riqueza nacional, aumentando sua participação no PIB.

    É claro que o Jornalismo do Globo ainda é de direita, ainda é conservador e é defensor de privativismo, de americanização da economia e política brasileira (e até de nossa sociedade), mas qualquer passo na direção certa deve ser enaltecido. As publicações e reportagens aqui apontadas, aliado à abordagem recente em reportagem sobre o crescimento da demanda por justiça no Brasil e do grande número de processos, sem foco em causar danos à imagem do Judiciário, e a maior publicidade que vem dando às conclusões do IPEA, são práticas que geram bom jornalismo, que informam a população e que contribuem para os avanços de nossa sociedade.

    Queremos ver o jornalismo do Globo neste sentido, pesquisando números, mostrando, quiçá, que em países ricos o salário de professores públicos é alto. Que funcionário público em país rico também tem estabilidade. Que o salário de policiais também é bom. Que as principais capitais no mundo andam de metrô e não de ônibus (gostei de publicação recente sobre a falta de cobrança das autoridades sobre as atrocidades cometidas pelos motoristas de ônibus no RJ, nunca punidos sejam os motoristas sejam as empresas). Que há controle da inflação via medidas macroprudenciais e incentivo ao investimento e não somente via aumento de juros Selic. Enfim, desejo que o Jornalismo da Globo deixe de ser meramente defensor da perspectiva empresarial e principalmente financeira da realidade brasileira e passe a prestigiar também a perspectiva do cidadão quando falar sobre organização do Estado, orçamento público, previdência, direitos trabalhistas, adminitração de recursos humanos no Estado Brasileiro etc..

    Não custa nada torcer.. quem sabe somos surpreendidos. Enquanto não formos, estaremos aqui apontando erros do jornalismo da mídia (ainda de mercado) e aplaudindo os acertos. Mídia de mercado é um fato mundial, existe em toda a sociedade capitalista democrata ocidental. Sonhamos com uma mídia nacional, ou seja, uma mídia do País Brasil, que esteja voltada para os interesses de todas as classes importantes em sociedade, ou seja, para as indústrias, para os comerciants/empresários, para os cidadãos contribuintes individuais e, também (e menos), para os bancos. Queremos uma mídia para todos, o que facilitará chegarmos a um País rico, com cidadãos ricos e felizes, como na Dinamarca e Suécia.   

    p.s.: Só uma coisa me deixa chateado… o Globo se mostrou ativo no debate sobre diminuição de tributação sobre a energia elétrica. Foi um artigo já antigo do Globo que mostrou que oito tributos incidiam sobre a energia elétrica e que muitos não deveriam incidir. Ela trouxe o problema à pauta de discussão social. A mídia também trouxe à pauta as privatizações, muitas cabidas, outras não. E foi pioneira em colocar esse debate em sociedade como saída para a necessidad de investimentos públicos em divcersas áreas e diminuição de dívida pública. Só que quando passou a falar de educação e saúde pública, ela veio à reboque da defesa do governo petista que foi pioneiro em colocar esses dois temas na ordem do dia. Quando publicou recriminação recente às empresas de ônibus no RJ, foi a reboque de uma intitulada “Norma de conduta” a ser imposta pelo Prefeito Eduardo Paes às empresas de ônibus. Então, fico triste em constatar que quando são publicados artigos bons e na perspectiva do cidadão, a grande mídia não está colocando o tema em pauta, mas sendo obrigado a tratar do mesmo por iniciativa de políticos que adotam medidas em tais áreas. Quando o jornal coloca tema na ordem do dia? Quando publica manchete ou manchetes sobre determinado tema. Esse é o parâmetro que adoto para exigir a iniciativa da grande mídia. Não adianta publicar sem destaque e querer que se diga que já havia publicado sobre o tema. Nota de rodapé também é publicação. Em privatização e diminuição de carga tributária a grande mídia teve iniciativa. Em Educação, Saúde, controle de inflação via medidas macroprudenciais e melhora de administração de recursos humanos na Administração Pública, nunca teve.

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